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Correio Braziliense

Direção e criação musical são pontos fortes de peças na capital

Com um repertório de canções da MPB, Boa Sorte: o musical traz o relato autobiográfico de um jovem que se descobriu portador do vírus da Aids


postado em 07/03/2018 07:30 / atualizado em 07/03/2018 19:04



Boa sorte usa um repertório de MPB para contar a história de um jovem portador do HIV(foto: Taidson Morais/Divulgacão-5/6/14)
Boa sorte usa um repertório de MPB para contar a história de um jovem portador do HIV (foto: Taidson Morais/Divulgacão-5/6/14)


O trabalho de criação e direção musical em espetáculos teatrais destaca-se como um dos pontos mais importantes na criação cênica. Capaz de provocar uma imersão do público em relação à narrativa, as canções guiam a respiração de quem assiste à peça, principalmente no caso do teatro musical, como nos espetáculos Boa sorte e Qualquer caminho serve. A música pode transformar as sensações criadas em cena, provocar o choro e o riso, enaltecer ou atrapalhar o andamento de uma história quando não é feita com cuidado e dedicação.

Com um repertório de canções da MPB, Boa Sorte: o musical traz o relato autobiográfico de um jovem que se descobriu portador do vírus da Aids aos 18 anos. O autor e diretor, Gabriel Estrela, criou o espetáculo para falar da relação com o vírus e tornou-se uma das grandes vozes para a juventude no que diz respeito à desmistificação e o combate aos preconceitos que acompanham o HIV.

Para abordar temas tão delicados, a trilha sonora, criada ao lado do diretor musical Fernando Bastos, encaixa-se com cuidado na dramaturgia, sendo vista também como parte do texto do espetáculo. “As músicas representam diálogos, expressam movimentos internos dos personagens, ou narram histórias”, conta Gabriel. A ideia é que a música permita que os espectadores escorreguem suavemente pela história e sejam embalados por ela. Gabriel lembra que as canções criam expectativa, provocam tensões e irrompem emoções de forma explosiva.

A trilha sonora é toda feita ao vivo e Fernando Bastos, diretor musical, conta que esteve presente em todos os ensaios para criar melhor o ritmo em cena e testar os momentos exatos em que cada música deveria entrar, sempre surgindo como uma necessidade da narrativa. “Gostamos de pensar também que o silêncio funciona como música nessa peça, e, por isso, é tão fundamental quanto cada uma das canções”, destaca. O violão cria a atmosfera característica dos bares, enquanto um piano cuida dos preenchimentos e o violoncelo ajuda a criar a atmosfera densa do espetáculo.

Novos universos
 
 

Enquanto isso, o espetáculo Qualquer caminho serve, do Grupo 1/Quarto, é uma releitura das duas obras, Alice no país das maravilhas e Alice através do espelho, para o universo de Alissa, uma personagem que busca entendimento e liberdade. Amanda Greco, diretora do espetáculo, acredita que a musicalidade em cena existe a partir de corpos vivos e entregues ao contexto apresentado.

Todas as canções são tocadas ao vivo e a trilha foi criada em parceria com a banda Eufohria. “O rock pesado é absorvido como parte essencial do espetáculo, criando a nossa realidade em cena. A banda revela a atmosfera e une todos os caminhos no palco”, destaca.

O espetáculo permeia o universo do motoclubismo, que entra em cena pela escolha da trilha de rock e metal, sempre presente. Bruno Santa Rita, guitarrista da banda, conta que o grupo passou por um processo de imersão e experimentação teatral. “Nós nos reuníamos para entender o objetivo da obra e para pensar o que aquele espetáculo queria passar. A partir disso, criamos uma estética que se aliava ao motoclube, ao rock e à psicodelia, partindo para o submundo da história”, destaca o músico.

Nos dois espetáculos, o diálogo constante entre as direções geral e musical é essencial para que a música esteja alinhada com as necessidades da peça e os músicos com as necessidades da produção. Cada canção entra como parte importante da narrativa e expande as sensações e diálogos de cada personagem. A trilha sonora amplia a condução do ritmo e das emoções despertadas no palco.


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