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Correio Braziliense

Oscar 2018: mulheres no centro de muitas estreias de cinema

Tanto atrás quanto na frente das câmeras, profissionais talentosas disparam na corrida das estatuetas


postado em 15/02/2018 07:33 / atualizado em 14/02/2018 18:05

Lady Bird: Saoirse Ronan interpreta uma moça bastante rebelde(foto: Internet/ Reprodução)
Lady Bird: Saoirse Ronan interpreta uma moça bastante rebelde (foto: Internet/ Reprodução)

 

A protagonista de Lady Bird — A hora de voar chama-se Christine McPherson, mas esqueça: nem ela quer saber deste nome, tanto que adota, e exige que passem a creditá-la como Lady Bird. Com este tom de rebeldia, a diretora e roteirista Greta Gerwig conquistou um posto destacado, na estrutura da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (que vota o Oscar), adepta da busca por novos ares.

Greta se tornou, com o primeiro filme assumidamente autoral, a quarta cineasta (e roteirista) candidata ao prêmio de direção em 90 anos de história de cerimônias. Coincidentemente, uma série de talentos femininos se alastra nas estreias de hoje (confira críticas), que concentram muitas das fitas candidatas ao Oscar — o filme ganhou cinco indicações.

Além de Gerwig, as indicações ao Oscar contemplaram em Lady Bird o talento da atriz Saoirse Ronan, que, aos 23 anos, disputa um Oscar pela terceira vez, e a elogiada atuação de Laurie Metcalf como a mãe, Marion.

Muito mais do que apenas namorar, o “mal da idade”, Lady Bird traz pensamentos e fixações variadas. A protagonista quer deixar Sacramento (na Califórnia), pretende se movimentar nos grandes centros urbanos e quer viver cercada de gente. Se já não existe “medicina” ao alcance da mão de Lady Bird, dadas as limitações de pertencer à família classe média baixa, ela ainda conta com uma enfermeira capaz de lhe “aplicar uma injeção de realidade”: a mãe, Marion. Como numa espécie de migração, Lady Bird tem o destino e os sonhos descortinados, aos poucos, na trama urdida pela cineasta e filósofa Greta Gerwig, de apenas 34 anos. 

 

Muito difícil que a atriz Frances McDormand n~so seja votada como melhor atriz(foto: Internet/ Reprodução)
Muito difícil que a atriz Frances McDormand n~so seja votada como melhor atriz (foto: Internet/ Reprodução)

 

 

Não à toa, o estado do Missouri (com 83% da população branca) é palco para o longa do inglês Martin McDonagh, Três anúncios para um crime, que capitaliza sete indicações ao Oscar, com direito a melhor filme, roteiro e atriz.

Com esdrúxulo humor próximo aos dos filmes anteriores de McDonagh, Na mira do chefe e Sete psicopatas e um shih tzu, o novo longa traz temas explosivos como racismo e exploração de preconceitos, além do encorajamento de atitudes feministas. “Estuprada enquanto morria” é uma das chocantes frases lidas, em letras garrafais, nos outdoors encomendados pela protagonista da fita, Mildred (Frances McDormand, espetacular, em cena), inconformada pela falta de responsabilização no assassinato da filha.

Firme e rude em cada fotograma do filme, Mildred recrimina direitos humanos e se torna uma ameaça constante à tranquilidade da pacata cidade de Ebbing. Desbocada e determinada, a protagonista — que rendeu toda a sorte de prêmios à atriz — passa à condição de caçadora, num processo em que muitos queriam vê-la como caça. Explica-se: com métodos nada ortodoxos, a mãe desesperada passa pelo escrutínio de autoridades locais (às vezes, bem condescendentes), representadas em especial pelos personagens policiais de Woody Harrelson e Sam Rockwell (ambos indicados ao Oscar de melhor ator coadjuvante). 

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