Publicidade

Correio Braziliense

O tenor Breno Bortot e o pianista Rafael Ribeiro se apresentam em recital

Repertórios clássicos do canto lírico aparecem no repertório dos artistas


postado em 27/01/2018 07:32 / atualizado em 26/01/2018 17:56

O tenor Breno Bortot e o pianista Rafael Ribeiro se apresentam hoje na Nova Acrópole(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
O tenor Breno Bortot e o pianista Rafael Ribeiro se apresentam hoje na Nova Acrópole (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

 
Foi por acaso que Breno Bortot aterrissou no canto lírico. Em 2011, um amigo o aconselhou a fazer um teste para o coro do festival de ópera. No repertório, estavam Il Pagliacci, de Rossini, e Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni. O então estudante de violão clássico da Universidade de Brasília (UnB) passou no teste e subiu em cena como uma das vozes dos coros. Em Il Pagliacci, fez até um solo. A partir dali, fisgado pelo canto, Bortot decidiu se dividir entre a ópera e o violão. Hoje, ele sobe ao palco da Nova Acrópole ao lado do pianista Rafael Ribeiro para cantar um repertório clássico lapidado ao longo dos últimos seis anos.

Para começar, a dupla vai apresentar uma seleção de árias italianas escritas originalmente para voz e piano e assinadas por compositores como Vicenzo Bellini, Franz Liszt e Giuseppe Verdi. São peças criadas originalmente para a formação do cantor e pianista, ao contrário da segunda parte do repertório, dedicada a árias de ópera transcritas para o piano.
 
 
Bortot e Ribeiro providenciaram, também, a projeção das legendas em português do texto das músicas. “Assim, as pessoas podem acompanhar a poética e isso faz uma grande diferença, permite entender como o compositor fez a harmonia, a linha melódica e os afetos dentro da música”, avisa Bortot.

Do repertório operístico, ele canta duas árias de Cosi fan tutte, de Mozart, trechos de L’occasione fa il ladro e Il signor Bruschino, ambas de Gioachino Rossini, além de Elixir do amor (Donizetti), La Traviata (Verdi) e La Bohème (Puccini). “Independentemente do conhecimento musical, o público vai ter o seu deleite. Vamos fazer árias bem conhecidas”, avisa o tenor.

Técnicas vocais

Depois de se formar em violão, em 2013, Bortot saiu em busca de oportunidades no canto. Participou de coros em dois outros festivais de ópera de Brasília, trabalhou na Argentina e, ao retornar ao Brasil, decidiu que era hora de estudar com mais seriedade. Procurou um professor particular na Itália e fez teste para alguns conservatórios. Passou no prestigiado Conservatório Santa Cecília, de Roma, onde embarcou em uma formação de dois anos. Durante um ano e meio, ele se concentrou no estudo de uma técnica conhecida como “voce in maschera”. “Aquela que todo mundo diz que faz, mas não faz”, brinca o tenor. A técnica consiste em considerar o rosto como a caixa de ressonância do instrumento, no caso, a voz. “Isso traz mais harmonia, volume e projeção para a voz. O cantor utiliza isso, e não a garganta, então, a voz fica mais clara, se entende o texto”, explica.

Na Europa, Bortot cantou em óperas como L’occasione fa il ladro (Rossini) e Cosi fan tutte (Mozart), em apresentações do conservatório e ao lado de um grupo brasileiro de cantores líricos, na Bélgica. Este ano, tem programada uma série de concertos de gala pelo interior da Holanda. Depois de uma estadia no Brasil, onde se apresentou em Pato Branco (Paraná), além de Brasília, ele segue de volta para a Itália, para continuar os estudos e investir na carreira.

Bortot, 27 anos, conta que o mercado é difícil para o canto lírico na Europa. “A concorrência muito grande faz você ter trabalho de alto nível técnico valendo muito pouco”, diz. “No Brasil, se tem talento, você consegue o seu espaço.” Versatilidade pode ajudar. O pianista Rafael Ribeiro, que acompanha o tenor no recital de hoje, também enveredou pelo canto lírico como maneira de ampliar as possibilidades de trabalho. Além de cantar em coros dos festivais de ópera de Brasília, ele acompanha os ensaios de cantores e se aventura, eventualmente, na regência. O piano não costuma ser usado nas apresentações operísticas, mas é indispensável quando se trata de trabalhar a voz. “É um instrumento muito versátil”, avisa Ribeiro. “O pianista consegue fazer uma orquestra inteira. Os cantores fazem o solo e o pianista faz o resto.” Quando a orquestra entra em cena, ele explica, mudam as cores dos sons, mas a voz pode interagir com todos os timbres graças ao treino junto ao piano.



Recital de Canto Lírico
Com Breno Bortot (tenor) e Rafael Ribeiro (piano). Hoje, às 20h, na Nova Acrópole (SHIN, CA 9). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia)
 
 
 
 
 






Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade