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Correio Braziliense

Dupla homenageia Aracy de Almeida no Clube do Choro hoje

Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker fazem shows com clássicos que consagraram a artista


postado em 27/03/2018 06:19

 
 
Marcos Sacramento é intérprete de muitas facetas. No segundo semestre de 2017, brilhou no musical Puro Ney no qual, ao lado da atriz e cantora Soraya Ravengle, fazia releitura teatral de canções do repertório de Ney Matogrosso. Recentemente lançou o CD Aracy de Almeida — A rainha dos parangolés, num tributo à inesquecível cantora carioca.

Sobre o cantor niteroiense, o biógrafo Ruy Castro escreveu: “Não há nada que Sacramento não possa cantar. Seu domínio é absoluto quando solta a voz e, se quiser, se adianta e se atrasa, faz recitativo ou breque, muda de tom no meio de uma palavra e aterrissa com perfeição na última sílaba. Tudo isso com o maior balanço. Não é apenas um sambista perfeito, mas um cantor completo”.

De volta a Brasília, onde  esteve algumas vezes, participando de diferentes projetos, ele divide a cena no Espaço Cultural do Choro com o violonista Zé Paulo Becker hoje, às 21h, no show em que revisita os afro-sambas, criados por Baden Powell e Vinicius de Moraes —, capítulo importante da antologia da música popular brasileira — e registrados em LP de 1966.

“Esse show foi idealizado há cinco anos e fez parte do projeto Vinicius, o poeta do encontro criado pelo Centro Cultural Banco do Brasil, para celebrar o centenário de Vinicius de Moraes. No ano passado, o Zé Paulo Becker e eu voltamos a fazê-lo, em comemoração aos 80 anos do Baden Powell, inclusive no Blue Note, no Rio. Queríamos muito levá-lo a Brasília, e o convite do Clube do Choro veio em boa hora”, comemora Sacramento.

No show, estão em destaque os afro- sambas Canto de Ossanha, Canto de Xangô, Canto de Iemanjá, Bocachê, Tempo de amar e Tristeza e solidão. O repertório é complementado por outras canções gravadas pelo cantor e por temas de autoria do violonista, integrante do Trio Madeira Brasil. “Mostraremos também músicas que gravamos juntos no CD Todo mundo quer amar, lançado em 2010”, anuncia.

Sacramento acaba de lançar seu 11º disco, com o qual presta tributo à memória de Aracy de Almeida, na passagem dos 30 anos da morte da “Arquiduquesa do Encantado”. Com produção de Hermínio Bello de Carvalho, ele teve a companhia do violonista Luiz Flávio Alcofra e conta com a participação da cavaquinista Luciana Rabello.

Com 10 faixas, o álbum, que saiu pelo selo carioca Acari Records, traz clássicos, como Filosofia, São coisas nossas, O orvalho vem caindo e Último desejo (Noel Rosa), Camisa amarela (Ary Barroso), Louco (Wilson Batista e Hennrique de Almeida) e Quando tu passas por mim (Antônio Maria e Vinicius de Moraes).

“A minha geração conheceu a Aracy como a jurada mal-humorada do programa do Sílvio Santos. Que revelação descobrir a cantora! Na década de 1990, comecei a gravar Noel nos meus discos de samba e percebi que Aracy sempre foi vanguarda: andava com os poetas, bebia com os boêmios e cantava com uma liberdade acintosa para a época. Iconoclasta, outsider, debochada, dos parangolés e, ainda assim, diva”, elogia.

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