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Correio Braziliense

Conheça curta brasiliense híbrido, que mistura ficção e documentário

Filme da diretora brasiliense Camila Shinoda, 'Não é pressa, é saudade' busca entender a construção da intimidade de um casal


postado em 08/03/2018 12:06 / atualizado em 08/03/2018 12:26

João Campos e Marcela Felipe se conheceram com a câmera já gravando o curta(foto: Alan Schvarsberg/Divulgação)
João Campos e Marcela Felipe se conheceram com a câmera já gravando o curta (foto: Alan Schvarsberg/Divulgação)
 

 

Você lembra de todos os detalhes do primeiro encontro e do primeiro beijo? Lembra de todas as pequenas coisas que fizeram você se apaixonar? Pois é, essas perguntas são complicadas de responder, porque a mente humana nem sempre é capaz de registrar tantos pormenores, como por exemplo a hora exata ou os detalhes da roupa. O sentimento, no entanto, provavelmente o que mais importa, ah, esse fica!

Porém, a construção de um amor é feita em detalhes. Foi essa a inspiração do curta-metragem Não é pressa, é saudade, da cineasta e jornalista brasiliense Camila Shinoda. O filme conta uma história que acontece depois de um carnaval em Olinda, uma paixão de verão e uma carta com um convite. Estrelando João Campos e Marcela Felipe, o curta mostra a história de amor de um homem que convida uma pernambucana para conhecer Brasília.

 

 

A ideia

A diretora conta que entender a construção de um amor sempre foi um de seus objetos de pesquisa. Ela sempre quis entender o que fazia a intimidade de um casal florescer e daí surgiu o argumento do filme.

“A nossa memória não é capaz de apreender todos os detalhes, mas a câmera é. Claro que tem todo um direcionamento do enquadramento, mas ela consegue captar todos esses detalhes que a nossa memória deixa passar. Então eu pensei nesse tipo de investigação e se, de alguma forma, era possível captar esse momento de construção de intimidade entre duas pessoas”, diz Camila.

 

A diretora Camila Shinoda: 'Eu queria que só o João fosse ator, para tentar segurar a espontaneidade da relação que estaria por vir'(foto: Alan Schvarsberg/Divulgação)
A diretora Camila Shinoda: 'Eu queria que só o João fosse ator, para tentar segurar a espontaneidade da relação que estaria por vir' (foto: Alan Schvarsberg/Divulgação)

 

O argumento: um homem brasiliense conhece uma mulher no carnaval de Olinda, se apaixonam, mas ele volta para a capital. Porém, ele envia uma carta para ela e a convida a visitar Brasília. Longe de ser uma história linear com um roteiro de ficção, a diretora quis ir mais longe e criou um curta-metragem que mescla documentário com ficção.

Nesse momento, a diretora convidou o ator João Campos, que tem no currículo a novela global A lei do amor e um Candango de melhor ator em curta-metragem no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, entre outros trabalhos, e propôs uma ideia: fazer um filme sem roteiro definido e falas já escritas, tudo tinha que ser no improviso. Com a afirmativa de João, Camila tinha que achar ela, a mulher da história.

Pernambucana

No processo de escolha de Camila, a cineasta buscou uma mulher que não fosse atriz, que tivesse uma conexão com o carnaval de Olinda e não conhecesse Brasília. Entre as 10 entrevistas feitas com diversas candidatas em Recife, a produtora de Camila em Pernambuco pedia para que elas lessem a carta de João e respondessem se queriam vir para Brasília. “No final, nove delas responderam na hora que topariam a empreitada, mas Marcela foi a única que ficou em dúvida, justamente por ter vivido situação semelhante. E, não sei por quê, mas aquilo me chamou a atenção. Aí, a escolhi”, relata Camila.

Marcela Felipe não é atriz. É uma bailarina de Recife e, em 2015, decidiu participar do curta. “No último dia, eu pude conversar um pouco com ela e percebi que aquilo tudo estava sendo muito intenso para ela. Na verdade, foi intenso para todos que trabalharam no filme”, afirma Camila. A escolha de Camila por uma mulher que não é atriz foi inusitada, mas coerente. “Eu queria que só João fosse ator, para tentar segurar a espontaneidade da relação que estaria por vir”, diz a diretora.

 

(foto: Crédito: Bruna Daibert/Divulgação)
(foto: Crédito: Bruna Daibert/Divulgação)
 

 

Desafios

Não é pressa, é saudade é o primeiro curta-metragem de Camila Shinoda. Ela começou a escrever a história em 2014 e teve o filme lançado em 2016 com a ajuda do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). “O principal desafio para fazer do curta foi a imprevisibilidade. O filme realmente não tem roteiro. A gente não sabia nem se a menina queria ficar com ele [João], tudo podia acontecer, inclusive nada, inclusive ela ficar com muita vergonha da câmera. Então era tudo muito imprevisível. A equipe de produção suou, porque a gente nunca sabia o que ia acontecer”, relata Camila.

Perguntada sobre como ela enxerga o cenário do cinema de mulheres, ela argumenta que todas as discussões em torno da representatividade atualmente são importantes, porque tira o olhar naturalizado sobre produções de homens brancos de classe alta e apresenta outras realidades.

“A mulher, por exemplo, tem uma visão de mundo diferente, ela vive coisas que os homens que mais produzem conteúdo não vive, o homem negro a mesma coisa, a mulher negra a mesma coisa, os LGBTs também, então, acho que, quanto mais diversificada a nossa produção, melhor para o cinema”, afirma a cineasta.

 

*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira

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