Publicidade

Correio Braziliense

Janis Joplin: Cantora faria 75 anos na sexta e segue influenciando gerações

Apesar da trágica morte, aos 27 anos, Janis Joplin deixou um legado que marcou o mundo da música e ecoa até em cantoras brasilienses


postado em 17/01/2018 07:00

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

Aos 17 anos, Janis Lyn Joplin fugiu de casa. Cansada do cotidiano de uma garota comum da classe média americana, ela, que completaria 75 anos na sexta (19), queria outra vida: ser uma cantora que expressasse a força do blues e do jazz que os pais conservadores a proibiam de ouvir. A fuga, em 1963, foi o ponto de partida para uma carreira marcada pelo sucesso, mas também pelo abuso de drogas e por uma trajetória de autodestruição que culminou com a morte precoce em 1970, aos 27 anos.

Em apenas sete anos de atividade, Janis imortalizou clássicos como Summertime, Mercedes Benz, Piece of my heart e Cry baby. Mais do que isso, tornou-se um símbolo do rock dos anos 1960. Além da voz inconfundível e avassaladora, Janis incorporava o espírito e a atitude do período no modo de agir, nas roupas e na própria vida.
 
 

Visceral. Essa é a palavra escolhida pela cantora Mariana Coelho para descrever Janis Joplin. Mariana faz parte da banda brasiliense Quinta Essência, reconhecida pelos tributos à americana. “O impacto da Janis é muito forte e é interessante perceber que isso vai além da música propriamente. A forma como ela se vestia, a presença de palco, a intensidade dela como cantora, o timbre de voz, a sua ousadia e outras tantas características que eu poderia citar me influenciaram e certamente continuarão influenciando quem curte o som dela”, comenta Mariana. Na sexta, o Quinta Essência toca Janis e outras divas no Toinha Rock Pub, em Samambaia.

Pioneira

A norte-americana se tornou também um símbolo da presença e da força feminina na música e, sobretudo, no rock and roll e no blues. “Janis escancarou, por assim dizer, as portas do cenário musical para que as mulheres pudessem participar ainda mais ativamente”, aponta Mariana. “E ela era feito um trovão! Era impossível uma mulher como ela passar despercebida. A sensação que tenho ao ouvi-la é que se entregava totalmente quando cantava e isso cativa muito!”, completa.
 
 

A também cantora brasiliense Adriah destaca a importância de Janis nesse aspecto. “Uma mulher que não levava desaforos para casa, era o que era, independentemente de qualquer consequência. Mostrou que essa força não pode ser negada ou retirada”, acredita.

Além do timbre e da voz, a autenticidade foi um dos fatores que fizeram com que Adriah gostasse de Janis Joplin e fosse influenciada por ela. “Admiro muito a verdade que ela tinha, era muito verdadeira, mesmo que isso fosse até nocivo de algum modo. É uma coragem que a gente até inveja.”

Janis Joplin no carnaval brasiliense

Janis no carnaval do Rio de Janeiro em 1970(foto: Acervo do Arquivo Nacional)
Janis no carnaval do Rio de Janeiro em 1970 (foto: Acervo do Arquivo Nacional)


Em 1970, meses antes de morrer, Janis fez, no Brasil, uma das últimas tentativas de se reabilitar. O país foi escolhido porque, à época, não havia heroína (droga de preferência da cantora) por aqui. Mas era carnaval, o Rio de Janeiro fervia e Janis se entregou à folia e à avenida.

Se não existia heroína, o Brasil tinha Fogo Paulista (uma cachaça) e Janis ficou fissurada na bebida. Longe da desejada reabilitação, no Rio a cantora fez topless na praia da Macumba (tomou dura da polícia por isso) e se misturou, quase como uma completa anônima, ao público na avenida.

Foi assim que o crítico e pesquisador musical Ricardo Cravo Albin conheceu a cantora americana. Era o fim do dia de uma segunda-feira de carnaval, o Rio estava em chamas e ele avistou, da cabine em que acompanhava a festa, uma mulher muito branca e exótica entre os foliões, vestida “como se usasse uma fantasia de trapos”. Achou até parecida com Janis, mas, claro, “era impossível que fosse, de fato, ela, assim sem imprensa, nem ninguém por perto”.

“Water, water”, gritou a mulher, lá de baixo, pedindo água. Cravo Albin a chamou para cima e constatou que, de fato, tratava-se da estrela americana. “Ela foi muito educada, me pareceu muito inteligente e quis saber de tudo que se passava por ali. Fiquei com uma boa impressão”, lembra.
 
 

Entre uma cerveja e outra, Janis acabou cansada e pediu para dormir em um canto da cabine. E assim o fez. Já eram quase 11h da terça quando a cantora acordou, pediu para fazer umas ligações e chamou alguns amigos para buscá-la. “Ela me agradeceu muito, com quatro beijos na bochecha. E disse: ‘Você me salvou’, antes de ir embora”, recorda.

Musicalmente conservador na época, o pesquisador conta que não gostava de rock, mas, ao chegar em casa, quis ouvir melhor a cantora e botou um vinil para tocar. “Era uma voz lancinante. Fiquei impressionado, porque ela tinha tudo que eu gostava das cantoras do jazz, uma voz absolutamente dramática, uma interpretação muito forte.”

Cravo Albin não chegou a ouvi-la cantando ao vivo. Meses depois, em outubro de 1970, ela foi  encontrada morta, aos 27 anos, em um hotel em Hollywood.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade