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Correio Braziliense

Em comparação com vizinhos, locações de filmes no Brasil ainda são baixas

Mercado das locações cinematográficas tem incentivo baixo no Brasil, mas Ancine planeja mudar esse panorama


postado em 27/03/2018 06:25 / atualizado em 26/03/2018 20:29

Cena do longa Feito na América, estrelada por Tom Cruise, superprodução de Hollywood com locações na Colômbia(foto: Reprodução/Internet)
Cena do longa Feito na América, estrelada por Tom Cruise, superprodução de Hollywood com locações na Colômbia (foto: Reprodução/Internet)


Tiroteios, explosões e perseguições. O ano de 2018 começou agitado em Bogotá, capital da Colômbia. Mas não se trata de nenhum conflito de guerrilha armada — que marcou por décadas o país. A agitação nas ruas da cidade latino-americana fazia parte das gravações do filme Mile 22, que, planejado para ser uma trilogia, é uma verdadeira potência de bilheteria de Hollywood, contando com atores do nível de Mark Wahlberg, John Malkovich e Lauren Cohan.

A grande surpresa não é o fato de a Colômbia receber as gravações de Mile 22, mas também servir de locação para outras grandes apostas do cinema norte-americano, como Feito na América (com Tom Cruise), Jungle (com Daniel Radcliffe) e Amando Pablo (com Penélope Cruz). O mercado que busca filmes internacionais para usar determinadas locações mundo afora é acirrado e ter suas terras perpetuadas em um grande blockbuster de Hollywood, então, vale ouro.

E as produções de filmes estrangeiros geram impactos positivos na economia dos territórios que os recebem, como no turismo, comércio local, serviços e a própria oxigenação da indústria audiovisual, que pode ganhar com a experiência e tecnologia especializada. Foi visando a esses lucros que a Colômbia aprovou, em 2013, o Projeto de Lei 1556, que incentiva o recebimento de produções internacionais em seu território e agora recolherá os frutos de tais incentivos.

No último ano, o governo investiu pouco mais de U$ 17 milhões para retornar o preço de contratação de empresas prestadoras de serviço e gastos em material cinematográfico. Em compensação, recebeu cerca de U$ 50 milhões ao girar as economias locais. Além disso, a própria indústria colombiana foi afetada, passando de três gravações originais em 2003 para 44 em 2017, de acordo com o jornalista Oscar Escamilla.

O milagre das locações


O Correio foi atrás dos órgãos responsáveis por conferir como anda o cenário brasileiro em relação a locação de territórios para filmagens internacionais. A conclusão é de que o Brasil – que tem paisagens já conhecidas em grandes produções como Velozes e Furiosos 5, a saga Crepúsculo e Ensaio sobre a cegueira – ainda caminha a passos lentos em relação a internacionalização de locações.

A Rebrafic (Rede Brasileira de Film Commissions) — associação nacional de film commissions (FCs) sem fins lucrativos com o objetivo de promover locações em território nacional —, por meio de seu diretor, Steve Solot, aponta que o Brasil está substancialmente para trás na corrida por locação, principalmente no cenário latino-americano: “Atualmente, na América Latina, seis países oferecem incentivos para atrair produções estrangeiras, sendo que o dinheiro desembolsado é sempre recebido pela empresa produtora local contratada pela empresa produtora estrangeira. São eles: Chile, com reembolso de 30%; México, com reembolso/isenção de 16% de imposto de valor agregado; República Dominicana, com crédito transferível de 25%; Panamá com reembolso de 15% e Colômbia com reembolso de 40%, mais 20% para gastos logísticos”.

A associação ainda aponta que o retorno econômico pode ser substancial para os países que estão abrigando uma produção. "Nos EUA, por exemplo, a filmagem de um longa-metragem de um dos 'major studios' de Hollywood gera, em média, US$ 200 mil por dia em atividade econômica e receitas públicas, de acordo com dados da Motion Picture Association of America (MPAA). 

Contexto brasileiro


A Ancine (Agência Nacional do Cinema) lembra que as filmagens estrangeiras no Brasil dependem de uma série de resoluções, e que entre elas, a associação dos estúdios internacionais a coprodução cinematográfica brasileira. Ainda de acordo com o órgão, não existem incentivos federais diretos para o estímulo de filmagens externas em território nacional. A própria Ancine também reconhece que as filmagens estrangeiras podem “gerar impacto positivo na economia dos territórios que as acolhem”, e que para isso, já existe um estudo em andamento para verificar a melhor forma de implementação. Ainda de acordo com a agência, os planos envolvem a criação de uma rede de investimentos baseados em um Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que seja capaz de “colocar o Brasil num outro patamar de competitividade no cenário global”.

A Ancine acrescenta que outro passo importante para atrair produções internacionais em solo nacional passa por uma desburocratização dos processos de atividades: “Serão desenvolvidas linhas do FSA para coprodução internacional e as normas que regulamentam essas coproduções serão revistas de forma a simplificar e dinamizar a atividade no território brasileiro. Investimento em formação e capacitação no curto prazo e no desenvolvimento de centros de tecnologia audiovisual, no médio prazo, serão formas de atrair cada vez mais as produções e coproduções internacionais”.

*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco
 
 

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