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Correio Braziliense

Brasileiro que trabalha na NASA lança livro sobre experiência na agência

'A caminho de Marte -- A incrível jornada de um cientista brasileiro até a NASA' aborda desde início da carreira até os projetos na agência em que Ivair Gontijo trabalhou


postado em 29/03/2018 07:30 / atualizado em 28/03/2018 16:58

Trabalhar na NASA era um sonho antigo de Ivair Gontijo(foto: Arquivo pessoal/Divulgação)
Trabalhar na NASA era um sonho antigo de Ivair Gontijo (foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

"Como você foi parar na NASA?", "Existe vida em Marte?"e "O homem realmente foi à lua?". Esses são os questionamentos que o físico brasileiro Ivair Gontijo, um dos cientistas da NASA, está acostumado a ouvir constantemente. Tentando responder essas perguntas e outros questionamentos sobre a ciência, o universo e sua experiência na agência norte-americana, ele lançou neste ano o livro A caminho de Marte -- A incrível jornada de um cientista brasileiro até a NASA, da Editora Sextante.

A obra, que possui 288 páginas, conta a trajetória de Gontijo, que deixou a pequena cidade de Moema, no interior de Minas Gerais, para trabalhar na Califórnia no Jet Propulsion Laboratory, um centro tecnológico norte-americano que desenvolve sondas espaciais não tripuladas para a NASA. Um dos trabalhos mais conhecidos do brasileiro foi o envolvimento no lançamento do Curiosity, veículo que foi destinado à Marte para explorar a superfície do planeta. Ele liderou a equipe que construi os transmissores e receptores do radar usado na descida do veículo em Marte.

Robô Curiosity em Marte(foto: Cortesia NASA JPL - Caltech/Divulgação)
Robô Curiosity em Marte (foto: Cortesia NASA JPL - Caltech/Divulgação)


Detalhes do projeto, como as conquistas e os desafios, além de informações sobre a ciência e a agência em geral fazem parte do livro. Ao Correio, Ivair Gontijo conversou sobre a obra e também a experiência na NASA, que era um sonho antigo desde a época em que apreciava as estrelas em sua fazenda no interior.

Entrevista // Ivair Gontijo


O que o motivou a escrever um livro sobre a sua trajetória na NASA?
Nós cientistas precisamos divulgar a ciência de uma forma clara e fácil de entender. Quando as pessoas entendem, elas se entusiasmam com ciência e tecnologia. Por isso precisamos torná-las mais acessíveis ao público em geral, especialmente em um país como o Brasil. Além disso, no livro A caminho de Marte eu quero mostrar que grandes objetivos estão ao alcance da maioria das pessoas. Quero mostrar que coisas difíceis podem ser alcançadas por qualquer um que esteja disposto a pagar o preço em termos de foco, de muito trabalho e de paciência. Se meu caso serve de exemplo, então precisamos tentar de tudo quando estamos no início de nossas carreiras. Alguma coisa vai dar certo e em geral aquelas oportunidades pequenas acabam sendo as melhores. Os leitores desse livro também verão que precisamos aceitar riscos e não ficar acomodados. Não podemos sempre escolher o caminho mais fácil e seguro na vida. Enfim, no livro A caminho de Marte eu tento passar a ideia de que “seu futuro é de sua responsabilidade” e que as pessoas devem fazer disso seu lema.
 
Trabalhar na NASA era um sonho antigo? Como isso se deu?
As noites na Fazenda Água Branca, que eu administrei dos 18 aos 21 anos, eram muito escuras e o céu espetacular. Essa fazenda fica no cerrado do Norte de Minas e a cidade mais próxima ficava a 100 km de distância. Acho que foi lá que aprendi a gostar de astronomia. Mais tarde, quando estava fazendo física na UFMG, eu fiz uma iniciação científica em astronomia e aprendi muito sobre essa área. Depois, já morando na Califórnia, eu tentei várias vezes conseguir um emprego no JPL (Jet Propulsion Laboratory). Finalmente fui chamado para uma entrevista quando descobriram meu currículo no website de uma conferência em Los Angeles.
 
Com trabalhadores de diferentes nacionalidades, como era ser um brasileiro nesse ambiente?
Era e continua sendo ótimo! Durante o trabalho, em geral nós não estamos interessados na nacionalidade uns dos outros. O que estamos interessados é na contribuição técnica de cada um e o país de origem não importa. Tenho colegas de trabalho que vêm da França, Filipinas, México, Argentina, Guatemala, Romênia, China, Índia, Rússia, Vietna e Estados Unidos, além de outros países.
 
O que faz parte do seu trabalho na NASA que as pessoas nem imaginam?
Trabalhamos muito e no meu caso, porque moro a 50 km do JPL, acordo às 5h da manhã e estou no trabalho às 6h30. Vou para casa em torno das 17h e depois de um banho, jantar e uma caminhada no bairro, trabalho mais uma ou duas horas de casa. Depois disso vou dormir, porque no dia seguinte tudo começa de novo.
 
Depois do Curiosity, quais são seus projetos na NASA?
Trabalhei por três anos no estudo de uma missão para Europa, a segunda lua de Júpiter. Esse estudo foi confirmado como a missão “Europa Clipper” da NASA que está agora em fase de implementação. Desde 2015 estou trabalhando no projeto Mars2020, que mandará um novo veículo para Marte no ano de 2020. Eu sou o engenheiro responsável pelo instrumento “SuperCam”, que está sendo construído por uma parceria de três países. Parte do instrumento é construída na França e outra parte nos Estados Unidos, por um grupo de Los Alamos no Novo México. Pequenas amostras de minerais terrestres serão levadas para Marte, para calibrarmos o instrumento e isso está sob a responsabilidade de um grupo da Universidade de Valladolid na Espanha. Eu represento esses três grupos quando falo com os projetistas do veículo Mars2020 e vice-versa. Sou responsável por todas as interfaces entre o veículo e o instrumento. Por isso tenho viajado para a França a cada três meses e de vez em quando para a Espanha. Vou com mais frequência também a Los Alamos, para reuniões técnicas.

SERVIÇO
(foto: Editora Sextante/Divulgação)
(foto: Editora Sextante/Divulgação)
A caminho de Marte -- A incrível jornada de um cientista brasileiro até a NASA
De Ivair Gontijo. Editora Sextante, 288 páginas. Preço médio: R$ 39,90 e R$ 24,99 (e-book). 

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