Publicidade

Correio Braziliense

Diva do jazz, Leny Andrade comemora 60 anos de carreira com shows

Apresentações serão hoje (segunda) e terça, pelo projeto Clube do Choro Convida


postado em 12/03/2018 07:34 / atualizado em 12/03/2018 10:00

A cantora Leny Andrade comemora 60 anos de carreira este ano com show nesta segunda e terça no Clube do Choro (foto: Arquivo CB/D.A Press)
A cantora Leny Andrade comemora 60 anos de carreira este ano com show nesta segunda e terça no Clube do Choro (foto: Arquivo CB/D.A Press)
Leny Andrade ainda era uma adolescente quando, no início da década de 1960, estreou profissionalmente como crooner da orquestra de bailes de Permínio Gonçalves. Logo depois passou a cantar no trio de Sérgio Mendes nas boates Bacará e Bottle’s, no Beco das Garrafas, em Copacabana — tido como o berço da bossa nova.

Foi ali onde surgiu uma das maiores estrelas da música popular brasileira, reverenciada no exterior, que em 2018 completa 60 anos de carreira. Ela deu início à celebração da data apresentando-se no palco do Blue Note, casa noturna as Zona Sul carioca, em 25 de janeiro último. Naquele dia, em plena forma, ela comemorou 75 anos de nascimento.

Desde então, Leny está em turnê pelo país. Quinta e sexta-feira últimas, dividiu o palco do Sesc Pompeia, em São Paulo, com Ellen Oléria. De volta A Brasília, faz dois shows neste começo de semana, ambos no Espaço Cultural do Choro. O primeiro é hoje (segunda, dia 12 de março), às 21h; e o outro amanhã (terça), no mesmo horário, tendo a companhia do consagrado violonista Luiz Meira, com quem vem trabalhando ultimamente.

Na criação do repertório desse show, a cantora, considerada a grande intérprete do jazz no país, privilegiou músicas que se tornaram marcantes em sua trajetória, como Estamos aí (Durval Ferreira, Maurício Einhorn), Rio (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), Céu e mar (Johnny Alf), Influência do jazz (Carlos Lyra) e o bolero Contigo aprendi (Armando Manzanero), além do pout pourri de Tom Jobim que inclui Este seu olhar, Triste, Vivo sonhando , Você vai ver e Garota de Ipanema.
 
Entrevista // Leny Andrade 
 
 
Aos 16 anos, você começou a cantar em boates do Beco das Garrafas, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Não havia 
fiscalização na época?
Claro que havia. O meu pai sempre estava comigo e quando os fiscais da área de diversão estavam se dirigindo para o Bottle’s e o Bacarat, as direções das casas eram avisadas e eu deixava o palco e ia para os bastidores. Para mim, foi um começo glorioso, sendo acompanhada pelo então jovem pianista Sérgio Mendes, que sempre teve fama de exigente. Comecei no Baracat e, três meses depois fui contratada pelo Bottle’s, ganhando o dobro.

Quando Dick Farney a convidou para ser crooner da orquestra que ele montou em São Paulo?
Fiquei cantando quase um ano entre o Bacará e o Bottle’s. Aí, o Dick Farney ficou sabendo do sucesso que eu fazia no Beco das Garrafas e me levou para ser crooner da orquestra dele, que se apresentava no circuito noturno paulistano. À época, eu tinha 17 anos e cantava samba, bossa nova, jazz internacional e bolero, já com arranjos moderníssimos. Fiquei no conjunto do Dick durante um ano e meio. Ai, voltei para o Rio, onde passei a ser acompanhada pelo pianista Tenório Jr, num lugar chamado Manhatan, em Copacabana.

Onde foi sua primeira apresentação no exterior? 
Meu debut no exterior foi na Argentina, quando eu tinha 19 anos. Recebi o convite para cantar em Buenos Aires, na La Noche, casa de ninguém menos que Astor Piazzolla. Ele já era bem famoso, por ter criado o nuevo tango, com a utilização de elementos do jazz no tradicional ritmo portenho. Lá, fiquei um mês em cartaz.

No México foi uma temporada maior?
Muito maior. Fui para o México em 1966 e fiquei lá por cinco anos e meio. Inicialmente, eu era atração solo, no Elephant Rose, num complexo de entretenimento chamado El Senhorial, na Caje de Hamburgo, que possuía quatro espaços. Meses depois, o Pery Ribeiro chegou por lá e nos juntamos para fazer o espetáculo Geminy 5, que cumpriu uma longa temporada. No México, eu era tratada como uma celebridade.

Em que lugar passou a cantar no seu retorno ao Rio?
Onde cantava com maior frequência era no Chico’s Bar, na Lagoa, que tinha como dono o Chico Recarrey, conhecido naquele tempo como o rei da noite do Rio, por possuir várias casas noturnas. Ali, fiquei por muito tempo. Foi lá que recebi o telefonema de um produtor americano, que me convidou para me apresentar no Blue Note, em Nova York. Naquele templo do jazz, estreei em 27 de agosto de 1983. Lá, fiquei em cartaz durante um mês. Depois, voltei aos Estados Unidos várias vezes para outras apresentações, inclusive no Blue Note, além de ter gravado um disco, lançado no mercado norte-americano.

Além dos Estados Unidos, em que outros países você tem feito shows?
Já viajei para o exterior levando o meu trabalho quase 40 vezes. Na Europa, por exemplo, fiz incontáveis shows. Na Holanda, gravei com o fantástico gaitista Toots Thielemans. Estive na Austrália e na minha primeira ida ao Japão, no final dos anos 1990, organizada por Roberto Menescal, fui apresentada ao Romero Lubambo, com quem já fiz vários shows e gravei disco.

Quantos títulos fazem parte de sua discografia?
Já lancei 33 discos, entre LPs e CDs e um DVD. O que gravei mais recentemente e ainda não lancei é dedicado a Fred Falcão, um compositor com um trabalho na linha do Johnny Alf, ainda pouco conhecido. O CD será lançado em breve pela Biscoito Fino.

Entre intérpretes de diferentes gerações, por quem tem admiração?
Sempre fui admiradora do canto preciso e afinado de Joyce Moreno. Gosto bastante de Sandy e de Ellen Oléria, com quem dividi o palco no último fim de semana, no Sesc Pompeia, em São Paulo. Além de nós duas, tinha a americana Ema Thomas.

Ao longo da carreira, você veio várias vezes a Brasília para shows. Que impressão a cidade lhe causa?
Sou apaixonada por Brasília. Adoro o formato, a arquitetura da cidade, que tem um céu esplendoroso. Adoro a canção Céu de Brasília, do Toninho Horta e Fernando Brant. Já falei para o Toninho que vou gravá-la num próximo disco. 
 

Leny Andrade
Show da cantora, acompanhada pelo violonista Luiz Meira, hoje e amanhã (dias 12 e 13 de março), às 21h, pelo projeto Clube do Choro Convida. No Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental, ao lado do Centro de Convenções Ulysses Guimarães). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia para estudante). Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: 3224-0599

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade