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Correio Braziliense

Denúncias sobre assédio sexual só aumentam em Hollywood

Vencedor do Globo de Ouro, Aziz Ansari é o mais recente astro a figurar na lista de acusados


postado em 16/01/2018 06:15

O ator Aziz Ansari é o mais novo nome da lista de acusados de assédio em Hollywood. A estrela da série Master of none foi acusada por uma mulher de 23 anos, cujo primeiro nome seria Grace, de ter forçado avanços sexuais durante um encontro. Em declaração, o ator admitiu ter se encontrado com a mulher após se conhecerem em uma festa e ter se envolvido em “atividade sexual que, por todas as indicações, eram completamente consensuais”. Segundo o ator, ele teria recebido uma mensagem da moça após o encontro dizendo que havia algo errado.
 
Aziz Ansari(foto: Netflix/Divulgacao)
Aziz Ansari (foto: Netflix/Divulgacao)
 
 
Os últimos dias foram marcados pelo tema do assédio que, desde outubro de 2017, tem pautado a indústria do entretenimento após denúncias iniciadas por atrizes contra o produtor Harvey Weinstein. No domingo, a atriz francesa Catherine Deneuve pediu desculpas às mulheres que possam ter se sentido agredidas por uma carta assinada por ela e mais 99 personalidades da cultura francesa. O texto foi publicado no jornal Le Monde na semana passada. Encabeçado pela escritora Catherine Millet, defende que as campanhas feministas desencadeadas pelas denúncias de assédio poderiam limitar a liberdade sexual. “Nós defendemos a liberdade de importunar, indispensável à liberdade sexual”, diz a carta.

Diante da repercussão negativa do texto — acusado por feministas de banalizar a violência sexual e de desprezar as mulheres —, Deneuve deu entrevista ao Le Monde para pedir desculpas a quem tenha se sentido ofendida. “Saúdo fraternalmente todas as vítimas de atos odiosos que tenham se sentido agredidas por essa carta publicada no Le Monde, é para elas e apenas para elas que apresento minhas desculpas”, disse a atriz, depois de condenar declarações públicas de algumas signatárias do texto. Deneuve sustentou, no entanto, que não aprova os linchamentos públicos de acusados de assédio.

O tema também marcou a literatura. No sábado, a escritora canadense Margaret Atwood, autora do romance O conto da aia, que deu origem à minissérie premiada no Globo de Ouro, escreveu artigo no qual condena os linchamentos públicos em casos de assédio. Publicado no jornal The Globe and Mail e intitulado Sou uma feminista ruim?, o texto questiona as condenações sem provas conduzidas na internet e acusa a justiça de ser deficitária e fracassada por não conseguir amparar as denúncias e suas vítimas.

“O momento #MeToo é um sintoma de um sistema legal quebrado. Com frequência demais, mulheres e outros queixosos de abuso sexual não conseguem ter uma escuta por meio das instituições — incluindo estruturas corporativas — e usam uma nova ferramenta: a internet. Estrelas caem do céu. Isso tem sido muito efetivo e tem sido uma chamada para acordarmos. E depois? O sistema legal pode ser consertado ou então nossa sociedade pode se passar dele. Instituições, corporações e locais de trabalho podem fazer uma limpeza ou podem esperar mais estrelas caindo, e também um monte de asteroides”, escreveu Atwood, que recebeu muitos ataques de feministas no Twitter por causa do artigo.

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