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Correio Braziliense

Rafael Losso, de O outro lado do paraíso, se prepara para estrear em série

O artista que vive o garimpeiro Zé Vitor na novela e estará na série Rio heroes, como o lutador Erick


postado em 18/02/2018 07:25 / atualizado em 19/02/2018 19:14

Rafael Losso vive momento produtivo na carreira: tevê, cinema e palcos(foto: Paulo Belote/Divulgação)
Rafael Losso vive momento produtivo na carreira: tevê, cinema e palcos (foto: Paulo Belote/Divulgação)

Se ainda não ouviu falar de Rafael Losso, talvez fevereiro seja o mês para que o talento desse jovem chegue até você. Isso porque Zé Victor, o personagem dele na novela das 21h, O outro lado do paraíso, está num dos melhores momentos da trama — em que ele deve desmascarar Tônia (Patrícia Elizardo), revelando que é dele e não de Bruno (Caio Paduan) o filho que a médica espera, como ela sustenta.

Antes disso, ele já havia chamado a atenção em Império (2014) e na delicada composição de um homem HIV positivo no seriado Sob pressão, ano passado.

Além da tevê aberta, Rafael poderá ser visto, a partir do próximo sábado, nas telas da Fox, na série Rio heroes, na qual vive um lutador. Baseada numa história real, a atração fala sobre o atleta de jiu-jitsu Jorge Pereira (Murilo Rosa), um dos criadores de um campeonato de vale-tudo clandestino do qual o personagem de Losso, Eric, participa. Ele também estará no elenco de Rotas do ódio, do Universal .

“A expansão do mercado de séries é um fator muito positivo. É o começo da criação de um mercado no Brasil. Estamos começando uma nova era no audiovisual no Brasil”, afirmou, em entrevista ao Correio.

Na entrevista, Rafael também falou sobre como se relaciona com o corpo, definido por ele como “uma ferramenta do meu trabalho”, e sobre teatro. O ator de clássicos como Hamlet e Ricardo III lamenta que os palcos estejam perdendo público, mas afirma que não vai parar nunca de lutar para arrebatar plateias. “Não tem coisa mais linda do que uma plateia de jovens, porque eles são o futuro, as cabeças pensantes, nossa nova esperança para a formação de um Brasil melhor.”

Em constante formação — como deve se considerar qualquer grande ator —, Rafael Losso ainda promete muitos bons momentos na tevê, nas telonas e nos palcos brasileiros.
 

Entrevista / Rafael Losso 


(foto: Arquivo pessoal/Divulgação)
(foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Em Império (2014), você se destacou com o Elivaldo, que não era um papel muito grande. Com o Zé Victor de O outro lado do paraíso, está acontecendo algo semelhante. Sente falta de um protagonista na tevê?
Ser protagonista é um desejo e um desafio para qualquer ator, mas acredito que o nosso trabalho não pode ser baseado somente no tamanho dos personagens. Claro que estamos sempre nos aperfeiçoando para viver grandes papéis, e isso inclui ser protagonista, mas a arte vai além disso. Todos são personagens importantes. O Zé começou pequeno e ganhou uma proporção que me deixa muito feliz, é o retorno do público, da direção e do autor que controla nosso destino numa trama aberta.

Além de O outro lado do paraíso, você está em duas séries, Rotas do ódio, do Universal Channel, e Rio heroes, da Fox. Como você vê o crescimento do mercado de seriados no Brasil?
Estou em Rio heroes, que estreia este mês, e faço um lutador. Também estou em Rotas do ódio, em que interpreto um skinhead. A expansão do mercado de séries é um fator muito positivo. É o começo da criação de um mercado no Brasil. Ser ator neste país nunca foi fácil e a falta de um mercado mais promissor piorava muito nossa situação. Estamos começando uma nova era do audiovisual no Brasil. Fora as possibilidades de personagens mais radicais, histórias mais profundas, sequência na história devido às temporadas de alguns produtos. Em resumo, é mais uma porta se abrindo para todos os atores brasileiros.

É mais prazeroso fazer produções em que o destino do personagem está mais fechado?
Prazeroso é uma palavra tão subjetiva, né? (risos) Para mim, a satisfação está em atuar, em trabalhar. Recebemos mais “nãos” em um ano do que a maioria das pessoas em uma vida. Agora, não posso dizer que é ou não mais prazeroso trabalhar com um personagem fechado. É diferente. Um personagem fechado tem seu caminho traçado, você enxerga melhor as curvas dele, mas um personagem aberto, como os de uma novela, é um desafio. E que ator não gosta de um desafio? O foco deve estar em fazer o melhor em cada situação apresentada. É como diz nosso amigo Shakespeare, “Estar pronto é tudo”. E acho que isso vem com o estar aberto a todas as situações.

Em O outro lado do paraíso você tem cenas sensuais com a Patrícia Elizardo (a Tônia) e já posou para revistas como a TPM, em que fez fotos de nu frontal. Como lida com essa exposição do corpo?
É uma exposição artística, e fazer cenas com este teor mais sensual faz parte da nossa profissão. É assim que enxergo o corpo, como uma ferramenta do meu trabalho. Sobre o meu ensaio, concordo que muitas pessoas não fariam o que eu fiz, mas isso não me incomoda. Sabe aquela sensação de liberdade e pertencimento? É importante vir de dentro para fora, e as fotos que fiz retratam muito mais isso do que nudez.

Manter o corpo em forma é uma preocupação?
Em vez de preocupação, gosto de dizer que é cuidado.  Na verdade, se pararmos pra pensar melhor, é a única coisa que realmente temos. E nossa alma, é claro. Então devemos dar atenção total a elas. Costumo pedalar quase que regularmente (não tenho carro, então uso a bicicleta como transporte) e faço yoga três vezes na semana. Além disso, eu me identifico com a capoeira e pratico quando estou sem gravações.

Você já atuou em vários clássicos do teatro, como Hamlet e Ricardo III, ambos de Shakespeare. Como despertar a atenção do público jovem para essas histórias?
Os jovens, hoje, estão muito voltados para a tecnologia, por isso, acho importante reforçar outros discursos, como a importância de ir ao teatro e ler mais. A melhor forma de chamar atenção dos mais jovens é trazer histórias nas quais eles se sintam representados, podendo, até mesmo, se utilizar de uma linguagem mais atual. O teatro, para esse caso, tem suma importância, pois permite um contato próximo, costuma ser mais acessível e trata de todos os  assuntos.

O público do teatro está se renovando?
Ainda é uma batalha levar as pessoas ao teatro, seja adulto ou jovem. Perdemos um pouco dessa cultura. Mas seguimos na luta e não tem coisa mais linda do que uma plateia de jovens, porque eles são o futuro, as cabeças pensantes, nossa nova esperança para a formação de um Brasil melhor.

Dá para continuar em cartaz mesmo gravando a novela? Quais são seus planos para os palcos?
É possível, mas é bem mais corrido, porque há um desdobramento maior para cumprir as agendas. Bater horários nem sempre é fácil. Porém, a gente, sempre que possível, fecha os olhos e compra a briga. Tenho um projeto para os palcos ainda em fase de captação. Espero que eu consiga voltar aos palcos ainda este ano. O projeto é lindo. Sou eu e Vanessa Gerbelli com direção do Tonio Carvalho. Vou cruzar meus dedinhos pra conseguir levar isso pra vocês o quanto antes.

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