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Correio Braziliense

Festival de Berlim abre hoje a 68ª edição

Ilha dos cachorros, do cultuado diretor Wes Anderson, abre o festival germânico


postado em 15/02/2018 06:20 / atualizado em 14/02/2018 18:32

Corredores do evento trazem o emblema do festival alemão: o Urso de Ouro(foto: Internet/ Reprodução)
Corredores do evento trazem o emblema do festival alemão: o Urso de Ouro (foto: Internet/ Reprodução)
 
 
Berlim – Muitos cachorros de todas as raças, na abertura do 68º Festival Internacional de Cinema de Berlim. Estão reunidos em Ilha dos cachorros, depois de retirados de seus donos e expulsos da cidade por ordem do prefeito. Essa história de perseguição aos cães nada tem a ver com os dálmatas ameaçados por Cruela, mas é um filme de animação do diretor americano Wes Anderson, tipo fábula alegórica, ao que parece relacionado com refugiados. Um outro filme de Wes Anderson escolhido para abrir o festival, há dois anos, foi o Grande Hotel Budapeste.

As atrações internacionais são o novo filme de Steven Soderbergh, Unsane, anunciado como thriller ou filme de horror; Gus van Sant traz Don´t worry, we won´t get far on foot; o francês Benoît Jacquod aparece com seu filme Eva, vivida por Isabelle Huppert; Utóia 22 de Julho, do norueguês Erik Poppe, conta o massacre de jovens noruegueses por um fanático de extrema-direita; Museu, do mexicano Afonso Ruizpalacios, conta um ousado roubo num importante museu de antropologia, tendo com ator principal Gael Garcia Bernal; e um documentário do veterano diretor argentino Fernando Solanas, Viaje a los Pueblos Fumigados, denuncia o excessivo uso de agrotóxicos nas plantações.

Sem esquecermos o filme do diretor filipino Lav Diaz, contando os anos de chumbo da época do ditador Ferdinand Marcos, Season of the Devil. Há também a história do poeta dissidente Dovlatov, na época de Bresnev, na União Soviética, cujos livros não eram publicados, contada pelo realizador Alexey German Jr.. O filme Revolução silenciosa, do alemão Lars Kraume, sobre a classe de estudantes secundários punida pelo governo da Alemanha comunista, depois de terem apoiado a revolta húngara de 1956. Há mesmo um filme aparentemente religioso de Cédric Kahn, A oração, na contracorrente dos filmes anticlericais exibidos nos últimos anos.

Brasil em baixa

Este ano, não há filme brasileiro na competição internacional — o Brasil apenas participou da produção do filme As herdeiras, de Marcelo Martinessi, que assinala a estreia do cinema paraguaio no Festival. Outra participação indireta é a do diretor brasileiro José Padilha, já premiado com o Urso de Ouro, que preferiu fazer cinema em Hollywood. Ele dirige, com destaque especial, mas fora de concurso, o filme 7 dias em Entebbe, programado a partir do domingo.

O cinema brasileiro concorre ao Urso de Ouro, na mostra de curtas-metragens. Ali estão Alma bandida, de Marco Antônio Pereira; Terremoto santo, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca; e o diretor Ricardo Alves participa com o realizador português João Salaviza, do curta Russa, filmado em Portugal.

A seleção dos longas-metragens brasileiros na Berlinale, como também é conhecido o Festival, já parece ter sido definida nos últimos anos – vão para a mostra paralela Fórum, em que, como o nome indica, se prestam a debates. Ou para a mostra Panorama.

Este ano, só há uma produção brasileira no Fórum, com dupla direção de Gabraz Sanna e Anne Santos, Eu sou o Rio, cujo título foi mal traduzido para o inglês como I am the River. O tradutor não percebeu se tratar da cidade do Rio de Janeiro e não de uma corrente de água. I am the Rio tem como personagem principal o pintor e músico de São Gonçalo Tantão.

Na mostra Panorama há cinco filmes: Tinta bruta, de Márcio Reolon e Felipe Matzembacher, mais quatro documentários. Um rodado por Karim Ainouz, no Aeroporto Central de Tempelhof, desativado há muitos anos e seus hangares servindo agora para acolher dois mil refugiados, vindos da Síria e do Iraque.

Os outros documentários são: Bixa Travesty, documentário de Kiko Goifman e Cláudia Priscilla; Ex-Pajé, documentário de Luiz Bolognesi; O processo é um documentário de Maria augusta Ramos sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

*Rui Martins viajou a convite do Festival Internacional de Cinema
 
  
 

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