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Correio Braziliense

Conheça artistas que estão se destacando no novo cenário pop brasileiro

Música pop brasileira está repleta de novos representantes. Saiba quem são.


postado em 28/03/2018 07:00 / atualizado em 28/03/2018 10:16

Cantora gaúcha Clau(foto: Guto Costa/Divulgação)
Cantora gaúcha Clau (foto: Guto Costa/Divulgação)

O estilo pop nunca esteve tão em alta no Brasil como nos últimos anos. O gênero abriga hoje uma centena de artistas que sofrem influências de diferentes vertentes e ritmos e preferem se definir como cantores que fazem um som “popular”. Dentro do pop, como em qualquer outro estilo musical, há diferentes ramificações, indo do mais dançante ao mais alternativo. A ascensão do ritmo, além de valorizar artistas já conhecidos, revelou novos talentos. O Diversão & Arte apresenta cinco artistas que estão se destacando na música brasileira.

Clau
Esse é o caso da cantora gaúcha Clau, de 21 anos, que chama atenção desde lançamento do single Relaxa, que tem mais de 3 milhões de visualizações no YouTube, e do apadrinhamento de Anitta. Nascida Ana Cláudia Scheffer Riffel, Clau se lançou no mundo da música ainda na adolescência. Com 15 anos, ela já publicava na internet vídeos covers, que serviram para preparar e projetar a cantora para a carreira. “Comecei com o cover porque é mais bem-aceito. Mas a passagem foi quando vi que tinha muitas ideias e sentimentos para compartilhar. Sempre gostei de escrever, então foi natural. Eu sabia que tinha mais para proporcionar do que só os covers”, conta Clau.

Com a confiança estabelecida e composições feitas, Clau começou a gravar algumas canções, que deram origem ao EP #Relaxa, lançado em março nas plataformas digitais. O material é composto por cinco faixas, sendo uma de introdução. “Gravamos diversas músicas e selecionamos algumas por ser um disco de introdução ao meu trabalho. É um material para me apresentar, então ele mostra todos os meus lados”, revela.



Clau explica, por exemplo, que Relaxa é uma faixa mais para cima e dançante, enquanto Me sentir é uma canção mais romântica que foi gravada em dueto com Luccas Carlos. Já Menina de ouro e Não são faixas que falam sobre empoderamento feminino. “Num primeiro momento, escutando meu trabalho as pessoas não pensam que há uma influência do rock ou outro estilo musical. Escolhi fazer algo mais pop, mas com influência do R&B, hip-hop e do rap”, conta.
 
Duas perguntas // Clau

O gênero pop vive um ótimo momento na música brasileira. Como você enxerga essa mudança?
Eu acho ótimo porque quando eu era criança tinham poucos artistas do pop no Brasil, no sentido de ser um artista que faz vídeo, se importa com o figurino, faz coreografia... A gente tinha que buscar influências de fora. Hoje temos isso no Brasil.

A Anitta é sua empresária e te apadrinhou. Como é a relação de vocês?
É ótima, ela é uma pessoa com muita experiência. Ela já passou por tudo isso que eu estou passando. Então, ela pode me guiar. Ela é uma motivação, por ser uma artista bem-sucedida e por tudo que tem conquistado. 

(foto: Sony Music/Divulgação)
(foto: Sony Music/Divulgação)


Tais Alvarenga
“‘É um disco na contramão dessa narrativa atual, em que o mundo vive de muito espetáculo”. É assim que a carioca Tais Alvarenga define o primeiro trabalho da carreira, o álbum Coração só, lançado em março. O material é formado por 16 faixas, todas escritas pela cantora, e teve produção de Pupillo, da banda Nação Zumbi, e de Carlos Trilha, produtor musical que trabalhou com nomes como Renato Russo. “Foi uma honra. O Pupillo teve uma generosidade de observar cada detalhe do que eu fazia. Ele é um cara que briga pela música em si, não pensa no viral. O que foi uma sorte um alívio muito grande. Gravamos no estúdio do Trilha, que tem uma bagagem enorme e doou muita coisa para esse disco”, destaca.

Coração só chega depois da divulgação de três singles: Tudo, Esse lugar e Você se enganou, que serviram para apresentar o trabalho da carioca, que retornou ao Brasil para se lançar no mercado após uma temporada nos Estados Unidos estudando música contemporânea na Berklee College of Music, em Boston. “Foi a experiência que fez com que musicalmente eu expandisse as minhas ideias. É um lugar onde as pessoas estão produzindo, fazendo as coisas, foi muito bom morar num país em que as pessoas valorizam a música. Por isso foi um pouco difícil voltar para o Brasil”, completa.



Bastante biográfico, o álbum de Tais Alvarenga reúne composições que falam sobre amor de uma maneira profunda e também frágil. “Com esse disco quero brigar para ser uma artista que não esteja em um lugar padronizado. Quero ter essa liberdade enquanto mulher. Acho que hoje existe uma sensação de que as mulheres precisam dominar, tem que ter as inimigas, beber até cair. Eu queria falar sobre a mulher que sou, uma mulher que ama muito. E o tempo do amor é diferente do tempo do mundo. O que é verdadeiro dói mais no peito. Esse álbum é para mulheres que querem viver coisas profundas”, analisa.
 
Duas perguntas // Tais Alvarenga

Como você começou se descobriu na música?
Eu acho que ainda estou me descobrindo. A voz para mim é um instrumento, apesar de aqui no Brasil as pessoas acham que é uma coisa natural de quem canta. A voz é um instrumento muito sério, porque está no seu corpo. É um pouco incompreensível para mim, porque não tenho família de músicos. Eu nasci um pouco diferente de tudo. Foi difícil encontrar identificação no mundo quanto pessoa, menina, família, quando encontrei a música foi uma coisa forte. Nem a minha família entende muito. Quando eu era pequena cantava letras das músicas, tocava um pianinho e as pessoas achavam estranho. Tenho uma ligação com a música, que entendo que ela me escolheu. Hoje a música é o que me faz estar viva, é o lugar onde consigo expressar toda a intensidade que sinto.

Você teve experiência musical fora do Brasil. Como analisa o mundo da música hoje no país?
Temos duas vias muito interessantes. Uma é muito positiva, que é o fato de hoje os artistas poderem se lançar sozinhos, ao mesmo tempo que isso não fortalece tanto os novos artistas. O Brasil é o país onde as pessoas não escutam música, elas escutam o que é viral, bizarro, o que chama atenção, o que é bom para dançar e beber. Eu voltei porque sou patriota. Quero muito ser uma musicista no meu país. Quero que as pessoas tenham um ouvido mais aberto. Fiz um disco inteiro e muita gente falou que eu não deveria ter feito isso. A música precisa ser valorizada na sua essência, na forma como era antigamente. As pessoas precisam entender porque cada instrumento está ali. Eu que estudei regência sei que isso tem um valor enorme. No nosso país o público não escuta, vê mais do que escuta. E isso é um ponto negativo. É algo que precisamos lutar contra mesmo, temos que aproveitar para nos expressarmos.

(foto: Naira Mattia/Divulgação)
(foto: Naira Mattia/Divulgação)


Geo
Outro nome que vem se destacando no cenário é o da paulista Geo. No ano passado, ela lançou o EP Salva-vidas, formado por cinco faixas: a canção-título, Satélite, Boys R mean, Uma só e Mandíbula. As músicas figuraram entre as mais ouvidas no Spotify, dando visibilidade. “Eu sempre toquei, fiz escola de música. Mas eu era muito insegura de mostrar o meu trabalho autoral, porque meu corpo é fora do padrão, por ser mulher... Só que no começo do ano passado consegui derrubar essa barreira”, diz.

O primeiro trabalho da carreira de Geo não só lançou a cantora para o mercado, como mostrou que o pop pode ser um ritmo com diferentes influências. A sonoridade apresentada pela paulista é um misto de R&B, rap, hip-hop e batidas eletrônicas. “A galera costuma dizer que eu faço um pop triste, uma coisa sofrida, meio Marília Mendonça. (risos). Também já disseram que é um R&B futurista. Gosto de deixar os fãs definirem”, completa. Outra característica da artista é ter um discurso empoderado. “Eu sempre quis que as minhas experiências individuais virassem experiências coletivas. Todas as mulheres e as pessoas fora do padrão tem experiências parecidas”, conta.



Desde o lançamento do EP, Geo tem investido em divulgar clipes. Ela já lançou o vídeo de Satélite e produziu das canções Salva-vidas e Mandíbula. “Também estamos planejando um novo trabalho e organizando uma turnê. Esse ano, a intenção é lançar um álbum, mas no nosso tempo, porque quero seja bem bonitinho. Enquanto isso, vou soltar singles novos”, adianta.
 
Três perguntas // Geo

Como você analisa o cenário pop do Brasil?
Acho que, por causa da internet e da globalização, é muito difícil definir o que é pop. É algo que está nas pessoas, é um tipo de música que a galera ouve e dança, mas como outros estilos tem uma milhão de vertentes. O mercado de pop no Brasil está se abrindo.

Suas músicas têm mensagens de empoderamento. Qual mensagem gosta de passar em suas canções?
Eu sempre quis que as minhas experiências individuais virassem experiências coletivas. Todas as mulheres e as pessoas fora do padrão tem experiências parecidas. Fiquei muito feliz com a repercussão. Muitas pessoas LGBTs, mulheres e fora do padrão me procuraram. Fiquei muito feliz, porque era essa mensagem que eu queria passar. 

Você acha que o cenário dá mais espaço para mensagens desse tipo?
Acho que está tendo mais espaço porque o público está pedindo mais. O mercado da música não é mais tão duro. Hoje a gente não precisa mais de grandes gravadoras, consegue fazer o som pela internet. Eu me lancei só pela internet, sou uma artista independente, faço tudo pela internet. Por causa do streaming, as pessoas começam a ver mais mulheres, mais música negra, mais pessoas LGBTs e o mercado começa a mudar.  
  
(foto: UFO/Divulgação)
(foto: UFO/Divulgação)


Jão
“É que eu sou fraco, frágil, estúpido pra falar de amor/ Mas se for com você eu vou”. Essa é uma das frases da música Imaturo, que levou o cantor Jão a se tornar uma das sensações do pop atual. A faixa foi divulgada em janeiro e já figura entre os hits do momento, com mais de 6 milhões de visualizações no YouTube. Sobre o sucesso, ele diz não ter muita ideia, mas faz algumas apostas. “Acho que faço algo muito genuíno e verdadeiro. Acho que transparece para as pessoas”, analisa.

De Américo Brasiliense, cidade no interior de SP, assim como a maioria dos artistas atuais da música pop, foi pela internet que Jão deu início à carreira. Antes do sucesso de Imaturo, Jão já havia se destacado com o lançamento de Ressaca, que esteve no top 3 do ranking Virais do Brasil do Spotify, e tem ainda mais duas autorais divulgadas: Álcool e Dança pra mim.



Se inserir no mundo da música era algo natural para Jão. De uma família que valorizava a musicalidade, ele viu na arte um jeito de colocar o lado introspectivo para fora. “A música era minha brincadeira preferida na infância. Eu gostava de ficar no meu quarto ouvindo música e acabou que, no final, era algo que eu sabia que queria seguir na minha vida”, revela. Para este ano ainda prepara um álbum ou EP.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)


Jade Baraldo
Nascida e criada em Brusque (SC), a cantora deixou a cidade natal com 17 anos para tentar viver de música no Rio de Janeiro. Na empreitada, ela conheceu Hélio Delmiro, um dos guitarristas de Elis Regina, e o encontro foi o início da carreira. “Ele me passou muito da vivência com Elis e com a Sarah Vaughan e uma noite gravamos um vídeo de Bonita do (Tom) Jobim. Minha carreira começou ali. Foi o vídeo que inaugurou meu canal no YouTube”, lembra.

O vídeo teve 67 mil visualizações e a partir daí Jade começou a postar versões no canal até que, no ano passado, apostou na primeira faixa autoral, a canção Brasa, que teve mais de 2 milhões de visualizações no YouTube. O sucesso da música fez com que a cantora investisse ainda mais nesse tipo de conteúdo lançado Nem o mar (Pôde levar) e Vou passar. Neste ano, a cantora pretende divulgar ainda mais duas canções antes de lançar um álbum completo.



Artista independente, Jade Baraldo define o seu estilo como pop: “Compus as músicas que me lançaram, aos 18 anos, e isso em si já cria uma distinção com relação ao pop tradicional, onde frequentemente o processo de criação e produção envolve um time de escritores, como uma agência de publicidade fazedora de hit. Acho que tem seu valor também, não afasto a possibilidade de trabalhar nesse modelo. Mas gosto de pôr minha alma nas músicas, só disso não abro mão”. 
 
SERVIÇOS 
#Relaxa
De Clau. Universal Music, 5 faixas. Disponível nas plataformas digitais.

Coração só
De Tais Alvarenga. Sony Music, 16 faixas. Disponível nas plataformas digitais.

Salva-vidas
De Geo. Independente, 5 faixas. Disponível nas plataformas digitais.

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