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Correio Braziliense

Análise: Globo de Ouro valoriza igualdade de gêneros em aposta dos filmes

Premiação também reconhece a temática num recorte sobre rivalidades bélica e esportiva


postado em 13/12/2017 07:20

Eu, Tonya: Margot Robbie é a protagonista da trama sobre os bastidores da patinação(foto: LuckyChap Entertainment/Divulgação)
Eu, Tonya: Margot Robbie é a protagonista da trama sobre os bastidores da patinação (foto: LuckyChap Entertainment/Divulgação)

Pela lista dos indicados aos prêmios Globo de Ouro — sempre um bom termômetro para decifrar os futuros candidatos ao Oscar — uma coisa é certa: o espírito esportivo, disposto em filmes com representação de atletas, como em A guerra dos sexos, A grande jogada e Eu, Tonya, está em alta no cinema. Além disso, a longa lista de 25 categorias (que inclui disputas de produtos televisivos) contempla tanto fitas ligadas à guerra, a estrategistas e a arquivos secretos quanto filmes que celebram a própria indústria do entretenimento. O Globo de Ouro terá cerimônia em 7 de janeiro.

A diversidade sexual e racial, num crescente, se revela, novamente, valorizada. Autor de filmes em destaque, incluindo Um mergulho no passado (exibido em Veneza) e do polêmico 100 escovadas antes de dormir, o italiano Luca Guadagnino assina o celebrado Me chame pelo seu nome (com coprodução brasileira). Indicados a prêmios, os atores Armie Hammer e, aos 21 anos, Timothy Chalamet encabeçam a fita que mostra um romance homossexual.

A comédia Corra! rendeu indicação para o ator Daniel Kaluuya, na indicação mais vistosa contra preconceito racial — no filme, ele é testado por uma família branca, como pretendente de romance inter-racial. No papel-título de Roman J. Israel, Esq., o ator Denzel Washington defende o papel de um advogado negro que garimpa ética nos bastidores do poder. Afrodescendentes, as coadjuvantes Octavia Spencer (vencedora do Oscar por Vidas cruzadas) — candidata ao Globo de Ouro, por A forma da água — é ladeada por Mary J. Blige, o brilho extra em Mudbound, filme que, no cenário do Mississippi, desvenda ajustes raciais após a passada a Segunda Guerra Mundial.

Dunkirk, apresentado em julho passado, condecora o prestígio de Christopher Nolan(foto: Reprodução/Internet)
Dunkirk, apresentado em julho passado, condecora o prestígio de Christopher Nolan (foto: Reprodução/Internet)


Gary Oldman, candidato a melhor ator (O destino de uma nação), dá o tom político à premiação, na pele de um Winston Churchill, às vésperas de possível acordo com nazistas. Com três indicações, Dunkirk (do prestigiado diretor Christopher Nolan) aborda desdobramentos da Segunda Guerra. Nove vezes ganhadora do Globo de Ouro, a atriz Meryl Streep está novamente indicada (com o parceiro de cena Tom Hanks), por The post — A guerra secreta do mestre Steven Spielberg. À la WikiLeaks, na trama, o vazamento de documentos sobre a Guerra do Vietnã empoderou a editora do The Washington Post, Katharine Graham. Ambientado no auge da Guerra Fria, A forma da água mostra a inesperada relação entre uma funcionária do governo americano e uma espécie de homem-peixe, criado no mais alto sigilo governamental.

Premiado pela melhor atriz em Cannes (Diane Kruger) o alemão Em pedaços, sobre a vingança de uma mulher, pela morte do marido e do filho num ataque de bomba, se projetou na vaga de melhor filme estrangeiro, representando a Alemanha. Talentos e temas latinos — vide Guillermo del Toro, o chileno Sebastián Lelio (de A mulher fantástica, candidato a filme estrangeiro) e a animação Viva: a vida é uma festa! (de inspiração claramente mexicana, no tom musical) — dão um colorido interessante para a disputa. No quarto longa, depois de dirigir À beira-mar, Invencível e Na terra de amor e ódio, com First they killed my father, a cineasta (e atriz) Angelina Jolie lidera uma produção cambojana em torno da influência comunista do Khmer Rouge, prolífico em promover atrocidades.

Das quadras

Em tom de graça, os atores Steve Carrel e Emma Stone (ambos indicados a melhores intérpretes) estão em A guerra dos sexos, baseado na vida real, e que põe em campo adversários tenistas, numa disputa pela igualdade de gêneros. Candidato nas categorias de roteiro e atriz (Jessica Chastain), A grande jogada — também baseado na realidade — mostra como uma ex-esquiadora de reconhecimento global passa à condição de tema do FBI, ao montar animadas rodadas de pôquer. Mais rara é a trama de Eu, Tonya, em que Margot Robbie (de O lobo de Wall Street e A lenda de Tarzan) representa parte do percurso da ex-patinadora Tonya Harding que, em 1994, viu o ex-marido intervir, num complô, na disputa dela, travada contra a rival Nancy Kerigan.

A forte presença feminina se estabelece ainda numa das grandes apostas para as futuras permiações: o longa Lady bird — A hora de voar (selecionado para quatro categorias), conduzido pela cineasta Greta Gerwig. Autora do roteiro, candidato à premiação, Gerwig mostra a jovem Christine (Saoirse Ronan) repleta de conflitos familiares, enquanto perfaz o possível caminho rumo à fama artística. Famílias em pé de guerra ou destroçadas por causa de crimes também foram destacadas nos longas Três anúncios para um crime e All the money in the world. O primeiro, em tom sombrio mas cômico (criado por Martin McDonagh, de Sete psicopatas e um shih tzu), teve seis indicações para prêmios (incluindo as dos atores Frances McDormand e Sam Rockwell), ao falar da briga entre a mãe de uma moça assassinada e a polícia vista como incompetente.

Já o octogenário diretor Ridley Scott (indicado, bem como os atores Michelle Williams e Christopher Plummer), com All the money in the world, trata do sequestro, nos anos de 1970, do neto do bilionário John Paul Getty. Fechando o círculo de atores com ampla possibilidade de prêmios desponta Daniel Day-Lewis, que, em Trama fantasma, prometeu aposentadoria, depois da segunda parceria com Paul Thomas Anderson (uma década depois de Sangue negro). No filme, com enormes elogios, ele dá vida a um estilista que tem como musa a jovem Alma (Vicky Krieps).

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