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Correio Braziliense

Exposição traz peças de Francisco Brennand a Brasília

Francisco Brennand - Mestre dos Sonhos recebe mais de 30 peças em mostra que celebra os 90 anos do mestre


postado em 27/03/2018 06:05 / atualizado em 27/03/2018 10:27

Ovos, serpentes e símbolos fálicos são formas recorrentes do artista pernambucano Francisco Brennand(foto: Rafael Martins/Divulgação)
Ovos, serpentes e símbolos fálicos são formas recorrentes do artista pernambucano Francisco Brennand (foto: Rafael Martins/Divulgação)

 
Reproduzir a diversidade que hoje ocupa a mítica Oficina Brennand, em Recife, foi um dos objetivos que guiou a curadora Rose Lima ao conceber a expografia de Francisco Brennand — Mestre dos Sonhos, em cartaz a partir de hoje na Caixa Cultural. Com 31 peças, todas trazidas do templo de Francisco Brennand, ela recriou o universo de um dos mais longevos e produtivos artistas brasileiros contemporâneos. A intenção da mostra é comemorar os 90 anos de Brennand e os 100 anos da oficina, inaugurada pelo pai do artista, Ricardo, originalmente como uma olaria.

Rose conta que idealizou o formato da mostra depois de pesquisar outras exposições consagradas ao artista. “O Brennand tem uma obra fantástica, uma pessoa com 90 anos que até hoje produz, significa que tem uma obra incrível”, diz a curadora. “Queríamos contar a trajetória de vida dele, porque Brennand já teve outras exposições, inclusive internacionais, onde ele mostrava o que estava fazendo na época ou então a mulher na obra de Brennand. Mas o que quisemos fazer nessa exposição foi realmente uma celebração da vida dele. Então, contamos a trajetória do artista”.

Além de desenhos, pinturas e esculturas em cerâmica e em bronze, Rose reuniu um grande número de fotografias que mostram o artista desde a infância até hoje. “Conseguimos pinçar um pouco de tudo que ele já fez, não só de material, de linguagens diferentes, mas também de épocas distintas”, avisa a curadora. Há, por exemplo, um lote de desenhos realizados quando Brennand tinha 20 anos e morava em Paris, onde estudou pintura e onde descobriu que seu ídolos, Picasso e Gaugin, também trabalhavam com cerâmica.

Ao retornar de Paris, Brennand passou a encarar a cerâmica como material nobre e começou a incorporá-la em suas criações e a trabalhar junto ao pai, na olaria. “Mostramos, por exemplo, quando ele começa a pintar com suporte cerâmico”, avisa Rose. “E também contamos a história dele com os amigos.” O pintor Cícero Dias, radicado em Paris naquelas anos 1940, foi o cicerone de Brennand na capital francesa. Dias introduziu o escultor às vanguardas à frente de movimentos como o cubismo e o modernismo. Brennand também era muito amigo de Ariano Suassuna e chegou a ilustrar poemas do escritor. Na exposição, o público poderá conhecer um desenho do manto de nossa senhora, parte do figurino criado para o Auto da compadecida. “Ele criou o primeiro figurino para a peça”, conta Rose.
 

Influência baiana


O artista também tinha uma relação muito íntima com a Bahia e foi muito amigo de Lina Bo Bardi, que morou em Salvador nos anos 1960 e projetou alguns prédios para a capital baiana. Ela também organizava exposições e salões dos quais Brennand participava. Rose levou para a exposição uma pintura de São Francisco selecionada por Lina para um salão.

A mitologia da qual saíram os temas recorrentes na obra do artista também tem lugar especial na mostra. Símbolos como o peixe, o ovo, a serpente, a mulher e a fecundidade estão presentes, além de uma planta do espaço Francisco Brennand, em Recife, que ajuda o visitante a compreender a dimensão e a importância desse material na obra do artista. “O espaço que ele ocupa hoje, para onde ele foi em 1971, que era a antiga cerâmica do pai, ele cria como um grande templo, com inspirações variadas. Alguns acham que é um templo grego, outros, que é um templo fenício. Na verdade, ele diz que a mitologia sempre foi um tema que o agradou muito e que, a partir das várias inspirações e do conhecimento que adquiriu sobre isso, ele cria uma mitologia própria”, explica Rose.

Na Bahia, o pernambucano também teve contato com o candomblé e se encantou com o Ifá de Oxossi, cujos símbolos do arco e da flecha passaram a representar a própria Oficina Brennand. Uma entrevista com o artista, gravada em Pernambuco, acompanha a mostra. “Tem tudo a ver com ele, que é aquele homem que está dentro daquele espaço que, na verdade, é uma grande reserva na Mata Atlântica. A oficina está dentro dessa região e lá ele meio que um Oxóssi que toma conta da mata”, compara Rose. Uma série de autorretratos dos 19 aos 87 anos e alguns clássicos da produção do artista, como a esculturas Joana d’Arc, Lígia, Antígona e Torre de Babel, também integram o acervo mostrado na Caixa.

Francisco Brennand – Mestre dos Sonhos
Abertura hoje, às 19h, na Caixa Cultural (SBS – Quadra 4 – Lotes 3/4 - Brasília –DF). Visitação até 20 de maio, das 9h às 21h, de terça a domingo.

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