Publicidade

Correio Braziliense

Conheça Fernando Lopes, um pioneiro dos carnavais de Brasília

Fernando Lopes participou e venceu concursos de marchinhas da década de 1960 na capital federal


postado em 10/02/2018 14:32 / atualizado em 11/02/2018 11:07

Fernando Lopes nos tempos de concurso de marchinhas na capital(foto: Fernando Lopes/Arquivo Pessoal)
Fernando Lopes nos tempos de concurso de marchinhas na capital (foto: Fernando Lopes/Arquivo Pessoal)


Fernando Lopes era cantor de bolero na noite de Goiânia quando em 1959, com 21 anos, foi contratado pela Rádio Nacional, que estava se instalando na futura capital do país. Aqui, manteve-se fiel ao gênero musical que interpretava, em apresentações nos programas da emissora, e por vezes nas serestas que ocorriam no Catetinho, em torno do presidente Juscelino Kubstichek. Lá conheceu, entre outros, o violonista Dilermando Reis, o cantor Sílvio Caldas e a cantora Elizeth Cardoso.

Mas, quando chegava o carnaval, Fernando mudava e estilo, para participar dos concursos de sambas e marchinhas, dos quais era um dos grandes destaques. "A folia de Momo existia desde antes da fundação de Brasília; e inicialmente ocorria na Travessa Dom Bosco, na Cidade Livre. Depois é que as festas passaram a ser promovidas na Estação Rodoviária, no Teatro Nacional (ainda inacabado), no Hotel Nacional e em clubes como AABB, Iate, Motonáutica e Unidade de Vizinhança", recorda-se. 

De acordo com, o hoje, senhorzinho de 85 anos, os concursos de músicas carnavalescas passaram a ser realizados um pouco depois. O primeiro concurso, promovido pela Rádio Nacional foi em 1961. "Eu participei com a marchinha Maria Teresa, de Lauro Passos e Altamiro Cruz, cuja letra fazia referência à esposa do vice-presidente da República, Maria Teresa Goulart, que era muito bonita", explica. Trecho da letra dizia: "Não mexe com essa mulher/ Isso me ama, isso me quer/ Quando ela passa todo mundo fica aflito/ Maria Teresa isso me ama..."

Fernando conta que ficou em segundo lugar. "O vencedor foi Zé Loureço, um cantor baiano, que veio do Rio de Janeiro para a nova capital. No dia a dia ele era oficial de justiça, mas sem deixar a boemia de lado. Me esqueci o nome do samba que ele cantou, mas era muito bom", elogia. "A partir dali passamos a ser rivais na disputa, tipo Emilinha e Marlene (antigas cantoras da Rádio Nacional do Rio). Íamos aos programas das rádios da Nacional, Alvorada e Planalto divulgar a música que defendíamos e falar mal da do concorrente", lembra.

Borogodó
Em 1962, o cantor goiano venceu o concurso com Borogodó, também e Lauro Passos e Altamiro Cruz. "A partir de 1963, o evento passou a ser realizado no Teatro Nacional e a promoção era do Departamento de Turismo da Prefeitura do Distrito Federal. Venci novamente com Ana Maria, outra marcha dos dois compositores”, destaca. O último dos concursos, naquele período, foi em 1969, no Teatro da Escola Parque, como parte do Programa Flávio Cavalcanti, da TV Tupi. Junto com o Flávio vieram os jurados, Sérgio Bitencourt, Mister Eco, Zé Renato e Márcia de Windsor. O juri escolheu Minha partida, a música que interpretei, também de Altamiro Cruz e Lauro Passos”, acrescenta. 

Segundo Fernando, nas festas, além das antigas marchinhas As águas vão rolar, Allah-la ô, As Pastorinhas, Cachaça não é água não e Maria Sapatão, os foliões ouviam as músicas que tomavam parte dos concursos. Uma das que até hoje é lembrada é Brasília cidade céu, de Cid Magalhães, pseudônimo do desembargador Milton Sebastião Barbosa, que dá nome ao prédio do Tribunal e Justiça do Distrito Federal.

O comportamento dos foliões nos bailes de carnaval daquela época, segundo Fernando, não era tão diferente do que se observa nos dias de hoje. "As mulheres eram, sim, mais recatadas, em suas fantasias de colombina, cigana, rumbeira, que tinham algum decote e deixavam parte das pernas à mostra. Mas nada muito ousado. Por outro lado, o assédio dos homens era grande, e, em geral, elas aceitavam numa boa. Naquele tempo a disputa era grande, pois em Brasília, havia muito mais homens do que mulheres", ressalta.






Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade