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Correio Braziliense

Quinteto Violado se apresenta em projeto do Clube do Choro

Grupo revive ao "free nordestino", estilo que consagraram em mais de 40 anos de carreira


postado em 25/02/2018 07:31


 
Ao voltar do exílio em Londres, em 1972, Gilberto Gil foi a Recife com o intuito de tomar conhecimento do que os músicos pernambucanos estavam produzindo. Encantou-se com a sonoridade percussiva da Banda de Pífanos, formada por membros da família Biano, de Caruaru, a ponto de gravar Pipoca moderna, no LP Expresso 2222.

Chamou a atenção também do tropicalista o trabalho do Quinteto Violado, que classificou como “free nordestino”. Isso, depois de assistir a uma apresentação e de ouvir os dois primeiros discos do conjunto que, à época, contava com Marcelo Melo (voz e violão), Toinho Alves (contrabaixo acústico e diretor musical), Fernando Filizola (voz e violão), Luciano Pimentel (percussão) e Sando (flauta).
 

Quarenta e seis anos depois, o Quinteto Violado vai produzir um CD em que voltam à tona reminiscências daquele período. “No show que faremos no Clube do Choro (amanhã e terça-feira), algo daquele som ancestral será ouvido pelo público”, anuncia Marcelo Melo, único remanescente da formação original. O vocalista e violonista tem agora ao seu lado Dudu Alves (teclados), Roberto Medeiros (percussão), Sandro Luis (baixo) e Ciano (violão e flauta).

O “free nordestino” foi uma criação do Quinteto, no começo da década de 1970. Desde então, o grupo lançou 52 discos —  no mais recente, de 2016, prestou tributo a Dominguinhos —  fez muitos shows pelo Brasil e exterior e recebeu vários prêmios, além de obter o reconhecimento do público e da crítica.


Quinteto Violado
 
Show do grupo amanhã e terça-feira, às 21h, pelo projeto Clube do Choro Convida, no Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental, ao lado do Centro de Convenções Ulysses Guimarães). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia para estudantes). Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: 3224-0599.



Entrevista  /  Marcelo Melo


O disco mais recente do Quinteto Violado, lançado em 2016, foi em tributo a Dominguinhos. Que importância o acordeonista e compositor teve para o grupo?
 Conhecemos Dominguinhos quando ele era acordeonista de apoio da banda de Luiz Gonzaga. Nos aproximamos e logo ele passou a gravar e a fazer shows com a gente. Foi um dos maiores músicos que conheci e uma pessoa diferenciada, com quem tínhamos uma grande sintonia. Como não viajava de avião, em várias das nossas viagens para shows, entre 1972 e 1975, era ele quem dirigia o ônibus. Prestamos uma justa e sincera homenagem a ele no álbum que gravamos em 2015, cujo título é Quinteto Violado canta Dominguinhos.


Desde que, no começo da carreira, vocês criaram um antológico arranjo para Asa branca. Esse clássico da música popular brasileira nunca mais saiu do repertório de shows do conjunto. Como Luiz Gonzaga reagiu ao ouvi-lo?
O convidamos para mostrar o arranjo. Depois de ouvir com muita atenção, se emocionou tanto que chegou às lágrimas. Logo em seguida nos convidou para participar com ele e Gonzaguinha de uma série de shows pelo circuito universitário em São Paulo, criado por Roberto Oliveira. Foi algo que marcou muito a nossa trajetória por dividir o palco com um ídolo nosso e pela acolhida que recebemos dos universitários.


Outro que deu aval ao trabalho de vocês, ainda no início da carreira, foi Gilberto Gil. O que o levou a isso?
 Gil veio a Pernambuco, em 1972, logo depois de voltar do exílio em Londres. Ele queria tomar conhecimento da produção musical dos artistas pernambucanos. Aí foi assistir a um show do Quinteto e lhe presenteamos com os nossos dois primeiros discos. Ao voltar para o Rio de Janeiro, em conversa com Caetano Veloso, disse que o Quinteto fazia o “free nordestino”, e elogiou a liberdade que tínhamos por misturar elementos da música popular brasileira com os da música universal. Já José Ramos Tinhorão, que era crítico do Jornal do Brasil naquela época, escreveu num texto sobre nosso trabalho que éramos um divisor de águas na música nordestina.


Como foi a participação do grupo no carnaval de Recife neste ano?
Fomos convidados para fazer um espetáculo no Marco Zero, ao lado de outros destacados artistas da cena musical pernambucana, como os maestros Duda e Spock e o Coral Edgard Moraes. Em frente ao palco houve desfile de blocos líricos. A multidão que nos assistia reagiu como muito entusiasmo.


O que preparam para o show no Clube do Choro?
Vamos mostrar algo do que estamos desenvolvendo para um disco e um espetáculo com base no “free nordestino”. Obviamente não faltará o tributo aos mestres Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Criamos arranjos para Tenho sede (Dominguinhos e Gilberto Gil), em ritmo de ciranda; e para Vassourinhas, o hino do carnaval de Recife, com a linguagem do Quinteto. E, claro, o consagrado arranjo de Asa branca está no repertório. Mas vamos mostrar também músicas inéditas.
 
 
 
 
 
 

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