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Correio Braziliense

Menescal, Leila Pinheiro e Rodrigo Santos interpretam Cazuza em bossa nova

O projeto 'Faz parte do meu show' terá turnê e gravação de CD e DVD ao vivo


postado em 07/03/2018 07:00 / atualizado em 06/03/2018 18:14

Cazuza completaria 60 anos em 2018(foto: Arquivo CB/Divulgação)
Cazuza completaria 60 anos em 2018 (foto: Arquivo CB/Divulgação)


Um dos mais importantes compositores do rock nacional, Cazuza completaria 60 anos em abril deste ano. A bossa nova, movimento que balançou a música brasileira no fim dos anos 1950, também chega aos 60 em 2018. As duas coisas, acredite, podem (e vão) se juntar em um projeto capitaneado por Roberto Menescal, Leila Pinheiro e Rodrigo Santos, ex-baixista do Barão Vermelho.

Faz parte do meu show é o nome da iniciativa que transformará canções, entre clássicos e lados b, de Cazuza em bossas e contará com uma turnê, que começa por São Paulo e Rio de Janeiro, em abril, e deve ser transformada em CD e DVD, segundo Menescal.

A ideia surgiu naturalmente quando Menescal resolveu mostrar para Rodrigo como a própria Faz parte do meu show ficaria arranjada em bossa nova. “Eu tenho uma ligação boa de uns dois anos para cá com o Rodrigo, que tinha uma relação muito forte com o Cazuza. Um dia, eu mostrei para ele Faz parte do meu show e disse: ‘A gente mais ligado à bossa nova, faria assim’”, rememora.

Daí, Rodrigo, que achou a música completamente diferente na nova versão, pediu que Menescal fizesse o mesmo com outras canções e, então, tiveram o insight: “E se a gente começasse um projeto fazendo coisas assim?”. E os dois decidiram levar a ideia adiante.

A participação de Leila Pinheiro aconteceu por acaso, lembra Menescal. Depois de assistir a um show de Rodrigo com o guitarrista Andy Summers, do The Police, ela elogiou o baixista e sugeriu a Menescal que os três fizessem algo juntos. “Eu respondi que eu e ele estávamos pensando nessa ideia do Cazuza em bossa e ela disse: ‘Vocês estão pensando, não! Nós estamos pensando’”. E estava formado o trio do projeto.

A princípio, os shows contariam com Menescal, Rodrigo e banda. Com a chegada de Leila, no entanto, eles resolveram enxugar a formação e fechar apenas no trio. “Rodrigo fica no baixo; eu, no violão e na guitarra; e Leila, no piano. Já dá para fazer uma espécie de Emerson, Lake & Palmer, uma coisa assim”, brinca.
 
 

Mudanças

O trio fez uma seleção com 21 músicas para chegar a uma lista final menor. Até agora, estão garantidos clássicos como Bete balanço, Codinome beija-flor, Pro dia nascer feliz e Maior abandonado. Além de canções bem menos conhecidas, incluindo Doralinda, uma parceria de Cazuza com João Donato.

Nessa seleção, foram levados em conta dois critérios simples. O primeiro: canções que ficariam bem quando levadas para a bossa nova. O segundo: quais músicas cada um gostava mais e queria tocar no show. Feita a lista pessoal, eles decidiram juntos o que deveria ou não entrar.

Para que as canções se adequassem ao modelo da bossa nova, Menescal, Leila e Rodrigo mexeram profundamente nas harmonias e arranjos, acrescentando mais acordes e complexidade às estruturas das canções escritas por Cazuza e alguns parceiros.
 
Arranjos

A ideia é justamente deixar as músicas diferentes, sem medo de mudanças mais profundas. “Se for para fazer exatamente o que todo mundo já faz com as músicas do Cazuza, não tem razão, não faz sentido”, acredita Menescal.

Ele observa também que, mesmo assim, as canções se mantêm com a cara de Cazuza. “Até porque a fonte dele mais forte é a letra, que é bem característica, às vezes, debochada e tudo”. O ritmo e o suingue foram uma preocupação para os arranjos, para manter e dar vida às músicas. “A ideia é que não fique uma coisa muito morna, mesmo nas canções românticas, a gente tenta manter uma pulsação”, detalha.

No início do movimento da bossa nova, um projeto do tipo, misturando o gênero a canções em teoria mais simples, seria considerado uma heresia. “A gente era muito radical. Eu me lembro de que eu gostava do Roberto Carlos, de ver o programa dele, mas não falava para a turma, não. Eu via escondido”, lembra.

“Com o tempo, a gente foi abrindo um pouco. Para mim, um marco foi quando cheguei à Polygram e trabalhei com Novos Baianos, Raul Seixas, Ângela Rô Rô. Aí, minha cabeça abriu. Eu comecei a ver que existia um mundo muito maior e isso me dá a chance de hoje fazer um projeto desse.”

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