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Correio Braziliense

Feira cultural da Ceilândia chega à 3ª edição na Praça do Trabalhador

O projeto reúne múltiplas linguagens artísticas nos palcos e ruas da cidade


postado em 03/02/2018 07:30

O grupo Caco de Cuia enriquece a trilha sonora da programação(foto: Rúbia Verônica Marcelo/Divulgação)
O grupo Caco de Cuia enriquece a trilha sonora da programação (foto: Rúbia Verônica Marcelo/Divulgação)

 
A vocação cultural de Ceilândia ganha protagonismo com a 3ª edição da feira cultural da região. O evento reúne diferentes linguagens artísticas, e os próximos eventos são na Praça do trabalhador e na Casa do Cantador. A diversidade artística é valorizada em espaços abertos, com a mistura de representantes da poesia, repente, hip-hop e teatro de bonecos. A ideia é dar destaque aos artistas da cidade e oferecer uma programação gratuita de qualidade ao público.

O projeto nasceu do encontro da produtora Artecei com artistas de Ceilândia. A Feira promove o encontro de dezenas de criadores locais, que apresentam seu trabalho para a comunidade e têm a oportunidade de conhecer ainda mais artistas da região. A cantora Neci Araújo, do grupo Fuzuê Candango, participa do projeto desde a primeira edição e marca presença nas apresentações de 2018. Para ela, a produção cultural da cidade é riquíssima e tem capacidade para render projetos fixos em vertentes diversas.
 

“Minha carreira começou em Ceilândia na década de 1980. Faço muitos shows em outras cidades, mas sempre volto, minha relação com Ceilândia é de muito amor, carinho e respeito”, destaca Neci. A Feira propõe o reconhecimento da periferia e abre espaço à criatividade e ao talento de seus expoentes. 
 
 O ritmo do grupo Paraibola completa a mistura criativa(foto: Joelma Bomfim/Divulgação)
O ritmo do grupo Paraibola completa a mistura criativa (foto: Joelma Bomfim/Divulgação)
 

O músico Marcelo Café, um dos idealizadores do projeto, também participa dos shows desde a primeira edição, em 2012. “Meu trabalho dialoga com a cidade de Ceilândia e com o DF, observando questões sociais de negros e negras, das questões de trabalho e diferenças sociais”, lembra o músico.

Multiplicidade de ritmos  

A efervescência cultural da cidade se expande desde o rap até o cinema. Nomes como o do cineasta Adirley Queiroz foram responsáveis por fazer as produções da cidade chegarem aos olhares de todos os cantos do país. Além dele, destaca-se o ritmo forte de uma cidade que deu ao Brasil Câmbio Negro, Viela17 e Ellen Oléria. 

Projetos como esses são essenciais para o DF. Ceilândia é um berço de cultura, onde residem múltiplos talentos. Marcelo Café lembra que, apesar da intensa produção, a cidade ainda não tem um centro cultural. “Uma cidade com tamanha importância cultural precisa desse espaço. Enquanto isso, essas feiras fomentam a economia criativa e abrem novas possibilidades”.
 
 Música e cultura popular ocupam a Praça do Trabalhador(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 27/12/17)
Música e cultura popular ocupam a Praça do Trabalhador (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 27/12/17)
 

Rene Bonfim, do grupo de forró Paraibola, destaca que o arsenal artístico da cidade é extremamente rico e carrega influências da cultura nordestina. “Se você andar pelas ruas, praças, feiras, sempre encontra um embolador de coco, um poeta, um sanfoneiro, um violeiro, um andarilho, mesmo agoniado, está sempre sorrindo, assoviando ou fazendo uma loa, essa cultura é que encanta”, conta o músico. Rene lembra que suas canções se relacionam muito com Ceilândia e que, através delas, expressa a realidade cultural da cidade que o tem acolhido.

 
Rosângela Dantas, produtora da Feira, enfatiza que a comunidade de Ceilândia se expressa por meio de suas raízes culturais, que têm uma forte tendência nordestina. “A maioria dos seus moradores são tradicionalmente migrantes e trazem uma bagagem nas tradições das festas tradicionais de suas origens, nada mais justo do que resgatar essa tendência presente na rotina que se faz presente em cada um”, afirma a produtora. Ela destaca que o principal objetivo do projeto é reunir os artistas mais consagrados e criar oportunidades aos novos talentos, gerando atividades e formando públicos.

Projetos como a Feira Cultural ajudam a fomentar a cultura de Ceilândia, trazendo um impacto positivo dentro da comunidade. O evento visa à valorização do artista local, da culinária, do artesanato, do samba, do forró, o repente, o hip-hop e todas as expressões culturais que a cidade abriga. Como lembram seus próprios moradores, Ceilândia respira arte.



Feira cultural da Ceilândia
Na Praça do Trabalhador (QNM 13 Área Especial, Módulo B), hoje, a partir das 14h e na Praça do Cantador, dia 18/2. Confira a programação completa no site do Correio.



Programação:

03/02/2018 - Feira Cultural de Ceilândia na Praça do Trabalhador

14h00 – Capoeira Sol Nascente

14h30 – Poesia com Rêgo Junior

15h00 – Teatro com Marília Abreu (Palhaça Filomena)

16h00 – Grupo de Teatro de Mamulengos Mamulengo Fuzuê

17h00 – Dupla de Repentista Chico de Assis e João Santana

18h00 – Grupo de Forró ‘Caco de Cuia’

19h00 – Poeta Lilia Diniz

20h00 – Grupo de Música Regional Fuzuê Candango

21h00 – Grupo de Forró Paraibola

22h00 – Grupo de Samba  Marcelo Café


 

18/02/2018 - Feira Cultural de Ceilândia na Casa do Cantador

14h00 – Grupo Batalha do Cantador

14h30 – Bilia & Luizinho

15h00 – Humberto Fernandes

15h30 – Gilson Alencar

16h00 – Grupo de Teatro de Mamulengos Mamulengo Fuzuê.

17h00 – Dupla de Repentista Chico de Assis e João Santana.

18h00 – Grupo de Forró Caco de Cuia

19h00 – Grupo de Música Regional Fuzuê Candango

20h00 – Poesia Lília Diniz

21h00 – Grupo de Forró Paraibola

22h00 – Grupo de Samba Marcelo Café

23h00 – Banda de Rock Elffus
 
 
 
 


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