Publicidade

Correio Braziliense

Trupe Pro um fio mistura circo, teatro e dança em espetáculo poético

"Sobre silêncios" pode ser visto no Sesc até sábado


postado em 22/03/2018 07:30 / atualizado em 21/03/2018 18:31

(foto: Caren Henrique/Divulgação)
(foto: Caren Henrique/Divulgação)



Envoltos pela linguagem poética do teatro a trupe Por um fio reuniu diferentes linguagens em cena para tratar da violência em suas diversas nuances. O espetáculo Sobre silêncios cria um emaranhado de sensações contemporâneas entre a expressividade do circo, acrobacias aéreas, música, dança e teatro de formas animadas. Entram em cena os anseios e vazios contidos na memória e nas histórias experimentadas pelos personagens. 

O grupo, que nasceu em Planaltina, tem por característica básica a união de diferentes expressões artísticas, e seus integrantes transitam desde a arte urbana até a cultura popular. A diversidade de linguagens mostra eficiência nos palcos por onde passa o espetáculo.

Mariana Camargo faz parte da trupe há um ano e meio e conta que todos os integrantes trabalham com linguagens diferentes, que se conectam por meio da arte. O circo é o ponto de união no grupo, mas, por meio desse ponto em comum, transitam diferentes formas de expressão. “Utilizamos o foco de pesquisa e atuação de cada um, mas tentamos sempre expandir nosso aprendizado e experiência como grupo e indivíduos. Todos fizeram parte do processo criativo, colocando um pouco da sua vivência artística na criação”, destaca a artista.

O espetáculo atual foi criado pelos integrantes da companhia de maneira coletiva e teve início em um projeto de incubadoras de grupos no movimentado espaço brasiliense Pé Direito. A direção ficou por conta de Luciano Czar e Cristian Paz, que deram forma ao processo de dramaturgia e coreografias construídas em conjunto. No palco, fica visível a pluralidade de linguagens que permeiam o grupo. A arte circense dos aparelhos aéreos se mistura com a dança contemporânea e o teatro, tudo se complementa.

(foto: Caren Henrique/Divulgação)
(foto: Caren Henrique/Divulgação)


A ideia é tratar, em cena, da violência a partir de diversas perspectivas. “Despertamos a temática a partir da violência explícita, que deixa marcas visíveis e irreparáveis na sociedade, como a violência contra a mulher, relacionamentos abusivos, violência contra a criança”, conta Mariana. Em seguida, o grupo transita também por violências cotidianas mais veladas, como o excesso de trabalho, e o bullying.

Nickolas Campos também é integrante da trupe e conta que a questão do silêncio tornou-se importante a partir da própria pesquisa e experimentação para as cenas. Ele destaca que muitas pessoas sofrem diferentes tipos de violência em silêncio, sem conseguir se manifestar, e é esse silêncio que o grupo leva para o palco. “Nossos personagens mostram relações de violência de suas histórias ou o resultado de experiências passadas”, destaca.

Como a pluralidade de linguagens sempre foi uma marca do grupo, Nickolas conta que organizá-las no palco foi um processo tranquilo. A parte mais difícil do processo foi organizar as estruturas de violência em cena e entender como cada uma poderia dialogar com a outra. “Além disso, nos preocupamos em como encaixar momentos de alívio para o público, que estaria sendo bombardeado de informações”, conta.



O ator lembra que, em maior ou menor grau, todos os membros transitam entre todas as linguagens que a trupe trabalha, sempre focando mais em aprimorar suas aptidões e trabalhar com os pontos de dificuldade. A rotina de criação é intensa.  Foram cinco meses de ensaio e preparação.

No espetáculo, o silêncio surge como uma forma de expressar as angústias, anseios e questões que a violência traz. No palco, o silêncio fala tanto quanto o barulho e, através dele, é possível contar histórias de personagens que transitam entre o real e o imaginário. As cenas são sonorizadas com músicas autorais executadas ao vivo, mostrando que a necessidade do silêncio e o movimento das canções andam juntos.


Espetáculo Sobre silêncios
Com a Trupe por um fio, amanhã, no Teatro Sesc Paulo Gracindo (gratuito) e sábado, no Teatro Dulcina (R$ 10 a inteira), sempre às 20h. A classificação indicativa é de 16 anos. 
 
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade