Publicidade

Correio Braziliense

Apesar de #MeToo, diferença salarial persiste em Hollywood

Em 2017, Emma Stone, a atriz mais bem paga do mundo, teria terminado em 15º lugar se a classificação fosse mista


postado em 14/03/2018 18:32

(foto: Frederick M. Brown/Getty Images/AFP)
(foto: Frederick M. Brown/Getty Images/AFP)
 
Apesar do sucesso dos movimentos #MeToo e Time's Up, as mulheres continuam ganhando menos que os homens em Hollywood. O último exemplo é Claire Foy, a rainha Elizabeth II de "The Crown", que ganha menos que seu príncipe consorte.

Os produtores da série Netflix admitiram que Foy, que atuou como a rainha nas duas primeiras temporadas, ganhou menos que seu colega Matt Smith, que interpretou o príncipe Philip de Edimburgo. 

A disparidade entre os salários de atores e atrizes em Hollywood não é novidade. A classificação dos atores mais bem pagos do mundo, publicada pela revista Forbes, demonstra isso a cada ano. 

Em 2017, Emma Stone, a atriz mais bem paga do mundo, teria terminado em 15º lugar se a classificação fosse mista.

Mas, fora a Forbes, há poucos dados e estudos sérios, e o silêncio reina no assunto. 

"Os agentes dizem que você não deve falar sobre o problema", diz Melissa Silverstein, fundadora do site Women and Hollywood. "Nós não compartilhamos essa opinião". 

Mas nos últimos meses, graças ao impulso histórico com a defesa das mulheres no escândalo de Weinstein, começaram a surgir sinais de revolta e questionamento do status quo. 

No início de janeiro, a imprensa dos Estados Unidos revelou que a atriz Michelle Williams recebeu mil dólares para regravar cenas do filme "Todo o dinheiro do mundo", enquanto seu parceiro de tela Mark Wahlberg pagou 1,5 milhão de dólares. 

A controvérsia levou ao ator americano - o mais pago em Hollywood - a se comprometer publicamente a doar todo o valor recebido para o fundo de defesa legal da nova associação Time's Up, que combate o abuso sexual, nascida após o escândalo de Weinstein.

Para Silverstein, o simples fato de a questão ser discutida já é "revolucionário" e "um fator de mudança".

No caso Foy, a situação parece mudar, mas talvez tarde demais. 

"A partir de agora, ninguém vai receber mais que a rainha", prometeu nesta terça-feira Suzanne Mackie, uma das produtoras-executivas da série.

Contudo, Foy será substituída por Olivia Colman, para interpretar uma rainha Elizabeth mais velha na terceira temporada.

Silverstein acredita que, mesmo assim, o anúncio é importante e que estúdios e produtores já não podem ignorar o debate.

"Devem subir no trem, porque ele está andando", afirmou. "É preciso avançar no sentido da história". 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade