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Correio Braziliense

Chorão: os cinco anos da morte do ídolo musical de uma geração

O líder da banda Charlie Brown Jr foi encontrado morto em seu apartamento, em São Paulo, vítima de uma overdose de cocaína. Conheça e relembre momentos importantes do grupo e do vocalista


postado em 06/03/2018 06:00 / atualizado em 06/03/2018 15:05

Chorão morreu aos 43 anos por conta de uma overdose de cocaína(foto: Paulo H. Carvalho/CB/D.A Press)
Chorão morreu aos 43 anos por conta de uma overdose de cocaína (foto: Paulo H. Carvalho/CB/D.A Press)

 
Na manhã de 6 de março de 2013, uma quarta-feira, o Brasil acordou com uma triste notícia: o cantor Alexandre Magno Abrão, o Chorão, da banda Charlie Brown Jr, tinha morrido. Há cinco anos, o corpo do artista foi encontrado em seu apartamento em São Paulo, sem vida após uma overdose de cocaína. O grupo liderado por ele marcou uma geração com músicas que abordavam críticas sociais, questionamentos individuais e até romantismo. 
 
De acordo com o laudo do IML de São Paulo, havia no corpo do cantor 4,714 microgramas de cocaína por mililitro de sangue. Para os legistas, por conta do estado de saúde de Chorão, ele não resistiu à quantidade de droga. Segundo o documento, constava que Alexandre tinha alterações no coração, nas artérias coronárias, nos rins, no fígado e um edema cerebral. 

O motorista de Chorão, Kléber Atala, e o segurança Victor Mehl encontraram o cantor morto no chão da cozinha do apartamento. O local estava completamente desorganizado: o ar-condicionado foi deslocado da parede, havia manchas de sangue pela residência, muitas latas de cerveja jogadas pelo chão e o sofá estava revirado. A notícia deixou os fãs e os membros da banda chocados.

Ex-guitarrista da banda Charlie Brown Jr, Marco Antônio Valentim, mais conhecido como Marcão, participou da formação inicial do grupo. Marcão conta que todo dia 6 de março, desde a morte do amigo, se tornou um dia pesado para ele. “Foi inacreditável: eu recebi um telefonema durante a madrugada avisando que ele tinha morrido e eu perdi o rumo. Foi difícil acreditar que aquilo estava acontecendo”, relata o músico. 

Chorão tinha um gênio difícil: envolveu-se em diversas brigas ao longo da carreira e desentendimentos com vários membros da banda. Os mais próximos, porém, afirmam que ele era extremamente profissional e tinha um coração enorme. "Era um grande trabalhador. Ele chamava no peito e resolvia. Era um cara muito sincero nas suas ideias. Uma das pessoas mais completas em termos de artista e letrista. Chorão era uma figura realmente rara", lembra Marcão. 

O guitarrista lembra da perda de outro membro da banda, Champignon, ex-baixista do CBJR. Ele cometeu suicídio no mesmo ano, em 9 de setembro. "Eu fiquei assustado. Parei de ouvir música, mas depois eu reparei que era ela que iria me salvar. A música foi minha terapia. Meu estúdio se tornou, praticamente, uma psicanálise para mim".

Atualmente, Marcão possui um grupo musical chamado Bula, com dois discos lançados e um terceiro programado para sair este ano. 
 

Personalidade

 
Pedro Telmo, estudante de administração, de 21 anos, conta que quando recebeu a notícia da morte, a ficha não caiu. “Foi horrível, eu chorei muito. O Charlie Brown é minha personalidade. Era uma terapia e me ajudou em diversas situações de vida”, lembra. Pedro fez uma tatuagem do álbum preferido, Imunidade musical, para homenagear a banda.  
 
Para o estudante, Chorão era uma pessoa muito boa, mas era claro que tinha problemas sentimentais. “Acho que qualquer sentimento diferente que ele sentia, tanto de bom quanto de ruim, alterava algo gigantesco nele”, avalia Pedro. 

Em 2011, Pedro Rocan, 38 anos, vocalista do grupo musical Projeto Minduim, desenvolveu com os companheiros o Tributo ao Charlie Brown Jr. A ideia é uma homenagear a banda da qual todos os membros são fãs. Os músicos pediram permissão para homenageá-los, chegaram a abrir shows do conjunto e a cantar com o CBJR. Até tinham a intenção de gravar uma música juntos.  “Mas, infelizmente, Chorão foi embora antes”, relata Pedro. 

Pedro tornou-se grande amigo de Chorão e sentiu muito a perda dele. Depois que o cantor morreu, a banda continuou com o projeto a fim de manter a essência do Charlie Brown viva. “Eles movimentaram uma das melhores épocas do rock do Brasil. Eles preencheram uma lacuna, na época, deixada pelo Raimundos. Misturavam letras politizadas com canções de amor. Se depender da gente, eles nunca serão esquecidos”, diz Pedro.
 
Ver galeria . 5 Fotos O vocalista da banda, Pedro Roncan, Projeto Minduim ao lado do cantor Chorão em 1999 depois de um show da banda CBJR.
O vocalista da banda, Pedro Roncan, Projeto Minduim ao lado do cantor Chorão em 1999 depois de um show da banda CBJR. (foto: )
 
 
Roberta Lima, 35 anos, autônoma, é uma fã antiga do grupo. Ela conheceu a banda no fim de 1996, por meio de uma fita cassete com demos da banda. “O amor já era imenso. Comprei dois CDs, um para escutar e o outro para ficar guardado”. Desde então, não parou de acompanhar o CBJR. 

Um dia, o sonho de qualquer fã se realizou: sem querer, ela conheceu Chorão. Roberta passeava por um shopping em Florianópolis, quando encontrou Chorão. Claro, ela não titubeou e foi em direção ao ídolo. “Ele foi muito gentil e simpático, mas eu travei e nem conseguia falar”, conta, entre risos. 

O que diminui a grande saudade de Roberta são as homenagens que o Projeto Minduim faz nos shows. “Aquele imenso sentimento, da falta que sinto em não ver o Chorão à frente da banda, é confortado com o Projeto Minduim, que mantém o legado deixado pelo grande ídolo de toda uma geração”, conta Roberta.
 

O legado

 
A banda Charlie Brown Júnior vendeu mais de 5 milhões de discos e venceu dois Grammys Latinos. Foi indicada a diversos prêmios, como MTV Brasil e Prêmio Multishow de Música Brasileira. O grupo nasceu em 1992, com Chorão (vocalista), Thiago Castanho (guitarrista), Renato Pelado (baterista), Champignon (baixista) e Marcão (guitarrista). Em 1997, a banda estourou com hits como, Tudo Que Ela Gosta de Escutar, Proibida Pra Mim, O Coro Vai Comê e Quinta-feira

Em 2001, Thiago Castanho decidiu sair da banda. Nessa época, hits como Ela vai voltar, Senhor do Tempo, Dias de Luta, Dias de Glória, e Lutar pelo o que é meu estouraram nas rádios. 
 
Em 2005, por conta de desavenças entre os integrantes do grupo, Champignon, Marcão e Renato Pelado deixaram a banda. O CBJR, então, apareceu com uma nova formação. Chorão chamou Thiago Castanho (guitarrista) para participar novamente da banda, Heitor Gomes (baixista) e Pinguim (baterista). Nessa formação, o grupo lançou o CD duplo Imunidade musical, com sucessos como Pontes Indestrutíveis, Be Myself, Me Encontra, Só os loucos sabem, Não viva em vão e Uma criança com seu olhar
 
Em 2011, Heitor saiu da banda, enquanto Marcão e Champignon voltaram a ocupar os antigos lugares, como guitarrista e baixista. Então, lançaram o CD/DVD Música Popular Caiçara com músicas antigas e uma canção nova, pronta para o sucesso:Céu Azul. No ano de 2013, a banda estava produzindo seu novo CD, que foi intitulado de La família 013, mas Chorão faleceu antes de finalizarem o disco. Porém, os outros integrantes lançaram algumas músicas que já estavam prontas, como Meu Novo Mundo. De acordo com a empresa Crowley, a canção ficou entre as mais tocadas de 2013 nas rádios nacionais.  
 

Projeto Minduim 

 
A banda realizará, em março, vários shows em tributo ao Charlie Brown Jr. Confira as datas:
10/03- Toinha Rock Pub - Samambaia Norte
16/03- Goiânia
17-03- Anapólis
29/03- Poize Asa Norte com Marcão, ex-guitarrista da banda CBJR
 
A última canção ensaiada por Chorão antes do ídolo falecer, Ela Nasceu Pra Mim: 
 
 
 
 
*Estagiária sob supervisão de Anderson Costolli

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