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Correio Braziliense

A revolta é tema de coletânea com poetas de todo o Brasil

Nicolas Behr e Francisco Alvim representam Brasília no livro de poesia


postado em 01/03/2018 07:30 / atualizado em 28/02/2018 18:12

Nicolas Behr está na coletânea(foto: Emília Silberstein/Divulgação)
Nicolas Behr está na coletânea (foto: Emília Silberstein/Divulgação)

 

 Grandes nomes da poesia clássica e contemporânea se encontram em coletânea que reúne narrativas criadas entre a poética da revolta. A percepção do tema aparece de maneira mais explícita em alguns poemas e se mistura em entrelinhas e pensamentos mais sutis em outros. Desigualdade social, machismo, racismo e diferentes modalidades de opressão e intolerância entram em cena por meio da criação bem trabalhada pelos poetas.


O ritmo das palavras pode ditar a movimentada reflexão e as questões se misturam entre a forte atualidade e a atemporalidade constante. O lugar escolhido para o lançamento foi o Beirut, tradicional ponto de encontro de poetas em Brasília.

Nicolas Behr e Francisco Alvim, dois nomes de destaque da poesia brasiliense, têm seus poemas representados na coletânea. Para Nicolas, a questão da revolta é uma das mais atemporais, pois acontece em todos os tempos. “Além disso, a insatisfação é algo muito presente na poesia, faz parte do processo criativo. No livro, se misturam poemas de revolta mais direta, aparente e outros mais subjetivos”, destaca o poeta.

O autor conta que, para a antologia, escolheram uma poesia que fez aos 20 anos. Desde então, muita coisa mudou, mas Nicolas acredita que ainda escreveria a mesma narrativa. O seu poema é um dos exemplos que traz a ideia da revolta de maneira mais dissimulada, pronta a ser descoberta e reinventada por cada leitor. Para ele, a força da poesia está, principalmente, na densidade maior que se condensa em poucas palavras.

Francisco Alvim é um dos representantes de Brasília no livro(foto: Wanderlei Pozzembom/D.A Press - 4/5/10)
Francisco Alvim é um dos representantes de Brasília no livro (foto: Wanderlei Pozzembom/D.A Press - 4/5/10)


A coletânea

A editora da obra, responsável por escolher e reunir os poemas que se cruzam, é Alice Sant’Anna. Eça destaca que o tema da revolta é atemporal, mas é interessante notar como esse sentimento pode tomar muitas formas e ter alvos tão diferentes. “Pode ser uma revolta agressiva, violenta, uma revolta introspectiva, apática, sem esperança. E o que causa indignação também muda muito de poema para poema: alguns falam em desigualdade social, racismo, machismo, entre tantos outros assuntos nem sempre explícitos”, afirma.

Para Alice, a poesia é uma arma muito poderosa de transformação e de mobilização. É uma maneira sintética, concentrada, de fazer pensar sobre assuntos muitas vezes banais, gastos, sobre temas que não parecem, à primeira vista, poéticos. “Como se a revolta não fosse material para a poesia”.

“ A poesia continua atual, ela é muito forte, é uma linguagem de grande condensação e esse fator tem uma potência verbal muito grande. Ela resiste ao tempo”
Nicolas Behr
 
 
A editora ressalta a importância cultural dos dois grandes poetas que representam Brasília na coletânea. Ela lembra que Nicolas Behr é um dos poetas mais produtivos em atividade hoje, com uma trajetória impressionante, que vai da geração marginal até hoje. 

E ele elegeu Brasília como uma espécie de musa inspiradora. Enquanto isso, Chico Alvim é um dos principais poetas vivos. “Sua poesia tem uma marca da oralidade muito forte, com o ouvido sempre atento para as conversas dos outros, uma verdadeira antena. Sua obra, assim como do Nicolas, é brilhante, questionadora e combativa”, destaca.

Em movimento

A cena poética do Distrito Federal se mostra em movimento constante e, para confirmar essa tendência, o lançamento de outro grande poeta acontece hoje, no Sebinho. O brasiliense Alexandre Pilati lança hoje seu quarto livro de poemas, Autofonia. “A poesia desse conjunto de poemas está na expressão incômoda da relação entre a voz lírica e dinâmica contemporânea que reverbera no mais íntimo da sua subjetividade”, destaca o autor.

Vale lembrar que Autofonia é o nome que se dá à sensação de estar ouvindo os ruídos do próprio corpo. Entre as páginas, o leitor encontra-se diante do espelho, da passagem do tempo e da idade. Para o poeta, a obra é a tentativa e de escuta e expressão dos problemas do mundo atual através da palavra poética.



Lançamento da antologia 50 poemas de revolta
Hoje, às 18h30, no Beirute da Asa Sul (SCLS 109). Lançamento de Autofonia, hoje, no Sebinho (SCLN 406), às 19h.



50 poemas de revolta
Vários autores. Editora: Companhia das Letras. Páginas: 144. Preço: R$ 34,90. Ano: 2017



Autofonia
Autor: Alexandre Pilati. Editora: Penalux. Páginas: 86. Preço: R$ 30. Ano: 2018
 
 

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