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Correio Braziliense

Oscar: Fervor das falas dos vencedores é mais aguardado do que a premiação

Cerimônia de premiação será neste domingo (4/3) em Los Angeles


postado em 04/03/2018 07:20

A forma da água(foto: Reprodução/Internet)
A forma da água (foto: Reprodução/Internet)

Que ninguém se assuste se for anunciado no palco do Oscar, numa conjuntura surreal, como melhor filme, o suspense de terror racista Corra!, um azarão no evento. Com um microfone aberto e a exibição ao vivo para mais de 220 países, ainda há fragilidade na revelação dos vencedores, como confirmou a festa do ano passado, diante da inesquecível troca de envelopes que deu momentânea vitória máxima para La la land. Com o fiasco globalmente exposto, e o aparato de segurança dos envelopes, agora, checado por inúmeras vezes, a 90ª festa tem tudo para ser menos impactante, ao menos na apresentação dos vitoriosos: com 13 indicações, a ficção (algo científica) A forma da água, do mexicano Guillermo del Toro, tem histórico para se sagrar bastante valorizada.

No encalço da aventura sentimental sessentista de del Toro, há o filme com investimento da ordem de US$ 12 milhões Três anúncios para um crime, que encampa simplesmente toda sorte de elementos sob revisão na cadeia do cinema e da sociedade: sobram exames de discriminação a homossexuais e negros, enquanto o machismo é achatado por uma protagonista em fúria, interpretada por Frances McDormand (com vitória de melhor atriz quase assegurada, ao menos que Sally Hawkins, de A forma da água, desponte). Em termos de visibilidade dos concorrentes a melhor filme, o esquemão de investimentos e retornos milionários (da escala dos US$ 100 milhões para Dunkirk, presente na festa com oito indicações, e de US$ 50 milhões para The Post) se revela caduco, ao menos no 90º Oscar.

Três anúncios para um crime(foto: Reprodução)
Três anúncios para um crime (foto: Reprodução)


O aspecto efervescente da festa deve desaguar nas cobranças e reivindicações de discursos que tragam transformações efetivas para a meca do cinema. Anúncios de protesto do artista plástico Sabo — aos moldes do conteúdo impactante apresentado em Três anúncios para um crime — foram originalmente dispostos nos arredores da festa do Oscar. Enquanto muitos anteveem a possibilidade de Guillermo del Toro fazer coro com outros diretores mexicanos premiados (Alejandro Iñárritu e Alfonso Cuarón), o teor sarcástico reconhecido pela Academia, alastrado nos premiados Birdman (2015) e Onde os fracos não têm vez (2008), pode dar vantagem a Três anúncios para um crime como melhor filme.

Com bala na agulha, pela conjuntura dos candidatos de 2018, Greta Gerwig (diretora de Lady Bird) é apenas a quarta mulher destacada por escrever e dirigir um longa-metragem, em 90 edições da cerimônia. Enquanto, na categoria de melhor direção de fotografia, Roger Deakins (Blade Runner 2049), na 14ª indicação chega ao posto de mais reincidente artista ainda no mercado, a mesma categoria apresenta a primeira mulher a competir entre todos os profissionais, Rachel Morrison (do injustiçado drama de época Mudbound). No páreo, em três categorias (incluída a de produtor de um dos filmes finalistas), o diretor negro de Corra! Jordan Peele se tornou, como cineasta estreante, o terceiro realizador a competir às categorias de direção e de roteiro.

Coadjuvantes indicados pela primeira vez à estatueta, os atores Sam Rockwell e Allison Janney têm muita chance de cravarem prêmios para Três anúncios para um crime e Eu, Tonya. Mas, como de costume, são categorias disputadas e podem trazer surpresas pelo peso de nomes como Richard Jenkins (carismático por demais, em A forma da água) e Christopher Plummer (o mais idoso ator indicado, aos 88 anos, com o talento irretocável em Todo o dinheiro do mundo). Laurie Metcalf (a mãe de Lady Bird) é a ameaça mais visível na possível vitória de Allison Janney.

Cabeça a cabeça


Entre os atores centrais, o páreo está entre a impecável atuação de Gay Oldman (à frente da persona do estrategista Churchill, em O destino de uma nação) e a virtual despedida de cena do britânico Daniel Day-Lewis, que anunciou a aposentadoria, ao encabeçar Trama fantasma, filme que não pode ser subestimado, por causa das seis indicações. Day-Lewis, vale a lembrança, pode se tornar o único ator a ter quatro vitórias no Oscar.

Com forte teor de contestação e embate entre personagens ligados à indústria da notícia, o filme do produtor mais vezes indicado — Steven Spielberg (10 vezes concorrente) —, The Post tem poucas chances de vitória.

The Post(foto: Reprodução/Internet)
The Post (foto: Reprodução/Internet)


Consagrados em outras ocasiões, dificilmente os intérpretes Octavia Spencer (A forma da água), Meryl Streep (The Post) e Denzel Washington (Roman J. Israel, Esq.) empunharão Oscar desta vez. No quesito trilha sonora, o recordista absoluto (com 46 indicações) John Williams até tem possibilidade de premiação (por Star wars: Os últimos Jedi), mas a concorrência será forte, com Alexandre Desplat (A forma da água) e Hans Zimmer (Dunkirk) na lista.

Dois brasileiros com poucas chances de conquista de Oscar estão na disputa: Rodrigo Teixeira é um dos produtores candidatos a melhor filme, por Me chame pelo seu nome, enquanto o animador Carlos Saldanha concorre (contra a forte candidatura de Viva: A vida é uma festa) pela direção de O touro Ferdinando.

Transmissão da festa


No canal TNT, exibição de programa prévio ao evento, a partir das 20h30. 

Na Rede Globo, transmissão (incompleta), prevista para 23h50, após o BBB 18

No canal E!, tapete vermelho mostrado desde as 19h.

 
Um clássico por década


Aconteceu naquela noite (1935) 

… E o vento levou (1940) 

A malvada (1951)

A noviça rebelde (1966) 

O poderoso chefão (1973) 

O franco-atirador (1979)

O silêncio dos inocentes (1992) 

Beleza americana (2000) 

12 anos de escravidão (2014)
 

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