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Correio Braziliense

Vanessa da Mata adota processo de experimentação em seu novo show

Em entrevista ao Correio, a cantora conta sobre parcerias e o método usado no show Caixinha de Música


postado em 03/01/2018 07:30 / atualizado em 03/01/2018 14:32

Vanessa da Mata: é preciso aprender a lidar com a dor do outro(foto: Objetiva Comunicação/Divulgação)
Vanessa da Mata: é preciso aprender a lidar com a dor do outro (foto: Objetiva Comunicação/Divulgação)
 

Uma cantora que se define como “polirrítmica”. Além de voz excepcional, coragem e ousadia sempre foram as bandeiras de Vanessa da Mata. A cantora, que saiu da cidade de Alto Garças, no Mato Grosso do Sul, para Uberlândia e, em seguida, para São Paulo, antes mesmo de completar a maioridade, entende que conhecer o mundo é fundamental para saber lidar com a dor do outro. Em entrevista ao Correio, a cantora analisa a música contemporânea e afirma que estamos em um momento de reflexão na cultura brasileira. Vanessa decidiu estender os instrumentais entre as letras de suas músicas no trabalho recém-lançado, Caixinha de música, como forma de prender a atenção do espectador, que anda “muito disperso nessa sociedade moderna”. Vanessa ainda contou das parcerias com BaianaSystem, Emicida e o projeto político e pedagógico dentro de sua Caixinha de música, que já passou por cidades do Nordeste, dos Estados Unidos e por Brasília no início de dezembro.

 

 

 

Entrevista // Vanessa da Mata


Por onde a turnê do Caixinha de música vai passar?
O DVD Caixinha de música foi lançado em setembro. Nós começamos a turnê pelos Estados Unidos, visitamos cidades do Nordeste, do Sul e agora estamos no Centro-Oeste. O próximo passo da turnê é continuar com a agenda até quando bater a validade do projeto. Geralmente, eu toco um projeto por dois anos, o que não me impede de lançar uma coisa ou outra no mercado.

E as parcerias durante a sua carreira são escolhidas de que maneira?
Essas parcerias polirrítmicas agregam muito e têm a ver com uma nova fase da minha vida e carreira. Sempre foi um estilo meu trabalhar com colaborações diversificadas. Meu trabalho sempre foi polirrítmico. Não é uma coisa rígida ou truncada. Eu sempre tive essa necessidade de variação. Fiz parcerias com BaianaSystem, Mauricio Pacheco, Emicida. Isso me fortalece e me dá o prazer de trazer novidades e motivações para quem está ouvindo. Acredito que essas misturas nos fazem crescer. O trabalho em Caixinha de música é muito verdadeiro, nos preocupamos com algumas nuances e texturas eletrônicas e trouxemos isso com o diretor do projeto, Maurício Pacheco. É um trabalho muito diferente dos outros.

Em que sentido?
É mais moderno e mais atual, e temos uns momentos de reflexão também. É realmente como uma caixinha de música: nós abrimos e encontramos muitas surpresas, fazemos um passeio.  Ao mesmo tempo tem a ritualização, que é uma coisa que as pessoas às vezes não têm uma noção na música, mas está no nosso DNA. Essa pegada mais percussiva com as batidas eletrônicas é muito por conta da ritualização brasileira.

E qual é a intenção desse trabalho tão diferente dos outros?
Nós trouxemos introduções maiores antes da letra em si. Essa extensão da introdução é intencional, as terminações são grandes para as pessoas dançarem, entrarem em contato consigo. Esse exercício de alongamento dos sons se fazia muito nos anos 1980 e 1990. Hoje, com todo o imediatismo, as pessoas têm a necessidade de rapidez, a gente estende os ritmos como um exercício. Essa experimentação que oferecemos no show tem vantagens, mas com essa coisa da internet, muita gente não entende. As pessoas não conseguem absorver mais do mesmo jeito, elas querem saber de tudo, mas não profundamente, porque não é possível saber de tudo profundamente.

A música que é feita hoje no Brasil traz uma mensagem de esperança como as músicas de protesto de antigamente?
Eu acho que o momento que nós vivemos é muito positivo, porque, desde criança, eu nunca tinha visto um coronel ser preso, e hoje eu vejo um monte. O próximo passo é a esperança, mas estamos em outro nível. Hoje, quando ouvimos uma música de protesto vindo de lugares de fala que não eram ouvidos e hoje são, podemos perceber uma forma de a sociedade ter que lidar com a dor alheia. Eu sei porque eu vim de um lugar onde eu lidava com a minha e a das pessoas. Eu sei, eu fui pra São Paulo sozinha com 14 anos. Saí do interior para morar com pessoas que tinham vidas extremamente diferentes e difíceis.

* Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco

 

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