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Correio Braziliense

Cantores e DJs internacionais apostam em interações com o funk carioca

A tendência ganhou força durante o Lollapalooza 2018


postado em 29/03/2018 08:44 / atualizado em 29/03/2018 09:18

A dupla de Djs Tropkillaz: ligada ao vivo para Anitta e participação do funkeiro MC Zaac(foto: Tropkillaz/Divulgação)
A dupla de Djs Tropkillaz: ligada ao vivo para Anitta e participação do funkeiro MC Zaac (foto: Tropkillaz/Divulgação)


Quando se pensa no festival Lollapalooza, no último fim de semana, vem à mente várias bandas do rock alternativo, músicas com uma pegada indie e folk. Mas também sempre houve um espaço reservado para o pessoal da música eletrônica. Desde o primeiro dia de evento, os DJs convidados mostraram que podem se misturar a outros ritmos e levantar a galera. Principalmente, ao tocarem hits famosos do funk carioca.

Uma das iniciativas que ganhou bastante repercussão foi o da dupla de DJs Tropkillaz. No meio da performance, fizeram uma ligação ao vivo com a cantora Anitta, chamaram o funkeiro MC Zaac para subir ao palco e, juntos, os três interpretaram a música Vai malandra. André Laudz e Zé Gonzales ainda anunciaram, nesta mesma performance, que vão lançar uma parceria com outros artistas — MC Kevinho e Major Lazer — e, assim, continuarão a fazer criações ligadas ao funk.

Durante toda a apresentação do Tropkillaz, o projeto Heavy Baile animou a plateia. Este, que é um coletivo do Rio de Janeiro, visa combinar exatamente as batidas dos sintetizadores ao grave do funk carioca para mostrar que a música periférica merece visibilidade e que esses dois estilos podem muito bem caminhar lado a lado. Antes de dividir palco com o Tropkillaz, o Heavy Baile havia feito parcerias com outros nomes importantes da música, como o rapper paulista Emicida e a cantora britânica M.I.A.

Esse mix agradou aos espectadores do festival e pode ser considerado uma forma de atrair um público cada vez maior, pois o funk é um dos estilos musicais mais escutados no país. Daí a inclusão de diversos hits nas setlists dos shows. Presente à apresentação da dupla, a brasiliense Mariana Cartaxo, 23 anos, mestre em ciências políticas, apesar de a música eletrônica não estar no topo de suas preferências, aprovou: “Eu gosto de DJs que misturam estilos diferentes, especialmente os ritmos brasileiros, com uma pegada pop. Fica uma combinação interessante”.

Outro que assistiu ao show e concorda com o fato de a mistura se tornar algo divertido e também ser uma ferramenta para animar a plateia foi o estudante Bernardo Budó, 24 anos. Ele entende que, “na música, tudo é permitido e essa junção, quando bem feita, pode ficar muito legal”. Acrescenta ainda que “os melhores momentos do show foram quando tocaram hits, principalmente do hip hop norte-americano e do funk brasileiro, e todas as pessoas cantavam e dançavam juntas”.
 
Alison Wonderland: pitadas de brasilidade durante show no Lollapalooza(foto: I Hate Flash/ Helena Yoshioka/Lollapalooza)
Alison Wonderland: pitadas de brasilidade durante show no Lollapalooza (foto: I Hate Flash/ Helena Yoshioka/Lollapalooza)
 

O funk de fora


Dois outros expoentes da cena eletrônica mundial, Alison Wonderland e Hardwell, que fizeram performances no Brasil, recentemente, também incluíram o funk carioca. A australiana Alison Wonderland exibiu uma pitada de brasilidade quando tocou um trecho de Bum bum tam tam, do MC Fioti, durante a apresentação.

Enquanto isso, o DJ holandês Hardwell, considerado o melhor do mundo nos anos 2013 e 2014, tocou a versão explícita de Baile de favela, hit do MC João, no final do show, mas antes havia tocado alguns trechos de outras canções do gênero, como Bum bum tam tam. Julia Castelli, estudante de Direito, 19 anos, presente à apresentação, percebeu que houve uma energia diferente quando o artista investiu nessa mistura: “As pessoas pareciam ficar mais animadas quando escutavam músicas com o funk”.

Estagiária sob a supervisão do subeditor Severino Francisco
 

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