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Correio Braziliense

Espetáculo 'Biograficção' é uma jornada entre a canção e a cena

De Marco Michelângelo, a montagem está em cartaz no Espaço Cena


postado em 24/02/2018 07:15

A ideia de Biograficção é que ele nunca se repita, nem o repertório nem os convidados(foto: Diego Bresani/Divulgação)
A ideia de Biograficção é que ele nunca se repita, nem o repertório nem os convidados (foto: Diego Bresani/Divulgação)

A voz macia de Marco Michelângelo embala o ritmo das canções criadas para Biograficção, novo concerto teatral do ator, músico e compositor. Especialista em transitar por múltiplas linguagens em cena, o artista mostra a nova etapa de um projeto criado para transformar em histórias as próprias experiências. As relações humanas transitam de maneira fluida pelos palcos ocupados por Michelângelo, que movimenta constantemente a cena cultural de Brasília, dividindo a inspiração poética entre o texto e a canção.

No espetáculo, diferentes cenários se misturam entre as memórias do próprio artista, que recebe convidados talentosos. Os convidados são diferentes a cada dia e Marco divide o palco com Miriam Virna, Chico Sant’Anna, Ada Luana, Filipe Togawa e Mavi Dutra. Entre os visitantes estão cinco personagens de Shakespeare, uma estrela de cinema que não domina o idioma inglês, um vampiro, uma sereia e um cachorro. “Esta é a segunda edição de Biograficção e me orgulho de já ter trabalhado com gente tão criativa, que admiro há muito tempo e com quem acabei estreitando laços profissionais e afetivos”, lembra o ator.

O artista compartilha a criação individual com os colegas de profissão e, ao lado deles, descobre  paisagens, inspirações e muito aprendizado. “Estou cada vez mais aberto, gostando de ver minha criação maculada pela personalidade de outras pessoas. No palco, acho a contracena uma coisa maravilhosa, mas também adoro a sensação de estar só, diante de uma plateia”, conta o ator. Para ele, se relacionar com o público é tentar decifrar a personalidade de um gigante, ler a expressão no rosto de uma esfinge.

Múltiplas linguagens

A personalidade solitária do artista se mistura ao movimento criativo do teatro, possibilitando um diálogo eficiente com o público, além de espetáculos leves e, ao mesmo tempo, profundos. Para o show atual, Marco trouxe diálogos sobre a existência, a morte e a sensualidade aflorada. Todas as narrativas são autobiográficas, ainda que carregadas pelas tintas da ficção. Tudo passa por algo já vivido pelo artista.

Temas políticos, ainda que enviesados, também vazam para a cena. “Primeiro porque o carnaval (sobretudo esse ano) deixou ainda mais clara a vocação de protesto, de manifestação. E também porque Shakespeare usava as peças com a finalidade de revelar a podridão dos poderes, com traições e golpes; nada mais condizente com nosso tempo”, destaca.

Para as apresentações foram criados dois programas diferentes. No primeiro dia, Marco recebe a atriz e compositora Miriam Virna, que acompanha o artista em um repertório mais carnavalesco. A tradição de compor uma canção a cada ano durante o carnaval começou há 15 anos. “Neste dia canto muitas canções no que se chama ‘eu feminino’, e Miriam surge como a solidificação dessa persona”, conta o compositor. Mirna representa a criação que derruba a monarquia do criador e se expande para além dos limites da ficção.

No segundo e terceiro dias, entram em cena os demais convidados. Ao contrário do outro programa, esse é mais soturno, poético e irônico, cadenciado por um humor mórbido. Marco buscou uma atmosfera de pequeno concerto de câmara,  possível graças ao piano exuberante do Togawa, que cria os cenários melódicos.

Diferentes estilos se desenrolam em cena e o espectador poderá conferir números musicais de Ofélia, Macbeth, Romeu, Julieta, Hamlet, Gertrudes. Marco Michelângelo opta pelo trabalho criativo aberto a novos diálogos e sem definições. Música, poesia, teatro, ficção e realidade se misturam em um rico mosaico que caminha, sem dificuldade, entre a força e a leveza do artista em cena.

Biograficção
Com Marco Michelângelo e convidados, no Espaço Cena (CLN 205), sábado (24) e domingo (25), às 20h. Os ingressos custam R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira). Classificação indicativa livre.

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