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Correio Braziliense

Mudbound, candidato ao Oscar, traz trama de preconceito entranhado à terra

Leia crítica do filme da diretora Dee Rees centrado na poética luta contra preconceitos raciais


postado em 15/02/2018 07:38 / atualizado em 15/02/2018 09:42

Garret Hedlund e Jason Mitchell: amizade e resistência contra os preconceitos no Mississippi dos anos 40(foto: Internet/ reprodução)
Garret Hedlund e Jason Mitchell: amizade e resistência contra os preconceitos no Mississippi dos anos 40 (foto: Internet/ reprodução)

 

Crítica 

 

Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi // ****

Existem inúmeras grifes no mais recente filme da diretora Dee Rees. Desde a certeza de um bom filme assegurada pela presença da atriz inglesa Carey Mulligan (vista em Shame, As sufragistas e Educação) até a expressão da sutileza de profissionais mulheres — incluída a visão da diretora (injustamente, esquecida na categoria de concorrentes ao Oscar), a riqueza da adaptação do premiado romance de Hillary Jordan e, claro, as imagens preciosas criadas pela diretora de fotografia Rachel Morrison (com outro trabalho atual nas telas: Pantera Negra), a primeira mulher do segmento indicada ao Oscar.

Paisagem e natureza, num ambiente precário do Mississippi, dão as cartas no enredo adaptado pelo produtor de Mentes criminosas, Virgil Williams, e por Dee Rees, uma cria do Festival de Sundance (premiada por Pariah). Mais do que as lágrimas do título (num equívoco sentimental), Mudbound versa sobre limitação e os laços estreitos com a lama do título original.

Na trama, Mudbound traz um confronto de visões de mundo engrandecido pela variedade de narradores atolados na pantanosa região em que se dedicam ao cultivo de algodão. Na linha central estão os irmãos McAllan: Henry (Jason Clarke, popular por causa do Malcolm interpretado em Planeta dos macacos: O confronto), um ferrenho conservador, e Jamie (o convincente Garret Hedlund), que respira novos ares, passada a Segunda Guerra.

Fundamental também é Ronsel (Jason Mitchell), preso aos preconceitos atrelados aos anos de 1940. A tensão racial exerce protagonismo no longa abrilhantado pela forte magnitude da atriz (e cantora de hip-hop) Mary J. Blige, indicada ao Oscar de coadjuvante, como a doce e injustiçada matriarca Florence, a mãe de Ronsel. 

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