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Correio Braziliense

Will Smith sobre Bright: 'Fiz um policial negro sendo racista com um orc'

Ator divide a cena com Joel Edgerton em Bright, filme que mistura fantasia e muita ação ao mesmo tempo em que debate diversidade. Ele esteve no Brasil para divulgar a produção e esbanjou simpatia no último dia de CCXP


postado em 12/12/2017 06:32 / atualizado em 12/12/2017 12:40

Will Simith quer sequência de Bright: depende da Netflix e dos fãs(foto: Reprodução)
Will Simith quer sequência de Bright: depende da Netflix e dos fãs (foto: Reprodução)

 
São Paulo — Jay e Kay, em Homens de preto. Mike e Marcus, em Bad boys. E, agora, Ward e Jakoby são a nova dupla de parceiros da carreira do ator Will Smith. Os policiais são os protagonistas do filme Bright, produção que estreia em 22 de dezembro na Netflix e que teve uma divulgação especial no Brasil.

Will Smith, acompanhado de Joel Edgerton, que vive Nick Jakoby, e do diretor David Ayer (com quem ele trabalhou em Esquadrão suicida) promoveram o longa-metragem em dois eventos no país. O primeiro durante a Comic Con Experience (CCXP), em que participaram de um painel, quando o filme foi exibido para três mil pessoas e debatido pelo trio sob forte impacto da presença de Will Smith, que cantou a trilha de Um maluco no pedaço, fez rap, autografou um disco, apareceu com a bandeira do Brasil e foi um verdadeiro showman no evento. Depois, em uma entrevista coletiva para jornalistas, falaram novamente do longa.

Bastante animados com o filme, Smith, Edgerton e Ayer explicaram a produção que mistura diversos gêneros, passeando pela fantasia, comédia e ação. "É uma mistura de gêneros, com elementos exóticos e também exploramos questões sociais. Mas, no fim, é um filme de humor", classifica o diretor. Sobre como explicar a produção, Will Smith diz que é um mix entre O senhor dos anéis e Dia de treinamento. "É uma combinação das criaturas de O senhor dos anéis num mundo moderno e como a sociedade é hoje", explica o ator.

Bright se passa em uma realidade em que humanos, orcs, fadas e elfos convivem em uma mesma sociedade. No entanto, esse convívio é marcado por muitas diferenças. Os elfos estão no topo da sociedade, sendo os mais ricos e poderosos. Os humanos estão no meio dessa cadeia. Enquanto os orcs e as fadas são considerados um problema para a sociedade depois de 2 mil anos de uma guerra entre o Exército das Nove Raças e o Senhor das Trevas.

A história de Bright tem início quando Ward começa a trabalhar com Nick Jakoby, o primeiro orc policial do mundo, contrariando o clã dessas criaturas, que são vistas como o lado mau da sociedade do filme, e para desagrado dos humanos. Em meio a muitos problemas envolvendo essa parceria e durante uma noite de patrulha, os policiais acabam se deparando com uma situação inédita: a presença de uma arma mágica, que até então estava sumida do planeta e que pode destruir tudo se cair nas mãos erradas. O artefato causará um confronto entre três raças — humanos, orcs e elfos —, todos em busca de poder.

Apesar do enredo se aproximar mais da fantasia por meio da temática da magia — que é considerada a "bomba nuclear dessa sociedade" — e os personagens, a trama tem como forte assunto a questão da diversidade social e do racismo, por meio do personagem de Joe Edgerton. Por se tornar um policial, Nick acaba sofrendo repressão do clã dos orcs, ao mesmo tempo que é mal visto pelos humanos, principalmente, os companheiros de trabalho na polícia, inclusive, o próprio Ward. "O que foi interessante foi que eu fiz um policial negro sendo racista com um orc. A graça é poder tocar nesses assuntos de outra forma. Como negro, sei como é ser insultado pela polícia. Estar do outro lado foi interessante", afirma Smith.

Além do tema bastante atual e forte sobre as diferenças, Bright também tem uma leveza por conta do lado cômico bastante revelado por meio da inusitada parceria entre Ward e Jakoby, que chega a se tornar uma espécie de "bromance" (a relação de proximidade entre dois homens). Essa química dos atores vem de fora das gravações. Smith e Edgerton levaram para a tela a parceria da vida pessoal, apesar de esse ser o primeiro trabalho juntos.

Mesmo antes da estreia oficial do filme, Will Smith já sonha com uma sequência da atração. Nesse segundo longa, o ator espera poder mostrar mais sobre esse mundo fantástico apresentado na história de David Ayer. "Vamos explorar mais esse universo se os fãs da série pedirem à Netflix. Precisamos dos fãs para fazer um segundo", completa Will Smith.

Bastidores

Gravado nas ruas de Los Angeles, Bright contou com 70 dias de filmagens, encerrados em janeiro deste ano, a maioria deles no período noturno. Por ter um lado de filme de ação, o longa-metragem fez com que os atores tivessem que gravar cenas difíceis e até arriscadas sem dublês, além de uma experiência ao lado da polícia de LA. O objetivo era demonstrar uma autenticidade e verdade nesse tipo de atuação, característica do trabalho de Ayer.

Os efeitos visuais e a maquiagem são outro ponto importante no longa. Com a mesma equipe vencedora do Oscar de maquiagem por Esquadrão suicida, Bright chama atenção pela caracterização dos personagens, feitos com maquiagem e uma máscara de látex, no caso dos orcs — o que fez com que o ator Joel Edgerton se tornasse irreconhecível na pele de Jakoby e passasse mais de três horas se preparando diariamente para encarnar o papel.

A trilha sonora também é outro aspecto de destaque da produção. Com direção musical de David Sardy, o filme apresenta canções que passam pelo hip-hop e, de certa forma, representam a presença de Will Smith no elenco — o ator teve uma carreira como cantor dentro do gênero.
 

Mundo dos elfos

(foto: Netflix/Divulgação)
(foto: Netflix/Divulgação)
 
 
Cidade do México — Will Smith é um humano, Joel Edgerton, um orc. São os atores Noomi Rapace, Edgar Ramírez e Lucy Fry que representam os elfos de Bright. Eles vivem Leilah (a vilã), Kandomere (um agente da polícia federal) e Tikka (uma elfa que esbarra com os policiais), respectivamente.

Diferentemente do imaginário do público de fantasia, esses elfos estão no mundo atual e não em uma realidade épica e medieval. A raça é a mais moderna da sociedade retratada em Bright, além da mais poderosa quando se fala em magia. Normalmente, são os elfos que têm o poder de serem os “brights”, aqueles que podem assumir o poder de uma varinha mágica sem se transformarem em pó.

“Os elfos de David têm um estilo específico. Eu lutei o filme todo de forma muito graciosa, com saltos e diamantes. Eles são estilosos e sexies”, lembra aos risos Noomi. Edgar Ramirez explica que a raça dos elfos é poderosa em Bright. “Somos os únicos com alta sensibilidade e percebemos coisas que os outros não percebem. Isso nos dá privilégios e responsabilidades. Nesse mundo, eles veem a mágica como perigosa e algo que deve ser contido. Esse é um elemento importante do filme: o que a mágica e o poder representam. Diferentemente de outras histórias, em Bright, a mágica é ruim e transforma tudo em miserável”, define. (AI)

A repórter viajou a convite da Netflix
 

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