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Correio Braziliense

Claudia Leitte completa 10 anos de carreira flertando com a música pop

Para comemorar a marca, Claudinha lançou a faixa 'Carnaval' com Pitbull


postado em 11/02/2018 07:30 / atualizado em 09/02/2018 18:04

(foto: Darren Craig/Divulgação)
(foto: Darren Craig/Divulgação)

Aos 21 anos, Claudia Leitte assumiu o comando da banda baiana Babado Novo. O sucesso da menina que sempre estava acompanhada de uma guitarra rosa foi automático e a cantora logo ganhou um espaço entre os artistas da axé music. Em 2007, ela decidiu seguir em carreira solo e no ano seguinte gravou e lançou o primeiro material daquela nova fase, o álbum Claudia Leitte ao vivo em Copacabana, gravado na praia carioca, que completa 10 anos em 2018.

Apesar de ter seguido uma tendência de artistas do ritmo, assumir uma carreira solo foi um risco para Claudia Leitte: “Eu estava muito nova, ouvi muitos ‘nãos’. Mas eu estava trabalhando tanto, estava tão focada em fazer isso que não tive tempo de sofrer, por mais que viesse o medo, a insegurança, que é normal que aconteça por ser diferente”. Claudinha lembra que o que mais a preocupou no primeiro momento foi o fato de estar grávida na hora de uma nova fase. “Eu engravidei logo que saí em carreira solo. Mas foi algo que acabou me dando mais força para ser desafiada. O Davi na minha vida foi algo fundamental na minha vitória. Ele me fez mais forte como mulher. Ser mãe foi um presente que iluminou meu caminho, foi um suporte”, lembra.

Para celebrar os 10 anos de carreira solo, Claudia Leitte lançou a faixa Carnaval, uma parceria com o rapper Pitbull. A música está disponível nas plataformas digitais desde 26 de janeiro. Na última quarta-feira, o clipe, dirigido por Darren Craig (que já trabalhou com Rihanna, Shakira e Kesha), foi divulgado no Tidal, plataforma de streaming de Jay-Z, e chega neste domingo (11/2) ao site Vevo. “Gravamos esse clipe há um ano e a música tem um pouco mais de dois anos. Essa canção faz parte de uma leva de faixas que venho escrevendo com Pitbull”, conta.



A primeira parceria da dupla aconteceu durante a Copa do Mundo do Brasil. Claudia Leitte, Pitbull e Jennifer Lopez ficaram responsáveis pela música oficial da competição, a canção We are one (Ole ola). A faixa fez com que Claudia Leitte figurasse na lista dos artistas donos das músicas mais ouvidas do mundo e participasse de uma apresentação no evento Billboard Music Awards (BBMAs), se tornando a primeira brasileira a estar na premiação. “Eu e Pitbull nos conhecemos em 2013, fizemos a abertura da Copa do Mundo e ficamos amigos. Nós começamos a compor e fazer músicas juntos. Assim surgiu Carnaval”, revela Claudia Leitte.



Tendência


Carnaval é mais uma faixa de Claudinha em outra língua e com referências à música latina e norte-americana. A canção é em inglês e tem também trechos em espanhol, além de contar com um sample de El carnavalito, música folclórica tradicional na Argentina e em outros países como Bolívia, Chile, Colômbia e Peru.

A nova música de Claudinha é mais uma parceria da artista com rapper Pitbull(foto: Manuela Scarpa/Divulgação)
A nova música de Claudinha é mais uma parceria da artista com rapper Pitbull (foto: Manuela Scarpa/Divulgação)


Gravar em inglês e em espanhol se tornou algo comum na carreira de Claudia Leitte. Há alguns anos a cantora é agenciada por uma empresa fora do Brasil e faza parceria com o serviço de streaming Tidal. Em seu currículo, ela tem várias faixas em outras línguas, como Corazón (gravada em parceria com Daddy Yankee) e Shiver down my spine. “Sempre gostei de música e nunca vi a língua como algo que me limitasse. Sempre cantei todo tipo de música que me fazia feliz, que me provocava qualquer tipo de emoção. Foi algo que aconteceu. Não é uma coisa de momento”, explica Claudinha.



Por se aproximar da música internacional, Claudia Leitte também segue alguns modelos de lançamento do mercado de fora. O último álbum completo da cantora é de 2014. Desde então, ela tem optado por lançar singles. As músicas mais recentes da artista são Táquitá, Baldin de gelo, Lacradora e Carnaval.

“Tenho várias experiências com músicas que ficaram do “lado B”, esquecidas para todo o tempo e amém. A empresa que cuida da minha carreira tem um cara, que é o meu mentor, que entende do show business, do lado mais exato do que poético. Para ele, uma música traz a outra e depois elas podem juntas contar uma história”, afirma. Claudinha ainda completa: “Essa é uma mudança de mercado. Essa é uma forma da música que pode ser trabalhada e tocada nas rádios e nas plataformas digitais. Eu já perdi muita música boa em disco. Não estou disposta a perder nenhuma”.

Estilos


Desde que optou pela carreira solo, Claudia Leitte passou a flertar com outros estilos musicais, além da axé music. Algo que a cantora diz ser natural. “Como falei, sempre vi na música uma liberdade muito grande. Apesar de ser uma cantora de axé, que canta em trio, tenho a minha identidade visual e musical passando por outros gêneros. O próprio axé me dá essa liberdade. São seis horas cantando em cima de um trio. Também é uma coisa minha, venho de uma família de roqueiros e pagodeiros, tudo misturado. Meu tio tinha uma banda de rock, eu sempre corri por vários caminhos”, diz.

Mesmo tendo essa mistura de ritmos, Claudinha nunca abriu mão dos pontos mais tradicionais da axé music: o trio elétrico e o carnaval. Em celebração aos 10 anos de carreira, ela se dedica à folia de Salvador, que começou na última quinta-feira. Ho je, a artista faz um desfile no trio sem cordas no circuito Campo Grande. Na terça-feira, Claudia sai com o trio Largadinho com Maiara & Maraísa. A celebração dos 10 anos de carreira ainda segue até 17 de fevereiro com a passagem do trio Largadinho em São Paulo na Rua 23 de Maio.

Ainda neste ano, a cantora tem vontade de voltar a se apresentar em Brasília num show aberto ao público. As últimas aparições de Claudinha na capital foram em eventos fechados. Ela diz que a ideia já está em sua cabeça: “Quero fazer a Prainha da Claudinha”.

Quatro perguntas / Claudia Leitte


Que balanço você faz desses 10 anos de carreira?
Eu era uma menina quando comecei e hoje sou uma mulher. Então é diferente por isso. Mas o coração é o mesmo. A paixão pela música, pelo que eu faço, pelo palco. Graças a Deus isso permanece imutável. Ainda sinto aquele frio na barriga, sinto vontade de estar no palco quando passo um tempo de férias. Em 5 dias, eu já quero entrar num bar e cantar lá mesmo. Isso nunca mudou.

Você está há algumas temporadas no The voice Brasil e agora assumiu uma cadeira no The voice kids. Como é estar participando da carreira de outra pessoa?
Eu acho incrível estar ali. É um exercício de amor ao próximo. É música, então, apesar de estar em um programa de tevê, estou preparando a música, o show, os arranjos de uma outra pessoa, que é mais especial do que fazer o próprio show. Aprendo muito com as crianças. Tenho um instinto de proteger, estou tendo uma aula diária ali com aquelas crianças. É maravilhoso. É óbvio que, por conta do jogo, a gente sente saudades do time que vai afunilando e diminuindo. Mas vejo que é muito importante para as crianças ter aquela oportunidade. Até porque eu fui uma criança que aspirava ser cantora, como elas.

A interação entre vocês no programa tem conquistado a internet. Como vê isso?
É demais. A gente tem uma liga, somos a liga da justiça. Nós quatro (Claudia, Simone, Simaria e Carlinhos Brown) temos uma conexão. Temos um grupo de whatsApp em que avaliamos e refletimos sobre o que aconteceu no programa.

Durante muito tempo se falou em uma rixa entre você e Ivete Sangalo...
Não, isso é algo velho. Graças a Deus, nós do axé temos uma união natural, de um admirar o carnaval do outro. Isso não é sempre repercutido, de sermos todos unidos. Isso é importante pelo movimento. A música baiana é muito forte. Um exemplo disso é que temos três cadeiras no The voice de artistas de axé. Apesar de colocarem pimenta no nosso tempero, a gente sabe o limite.

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