Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Vanderlei Costa lança amanhã seu primeiro livro, Subsolo amarelo

A proposta conceitual une poemas, fotografia e casos inspirados na vizinhança do poeta

O primeiro livro do poeta e performer Vanderlei Costa, Subsolo amarelo, será publicado pela editora Semin e chega com uma proposta conceitual e mistura de linguagens artísticas. Os poemas se unem à fotografia e criam um mosaico dividido em 12 temas. A ideia é que os assuntos se lancem entre as páginas em uma espécie de espiral, até que cheguem ao subsolo retratado no título da obra. A inspiração para cada página veio do cotidiano do performer, de sua percepção da sociedade e de observações que ele fez de seus 12 vizinhos, em 2012.

O subsolo amarelo é a última parte do livro, cujo índice é a portaria de um edifício. Os assuntos se entrelaçam até chegar ao ponto final, quando os poemas se transformam em pequenas crônicas da vizinhança e retratam as perversões, tragédias e características diversas de cada morador de um subsolo habitado por Vanderlei, na Asa Norte, em tempos passados. ;Nos outros compartimentos do livro, abordo sexo de uma forma mais crua, quase pornográfica, não me interessa o romantismo;, destaca o poeta.
[SAIBAMAIS]

Vanderlei escreve sobre Brasília e suas contradições. A poesia ganha espaço na cidade modernista e o poeta quer utilizar as páginas para combater através da arte e das ideias que pautam seu tempo. ;Depois de 2013, o Brasil ficou mais tenso e muitas dessas aflições entraram naturalmente no livro, senti uma urgência em abordar certos assuntos. É uma escrita feita a partir da forma que os modernistas fizeram, pautado pelas ideias, pelo falar poético e performático, meu artesanato de palavras;, lembra Vanderlei.

Na obra, misturam-se textos sobre política, infância, cerrado, além da banalidade da morte, os novos ativismos e seu próprio eu lírico. ;São temas combativos, poemas visuais;. Muitos de seus poemas são escritos para acompanhar o tempo e o dinamismo das performances que realiza pelas ruas da cidade. Figura conhecida entre as ruas de Brasília, Vanderlei Costa pensa na escrita para o espaço de apresentação. ;Meus poemas são criados a partir do espanto que me ocorre com os fatos, coisas banais ou não. Meu tempo escolhe os temas sobre os quais escrevo;, afirma o poeta.

Para o autor, seu passado e influência transitam entre as frases e os diálogos são diversos. O erotismo, espaço de criação bem quisto pelo autor, aparece de maneira crua, carnal. Vanderlei busca que o espectador e o leitor não saiam indiferentes diante de seu posicionamento, que não deixa de ser um ato de contestação. O corpo pulsa e, enquanto isso, cenas e poemas ganham expressividade e vivência.


Subsolo Amarelo
Editora Semin, 132 páginas. Preço: R$ 35. Lançamento do livro Subsolo amarelo, de Vanderlei Costa, no Cine Brasília, domingo às 18h.