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Correio Braziliense

Projeto de fotografia homenageia mulheres de todas as idades e formas

Iniciativa reúne 132 fotógrafas do mundo inteiro


postado em 08/03/2018 07:30 / atualizado em 08/03/2018 10:50

Foi ao se olhar no espelho um dia que Melissa Maurer, 38 anos, pensou: por que me saboto, me maltrato e me boicoto tanto? As respostas não foram imediatas, mas vieram ao longo do tempo e, com elas, a ideia de um projeto que desse voz a mulheres e funcionasse como um espelho. Dois anos depois daquele dia, Melissa criou o Bem me quero mal me quero e convidou fotógrafas do mundo inteiro para embarcar na ideia de registrar voluntárias de todas as idades, cores e formas e pedir a elas que escrevessem uma carta para si mesmas. O resultado começou a circular nas redes sociais na madrugada de hoje com a hashtag #bemmequeromalmequero.
 
 
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"Confesso que a maternidade me desnorteou muito. Claro que amo ser mãe, e acho inclusive que dentre todos os meus papéis, é o que eu desempenho melhor e com mais prazer. Mas nossa, você saber que tem um ser que depende tanto de você, e muitas vezes você simplesmente não sabe o que fazer, e muitas vezes, mesmo com tantas pessoas a sua volta, você está sozinha, é desesperador. É desesperador saber que você não está mais largado no mundo", Luana (foto: )
 
No total, participaram 132 fotógrafas de seis países, incluindo Índia, Espanha, Austrália, Estados Unidos, Portugal e Argentina, além do Brasil. Cada profissional montou uma rede de voluntárias que topassem ser registradas e escrever a carta. A própria Melissa fez mais de 100 fotografias, que pretende divulgar ao longo do Dia Internacional da Mulher. Formada em turismo, moradora de Alto Paraíso há mais de 12 anos e fotógrafa profissional, Melissa queria propor uma reflexão sobre o papel da mulher na sociedade e as exigências em relação a essa atuação. Por isso era importante que as voluntárias representassem todas as idades, cores e tamanhos.

Nas cartas, que deveriam ter entre um parágrafo e uma página, elas foram convidadas a falar sobre o que as incomodava e a dar um recado a si mesmas. “Pedimos que escrevessem com amorosidade, que se acolhessem. Muitas escreveram sobre os padrões estéticos exigidos pela sociedade, sobre relacionamentos abusivos, sobre a cobrança de ser forte, sobre medos e vergonhas”, avisa Melissa. “A ideia do projeto é que, a partir do momento em que coloco para fora o que sinto, começo a me curar.”

O projeto tomou uma proporção que Melissa não esperava. Ao convidar as fotógrafas pelas redes sociais, ela imaginava o retorno de, no máximo, 30 profissionais. Agora, ela não tem ideia de quantas imagens nasceram do Bem me quero mal me quero. Cada profissional ficou livre para registrar quantas voluntárias quisesse e Melissa não sabe quantas imagens serão postadas ao longo do dia. Para realizar suas próprias fotografias, ela acompanhou vivências como sessões de terapia tântrica e reuniões de grupos de mulheres em Alto Paraíso e Florianópolis. “A intenção é unir mulheres”, garante. O Diversão&Arte reproduz aqui algumas fotos e trechos das cartas escritas para o projeto em homenagem às mulheres do Brasil e do mundo.
 

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