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Correio Braziliense

Bloco de carnaval quer trazer músicos cubanos para Brasília

O bloquinho arrecada fundos para trazer músicos para a folia da cidade em 2018


postado em 07/01/2018 07:30 / atualizado em 08/02/2018 18:37

A banda se constituiu em Brasília há cerca de sete anos e formou um bloco de carnaval no último ano (foto: RenataSamarco/Divulgação)
A banda se constituiu em Brasília há cerca de sete anos e formou um bloco de carnaval no último ano (foto: RenataSamarco/Divulgação)

 
Um bloco que une ritmos latinos e marchinhas à solidariedade e alegria brasileiras passeia pelas ruas de Brasília no carnaval de 2018. A banda Sabor de Cuba desembarcou no Brasil por volta de 2010 para morar e buscar melhores condições de vida em Brasília. Durante este verão, o grupo se aliou a uma caravana de todo o Brasil concentrada em Brasília para trazer tanto músicos cubanos sem condições financeiras de viajar quanto ex-integrantes da banda que precisaram retornar para seus países devido à crise financeira que atingiu o Brasil nos últimos anos.

Durante as apresentações da banda Sabor de Cuba, o grupo oferece almoços e vende artigos como camisetas com o nome do bloco que criaram: Bora pra cuba. A intenção de arrecadar este dinheiro é receber no Brasil o cantor cubano Felix Valoy, pai de um dos integrantes do grupo, além de outros músicos cubanos.
 

A banda

A banda Sabor de Cuba foi formada por três cubanos vindos de Havana há cerca de sete anos: Félix Valoy Jr., Gummercindo Reyes e Hector Hernandez tinham o desejo de integrar a música brasileira com a de outros países latinos e, desde então, movimentam o cenário musical brasiliense. Posteriormente, se uniram um grupo de três colombianos e o brasileiro Westonny Rodrigues. A banda toca gêneros como rumba, salsa e cumbia, além de reggae jamaicano.

Juliana de Andrade, uma das brasileiras da banda, além de trompetista e produtora, conta que o resultado de congregar cubanos, brasileiros e colombianos não poderia ser melhor: “A musicalidade cubana é muito forte, a cultura deles é parecida com a nossa e lá também tem carnaval. Essa mistura nos mostra que brasileiros também são latinos e a banda criou uma rede de solidariedade”, conta Juliana.

Em Brasília, o grupo costuma se apresentar o Baile das Cubanas no Clube dos Previdenciários e na Universidade de Brasília. Também já tocaram no Clube do Choro e no Feitiço Mineiro, além de festas de aniversário e confraternizações na cidade. A média de shows é de cerca de 3 shows por semana.

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 Durante uma apresentação de pré-réveillon no espaço cultural e gastronômico Otramanera Cocina Latina (413 Sul), a banda recebeu a notícia de que o espaço patrocinaria a vinda de um dos integrantes da banda para o Brasil. O pai de Félix Valoy desembarca no Brasil em 27 de janeiro e a banda comemora “Nós ficamos muito felizes com a notícia de que o pai do Félix poderia vir comemorar esse momento conosco”, conta Juliana de Andrade, trompetista e produtora da banda desde 2017.

A produção da banda vai gravar um minidocumentário sobre a vinda dos cubanos para o Brasil durante o carnaval e sobre o bloco que será disponibilizado no Youtube ainda em 2018.

A parceria com o Otramanera se estenderá neste ano para cineclubes e eventos instalados no espaço que será criado por estrangeiros em Brasília a fim de apresentar mais do cinema e da música de países vizinhos aos brasileiros.

O bloco

O bloco de carnaval Bora pra Cuba foi fundado pela banda no carnaval de 2017 como uma forma de protesto ao jargão utilizado pela direita caso alguém manifeste pensamentos da esquerda: “Se você é um pouco mais pra esquerda, já ouve por aí: ‘Vai pra Cuba!’ e nós resolvemos brincar com isso e fazer uma festa”, declara Juliana. O bloco ganhou repercussão nacional por meio das redes sociais e pessoas de outros estados brasileiros entram em contato para pedir a camiseta do bloco com a intenção de colaborar com a ação solidária de trazer os músicos para o carnaval.

O Bora pra Cuba sai no dia 8 de fevereiro, na Praça dos Prazeres (201 Norte) pela segunda vez neste carnaval. A primeira edição atraiu mais de 5 mil pessoas e incluiu grupos de dança ao bloco. Neste ano, a equipe da companhia de dança Coração Salsero se uniu ao bloco para apresentar manifestações típicas caribenhas durante a passagem da multidão. O grupo Coração Falseiro é comandado pelo brasiliense Pedro Mariano ao lado de outros professores de dança latino-americana. A companhia de dança fica localizada na Universidade de Brasília e oferece aulas de dança durante todo o ano, inclusive aulões intensivos de dança nas férias.

E as parcerias não param por aí. Além do grupo de dança, o bloco Calango Careta firmou parceria com o Bora pra Cuba para formar um bloco de fanfarras cubanas no carnaval deste ano. A data e local ainda não foram divulgados, mas a parceria é resultado da repercussão positiva que o grupo de cubanos suscitou na cultura brasiliense.

O Bloco de Carnaval se chama Bora pra Cuba, como um protesto aos ditos conservadores de “Vai para Cuba” caso alguém manifeste pensamentos ou ideologias da esquerda. “Muitas pessoas de outros estados sabem da nossa proposta e querem comprar através de uma caravana para ir para Cuba em janeiro no facebook e, nessa caravana, tem gente no Brasil todo que divulga e adota a ideia de unir a cultura latina com a solidariedade de trazer de volta para Brasília os amigos e músicos latinos.

O grupo continua arrecadando fundos para trazer mais cultura latino-americana para Brasília. No dia 27 de janeiro, haverá feijoada no espaço cultural Otramanera Cocina Latina (413 Norte) por R$ 30, além de venda de camisetas a R$ 50. A intenção é integrar não só a cultura, mas a solidariedade e alegria brasileiras.

* Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco
 
 

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