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Correio Braziliense

Conheça os bastidores, as tendências e o status do stand up

O Correio ouviu três humoristas com experiência no assunto para falar à quantas anda e para onde vai o stand up nacional


postado em 21/03/2018 07:30 / atualizado em 21/03/2018 14:40

Daniel Villas-Boâs: o stand up é quase imbatível(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Daniel Villas-Boâs: o stand up é quase imbatível (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)


Já teve aquela sensação de que o stand up anda meio esquecido? O gênero — que se baseia em um espetáculo de “comédia nua”, ou seja, sem adereços nos palcos — e que ajudou a fazer a fama e popularização do humor nacional, parece ter vivido o ápice, mas engana-se quem pensa que esse tipo de comédia está desaparecendo, pelo contrário.

O Correio ouviu três humoristas  com experiência no assunto para falar à quantas anda, e principalmente, para onde vai o stand up nacional. Entre as respostas de Arianna Nutt, Daniel Villas-Boâs e Felipe Gracindo, alguns pontos ficaram claros: o gênero não está morrendo, sua receita de sucesso não está só na internet e seu futuro será um “hábito” no consumo do brasileiro, mesmo sofrendo uma limitação pelo “politicamente correto”.

Independência e arte


O humorista Daniel Villas-Boâs, que trabalha com humor no grupo Sete Belos desde 2005, é um dos que acredita que, mais do que uma influência de humor norte-americano, o stand up já pode ser inserido como uma forma de arte, essencialmente brasileira. “No começo, nosso stand up era muito engessado, preso naquele contexto norte-americano, e não tinha problema, funcionava muito bem. Mas com o tempo, esse humor foi amadurecendo e hoje em dia ficou mais com a nossa cara, com a nossa forma, o que funciona melhor no cotidiano da nossa cultura. Não existe mais só piada de sogra, ou coisas assim, existe o nosso jeito, nossos problemas”, defende.


Felipe Gracindo, humorista no grupo G7 há 16 anos e o grande vencedor do prêmio Multishow de humor de 2016, complementa. “A pessoa precisa ter muita coragem para fazer. Porque ela não está munida de outras ferramentas, ele está de cara limpa, é um dialogo com a plateia, ele precisa entender o que a plateia responde, o tempo todo é um convite à improvisação”.

Palco e YouTube


Um dos grandes responsáveis pela popularização do stand up no Brasil foi a paralela ascensão da internet e de humoristas dispostos a apostar neste meio para a divulgação de seu trabalho, defende Villas-Boâs. “Com certeza, teve essa onda, eu não sei se dá pra colocar uma data exatamente, mas houve essa primeira leva de comediantes, como Danilo Gentilli, Rafinha Bastos. Eles não foram os primeiros do gênero, que já foi feito por gente como Chico Anysio, mas que incentivou muito outros humoristas a se arriscar no stand up, a se popularizar”.

Mas o sucesso funciona da internet para os palcos ou dos palcos para a internet? De acordo com o humorista da Sete Belos, a importância das ruas é básica. “O caminho é assim: o comediante tem de achar seu tipo de comédia no stand up, com um bom texto, que é lapidado no teatro e, principalmente, nos barzinhos, deixando-o melhor com o feed da plateia, ali todo dia. Depois, entra no contexto da internet, lá no YouTube ele consegue ser conhecido nacionalmente, o pessoal sabe pela internet. Mas, para chegar lá, ele precisa ter um bom material, com um texto já bem lapidado dos bares e teatros locais”.

Trabalhando há seis anos com o stand up em São Paulo, Arianna Nutt, que aos 32 anos largou tudo para se dedicar à comédia, também reforça a importância do cotidiano imerso nas ruas para o sucesso da carreira como “stand uper”. “O grande caminho para ir bem no stand up é ir atrás. A gente sempre busca estar no show das outras pessoas para ajudar. Se eu sou mais famosa que outro eu vou, eu divulgo para ajudar. Tem algumas brigas de egos, mas existe muito mais ajuda ainda. A gente tem de sempre ir aos bares, aos locais, afinal, quem não é visto, não é lembrado”.


Futuro e  hábito


O questionamento sobre o fato da onda do stand up ter passado tem uma resposta simples: ela virou um oceano. Os comediantes que trabalham com o gênero defendem que o fato de sua expressão ter tido um ápice não significa que ele tem só 15 minutos de fama, mas, sim, que sua popularização deixou esta forma de comédia como um hábito do brasileiro, após uma exponencial popularização.

“Eu não diria que o momento do stand up passou. Acho que ele virou mais um hábito, não é mais uma moda, é uma questão que as pessoas têm de como algo natural agora, ir para o stand up é como ir ao cinema”, defende Gracindo.

* Estagiário sob a supervisão do subeditor Severino Francisco
 
 
 
 



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