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Correio Braziliense

Rainha do Cordão da Bola Preta, Maria Rita lança álbum 'Amor e música'

Em entrevista, a cantora fala sobre o álbum e o carnaval. Em Brasília, a artista se apresenta em 12 de maio


postado em 10/02/2018 10:26 / atualizado em 10/02/2018 10:34

Maria Rita(foto: Luciana Bastos/Divulgação)
Maria Rita (foto: Luciana Bastos/Divulgação)
São Paulo – Uma grande expectativa se formou quando, há 15 anos, Maria Rita deu início à carreira. Isso se deveu em parte por ela ser filha de dois expoentes da música popular brasileira: Elis Regina, nossa maior intérprete; e César Camargo Mariano, sofisticado pianista, arranjador e maestro.

Nos dois primeiros discos, a cantora gravou canções de diferentes estilos e obteve boa resposta do público e da crítica. Essas conquistas, porém, ainda não satisfaziam completamente aquela jovem que tinha como meta a popularização da sua arte.

Com o Samba meu, o terceiro álbum, em que prazerosamente mergulhou nas águas profundas do mais representativo gênero musical do país, ela não só teve o acolhimento dos bambas, como conseguiu ampliar seu espaço na concorrida e diversificada cena da MPB. E chegou às pessoas que ainda teimavam em não assimilar o seu canto.

Ao lançar Amor e Música, o oitavo CD, Maria Rita deixa clara a fidelidade ao universo em que transita com familiaridade. Neste trabalho ela juntou os mestres Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Batatinha e novos sambistas como Pretinho da Serrinha, Marcelinho Moreira, Fred Camacho, Leandro Fab. 


Ao lado deles estão Moraes Moreira, Carlinhos Brown e Marcelo Camelo, compositores não propriamente alinhados ao segmento, mas que, no projeto da cantora, têm importante participação. Mas quem ocupa um espaço maior é Davi Moraes, guitarrista, compositor e marido de Maria Rita, coautor de cinco músicas.

Dos 12 sambas do repertório, nove são inéditos, entre os quais Chama da saudade, Nos passos da emoção, Cara e coragem, Cadê Obá, Nem por um segundo, Pra Maria, Samba e swing, Perfeita sintonia e Cutuca. As três regravadas são Saudade louca, Reza e Amor e Música. 

Maria Rita faz o show de lançamento do Amor e música em 3 de março, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. Logo depois segue pelo país em turnê, que inclui Brasília no roteiro, com show marcado para 12 de maio, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. 

Antes, porém, ocupa o posto de rainha do Cordão da Bola Preta, no desfile comemorativo do centenário do bloco carnavalesco que sai às ruas neste sábado (10/11). Além disso, ela vai ser a musa do camarote Rio, Samba e Carnaval, na Marquês de Sapucaí.

*O repórter viajou a convite da Universal Music

Entrevista / Maria Rita


Maria Rita(foto: Luciana Bastos/Divulgação)
Maria Rita (foto: Luciana Bastos/Divulgação)
Em 15 anos de carreira, que momentos destaca como os mais marcantes?
Parece que não, mas é muita coisa. Há três momentos aos quais atribuo maior importância. O primeiro foi o lançamento do disco de estreia, que provocou uma reviravolta em minha vida. Eu previa que isso aconteceria, mas não com a dimensão que tomou. Outro foi a incursão no universo do samba, em 2007, com o álbum Samba meu, responsável por revelar o lado solar, solto e gaiato da cantora. Naquela altura, aos 30 anos, eu já estava dona de mim, bem resolvida. 
 
Qual foi o terceiro?
O CD e o show Redescobrir, em 2012. Eu já tinha 10 anos de carreira, estava mais segura da minha capacidade como intérprete. Ao homenagear a minha mãe, passei por uma transformação como cantora e vi ampliar à enésima potência as minhas possibilidades. Foi um momento muito forte.
 
Em seus discos de samba, você tem gravado compositores consagrados, mas dá vez e voz a novos valores desse gênero musical. O que busca com isso?
É quase uma obrigação retribuir à música o que ela fez por mim. Tudo o que sou e tenho devo à música. Tem muita gente talentosa que sonha em mostrar seu trabalho, e eu busco ser um canal para levar ao público o que essas pessoas produzem. 
 
Há entre eles, alguns que compuseram sambas para o Amor e música?
O Marcelinho (Moreira) e o Fred (Camacho), por exemplo, que formavam a banda do show Samba de Maria, ao lado do Davi (Moraes). Certa vez fomos fazer um show corporativo, em que o palco, o som e o público eram difíceis. Tinha tudo para dar errado. Eles perceberam a minha entrega e ao final comentaram que cantei como se estivesse na Fundição Progresso lotada. Disse então que não faço distinção de de palco, até porque o palco é para mim um espaço sagrado. Logo depois, eles compuseram Nos passos da emoção: “Mandou me chamar eu vou/ Eu sou de qualquer lugar/ Onde o povo me levar”.
 
Como foi a construção do repertório deste disco?
As músicas foram chegando. Cinco delas vieram de um DVD que havia gravado, mas acabei não lançando, porque tinha problemas técnicos. Sofri com a perda, mas foi um projeto que não deu certo.Trouxe para o repertório aquelas cinco músicas, todas inéditas, que já estavam amadurecidas. 
 
Como chegou a você Samba e swing, essa pérola do saudoso mestre baiano Batatinha?
Desde que conheci um disco com músicas de Batatinha, gravado por outros cantores, me apaixonei pela obra daquele compositor. O Davi havia ido a Salvador fazer show lá. Um conhecido dele disse que a família do Batatinha queria mandar uma música para mim. Aí o Davi me trouxe Samba e swing. Ao receber fiquei sem reação. Então o Davi perguntou se eu havia entendido o que estava acontecendo e eu respondi que tinha plena consciência daquilo. Como poderia imaginar que viria a ser presenteada com um samba de Batatinha? É um samba que tem tudo a ver com a minha história.
 
Por quê?
Quando gravei o Samba meu, Jota Moraes, que foi o arranjador do disco, falou que eu cantava bem samba porque cresci ouvindo jazz. Descobri que samba e jazz são contemporâneos e primos. Nasceram quase que ao mesmo tempo e têm origem na diáspora africana. Samba e swing, de Batatinha, fala dessa irmandade.
 
Em breve você vai sair em turnê num período em que o país está envolto em problemas sociais, políticos e econômicos. Como vê essa situação?
Vejo com preocupação. Estamos passando por um período muito esquisito, com o povo sendo humilhado pelos governantes.Temos um sistema cuja legislação é muito suscetível a interpretações. Uma hora uma coisa pode, outra hora não pode. Vivemos um momento em que tudo é velado. À época da ditadura militar, em que minha mãe quase perdeu a vida, as pessoas sabiam com o que estavam lidando e tinham um posicionamento claro.

Qual é a sua avaliação sobre as redes sociais, tão em voga hoje em dia?
Alguém disse que a internet deu voz aos idiotas. É um território que dissemina ódio e intolerância, hoje presentes também no dia a dia das pessoas. As agressões verbais que o Chico Buarque sofre nas ruas, por seu posicionamento político, são algo inadmissível, um absurdo. Antes de tudo é uma falta de respeito a um senhor. Fui ensinada que não se deve desrespeitar as pessoas mais velhas, seja Chico Buarque ou um vendedor ambulante da esquina. Os valores estão de cabeça para baixo e nós, os artistas, somos alvos preferenciais.

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