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Correio Braziliense

Dia do compositor: artistas de Brasília falam sobre a profissão

Compositores da cena brasiliense contam sobre as dificuldades para registrar e controlar sua obra


postado em 15/01/2018 09:13 / atualizado em 15/01/2018 15:41

Carlinhos Veiga, na estrada desde a década de 1980, já lançou nove álbuns e um DVD(foto: Cristiano Carvalho/Divulgação)
Carlinhos Veiga, na estrada desde a década de 1980, já lançou nove álbuns e um DVD (foto: Cristiano Carvalho/Divulgação)

 

O compositor é um misterioso trabalhador de emoções e de sentimentos, ele se envolve com as ideias em estado de poesia, que o domina por dentro e o faz escrever. É assim que o músico brasiliense Aloísio Brandão define a profissão, um dom, que é comemorado hoje em todos países.

 

A inspiração surge das mais variadas fontes, de um livro, de um filme, de uma outra canção, de uma conversa. “A música mais recente que lancei, um single do ano passado, intitulado Como amam os adultos, surgiu da conversa com um amigo. Cheguei a usar frases inteiras na canção”, conta o compositor Humberto Rezende.

 

Renato Russo e Cássia Eller são referências permanentes. Rubens Negrão e Márcia Tauil são nomes da nova geração, que, aliados à “velha guarda” de compositores candangos como Aloísio Brandão, Carlinhos Veiga e Climério, continuam a produzir canções de qualidade.

Direitos autorais

Entretanto, o trabalho de muitos compositores letristas brasileiros não é devidamente reconhecido e valorizado. Problemas com registros de canções e direitos autorais são os pontos negativos da profissão. Muitas vezes as músicas compostas por um compositor e interpretadas por outras pessoas não recebem o crédito pela autoria.

 

“Falta mais respeito ao compositor. Veja: se você entra no Google e busca a letra de uma música, o que se vê, quase sempre, é o nome do intérprete, deixando o compositor anônimo. Enxergo isso como uma grande falta de respeito ao nosso trabalho”, contesta o cantor e compositor Aloísio Brandão.

 

Os métodos brasileiros para coibir essa prática seguem os padrões do ISRC (Código Internacional de Normatização de Gravações), que identifica os autores das composições, em todo o mundo. O registro no Brasil é feito pela Biblioteca Nacional, seguindo a lei 4.533, de 2002, que torna obrigatória a identificação do autor da música. 

 

 

 

Aloísio Brandão

Nascido em Santana dos Brejos, no sertão da Bahia, começou a tocar violão e a compor, aos 14 anos, quando ganhou dois festivais de música, em sua cidade. Do sertão, tirou elementos definidores para a sua poesia e sua música, que misturou com matizes da vanguarda urbana, depois que veio morar, em Brasília, em 1979. É o autor de músicas e letras densas, que dialogam com os temas simples. Em 2017, lançou o livro de contos Desacontecenças. 

 

Carlinhos Veiga

Carlinhos Veiga está na estrada desde a década de 1980. Cantor, compositor e multi-instrumentista, é conhecido por ter sido um dos fundadores da banda Expresso Luz, quando começou a compor. Como compositor ganhou prêmios como o BEG Natureza, de melhor canção, promovido pelo Banco do Estado de Goiás. Carlinhos tem nove álbuns e um DVD lançado. A canção Mata do tumbá é um de seus títulos de maior sucesso. 

 

Climério Ferreira

Piauiense de Angical, Climério Ferreira mora em Brasília desde 1962. Cantor, compositor, professor, letrista, tem grande influência no cenário cultural da cidade desde a década de 1960. Ficou conhecido nacionalmente por causa da música Revelação, um trabalho em parceria com irmãos Clodo, e Clésio, vindo a ser o primeiro sucesso radiofônico de Fagner. Suas canções foram gravadas por Dominguinhos, Tim Maia e Elba Ramalho. Climério tem onze livros de poesia publicados. 

 

Márcia Tauil

A cantora e compositora Márcia Tauil começou a compor em 2002, participando de festivais de música por todo o Brasil. Em 2007, Márcia tornou-se a primeira mulher a vencer, como compositora, um dos maiores festivais de música do Brasil, o Viola de Todos os Cantos, produzido por afiliadas da Rede Globo. Conquistou novamente o prêmio em 2009. Márcia Tauil tem projetos com cantores como Roberto Menescal,  Ana Reis e Emília Monteiro.

 

Rubens Negrão

Natural de Brasília, Rubens Negrão compõe desde pequeno. Sua primeira música registrada foi aos 16 anos e, de lá pra cá ,vive compondo. Formado em música pela UnB, Rubens é considerado da nova safra de compositores brasilienses, tendo ganhado alguns prêmios importantes em sua carreira como o de melhor intérprete e de melhor letra no Festival de Música da Nacional FM. Recentemente, lançou o primeiro álbum no Clube do Choro, A cor da vista. 

 


*Estagiários sob supervisão de Severino Francisco 

 

 

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