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Correio Braziliense

A televisão nacional ganha uma biografia com 928 páginas

A publicação repleta de fotos e histórias saborosas mostra a importância do veículo no país


postado em 02/01/2018 07:30

Lima Duarte e Márcia Real em TV de vanguarda(foto: Reprodução)
Lima Duarte e Márcia Real em TV de vanguarda (foto: Reprodução)

 
No verbete do dicionárioHouaiss, biografia é “o relato da vida de alguém” ou a obra que conta esse relato. Do título do livro Biografia da televisão brasileira, lançado pelos jornalistas Flavio Ricco e José Armando Vannucci, podemos tirar a importância e a representatividade do veículo para a cultura e para a história do Brasil.

“A televisão é a pessoa mais presente na vida dos brasileiros, é uma companhia. Damos ‘boa- noite’ aos apresentadores do Jornal Nacional, discutimos com os personagens das novelas. Há uma intimidade com o que está sendo visto ali”, diz Vannucci.
 

Ricco completa: “A tevê acabou ganhando importância de poucos segmentos. É a única opção gratuita de diversão de muita gente. E tem muita diversidade”.

Incentivados pelo apresentador Fausto Silva, do Domingão do Faustão, Vannucci e Ricco escreveram não apenas um, mas dois volumes que somam 928 páginas e 54 capítulos que vão do início da televisão brasileira, na década de 1950, aos dias de hoje. Organizado por temas como as garotas-propagandas, os musicais, os incêndios, a TV Manchete e a novela Irmãos Coragem, Biografia da televisão brasileira tem uma linguagem simples, várias fotos de encher os olhos e entrevistas com personalidades que vão de Lima Duarte a Ney Gonçalves Dias.

“Não havia um livro dedicado a contar a história da tevê brasileira desde o início. Os registros eram muito pobres ou se centravam num único período. A ideia é que o livro passe a ser uma importante fonte de pesquisa”, conta Ricco. “A televisão brasileira saiu do nada no Brasil e hoje é a terceira maior do mundo, a maior e melhor da América Latina”, completa.
 
Cassiano Gabus Mendes e Lia de Aguiar no TV de vanguarda
Cassiano Gabus Mendes e Lia de Aguiar no TV de vanguarda
 

Além da história, estão nas páginas de Biografia da televisão brasileira curiosidades saborosíssimas para qualquer fã da telinha. Um delicioso diálogo entre Dercy Gonçalves e Silvio Santos quando ela foi assinar um contrato com o SBT é revelado por Ricco e Vannucci. A atriz notou que o contrato não tinha data de término e questionou o empresário, que respondeu que o documento se estenderia “até a morte”. Com a língua afiada que a imortalizou, Dercy disparou: “A minha ou a sua”?

Em outra passagem do livro, os autores lembram de um acidente com a atriz e apresentadora Márcia Real, que comandava o TV de vanguarda, na TV Tupi. A cena previa que a personagem morresse afogada e foi gravada numa banheira. Mesmo depois do “corta!”, a atriz não saía da água. Quando foram ajudá-la, Márcia havia fraturado a bacia durante as gravações e saiu dali direto para o hospital.


Crise, que crise?
A leitura de Biografia da televisão brasileira vai levar o leitor a mais do que se informar sobre o maior veículo de comunicação de massa do país. Pode-se refletir sobre o passado, o presente, o futuro e os desafios da tevê.

“A tevê não está em crise. Pelo contrário: ela está melhorando. O jornalismo é um exemplo: hoje já se consegue concorrer em rapidez com o rádio e até com a internet, com o auxílio de câmeras de celular que transmitem com qualidade e de onde a notícia estiver. A experimentação da dramaturgia vem crescendo e isso é reconhecido internacionalmente em premiações como o Emmy”, defende Ricco.

Para Vanucci, a televisão brasileira está “melhor em todos os sentidos, da tecnologia à criatividade”, e a prova disso é “que nunca se falou tanto de tevê como hoje em dia”. O jornalista lembra que já começamos bem, com a ida de estrelas do rádio, como Ary Barroso, Dorival Caymmi e Inezita Barroso para a telinha. Na década de 1980, tivemos alguns percalços: “Não estávamos acostumados a ter liberdade e demoramos a saber o que fazer com ela. Então, falava-se e fazia-se de tudo na tevê, inclusive passando de alguns limites. Hoje, nos recuperamos: está tudo melhor. Os recursos, os textos...”

Quanto ao que está por vir, muito se fala de a televisão ser derrubada pelo streaming ou pelas redes sociais. Tanto Vannucci como Ricco rechaçam essas teorias e têm certeza de que o período pode ser de adaptação e modificação, mas não de fim. Para eles, há exemplos como o MasterChef, noticiários ou a novela A força do querer que mostram que as redes sociais e a televisão são mais aliadas do que concorrentes.

“As emissoras de TV aberta estavam com medo do streaming. Mas perceberam que isso não diminuiu a audiência. Quando uma novidade como essa aparece, a audiência vai e volta. Isso aconteceu com o rádio e já começou a ser observado na tevê”, afirma Vannucci.

“No início, o streaming poderia atrapalhar, competir. Mas as emissoras já estão começando a se adaptar, com ferramentas como a Globo Play. Com relação aos filmes, não há muito o que fazer. Eles chegam à tevê aberta depois de muito tempo de terem estreado nos cinemas, quase que em quinta exibição. Mas isso sempre foi assim e nunca foi exatamente um problema. A popularidade da tevê aberta também está sendo aproveitada pelo streamig. A Netflix, por exemplo, buscou parcerias com a Record e com o SBT, que exibiu um especial de Stranger things”, complementa Ricco.

À beira dos 70 anos, a televisão brasileira está longe de apresentar sinais de cansaço. É o que se pode perceber em Biografia da televisão brasileira. Pelo contrário, renovação, crescimento e reinvenção são palavras que poderiam fazer parte de um terceiro volume da obra de Ricco e Vannucci.




Biografia da televisão brasileira
De Flavio Ricco e José Armando Vannucci. Ed. Matrix, 928 páginas (2 volumes). Preço sugerido: R$ 99,90.

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