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Correio Braziliense

A Cor do Som comemora 40 anos com novo disco

O grupo lança álbum com a formação original e participações especiais para comemorar quatro décadas de carreira


postado em 03/04/2018 06:58

(foto: Daryan Dornelles/Divulgação)
(foto: Daryan Dornelles/Divulgação)
 
 
A Cor do Som era uma célula do Novos Baianos que, ao surgir no começo dos anos 1970, pegando carona no movimento tropicalista, subverteu a ordem do cenário musical brasileiro de então ao propor a mistura de rock com chorinho e samba; a guitarra com o cavaquinho e o bandolim. Um dos integrantes daquele grupo revolucionário era o baixista carioca Dadi Carvalho.

Quando, em 1975, Moraes Moreira deixou os Novos Baianos, convidou o roqueiro Dadi para formar a banda que iria acompanhá-lo, da qual fazia parte também o guitarrista e bandolinista Armandinho Macedo, originário do Trio Elétrico de Dodô e Osmar. Dois anos depois, os dois decidiram criar a Cor do Som. O nome veio de uma música de Moraes Moreira e Luis Galvão.

Na formação original, a Dadi e Armandinho se juntaram o tecladista Mu, que tocava com Jorge Ben Jor, na Banda do Zé Pretinho; e o baterista Gustavo Schroeter (ex-A Bolha). Em 1978, na gravação do segundo disco, Ao Vivo em Montreux, eles passaram a ter a companhia do percussionista Ary Dias. Até então, a Cor do Som era apenas um grupo instrumental, que promovia a fusão do rock e pop, com elementos de ritmos regionais brasileiros e de música clássica.

Questão mercadológica levou a gravadora que os tinham sob contrato a sugerir a inclusão de músicas cantadas no repertório do Frutificar, o terceiro álbum. Como passou a tocar bastante no rádio e a aparecer em programas de tevê de grande audiência, o grupo obteve o desejado impulso que o levou a fazer shows por todo o país — inclusive em Brasília —, para expressivas plateias.

Com relevância, A Cor do Som manteve-se em atividade até a metade da década de 1980, período em que lançou mais sete discos — aí, tendo o guitarrista Victor Biglione como substituto de Armandinho. O advento do Rock Brasil foi determinante para a saída de cena do grupo, que tempos depois, em dois momentos, voltou a se reunir para gravar os CDs A Cor do Som Ao Vivo no Circo Voador (1996) e o  DVD A Cor do Som Acústico (2005), no extinto Canecão — este tendo como convidados Caetano Veloso, Moraes Moreira, Davi Moraes e Daniela Mercury, entre outros.

Para comemorar os 40 anos de carreira, A Cor do Som, com a formação original, gravou novo CD — 10º título da discografia — no segundo semestre do ano passado, que traz 11 faixas e tem a participação de vários convidados; e produção de Ricardo Feghali (Roupa Nova). Entre as músicas do repertório, quatro são inéditas, sete regravações de clássicos e uma outra que Dadi registrou num disco solo, lançado em 2005, no Japão.

Gilberto Gil canta e toca violão em Abri a porta, que compôs em parceria com Dominguinhos; Lulu Santos marca presença em Swingue menina; a voz de Samuel Rosa é ouvida em Zanzibar (Armandinho e Fausto Nilo); o Roupa Nova participa de Alto astral (Mu, Dadi e Evandro Mesquita). Djavan, outro convidado especial, interpreta Alvo certo (Dadi e Mu Carvalho); Moska está em Magia tropical (Mu e Evandro Mesquita); e Flávio Venturini em Eternos meninos (Mu e Paulinho Tapajós). Já o brasiliense Alexandre Carlo, do Natiruts, leva sua contribuição a Semente do amor (Mu e Moraes Moreira).

Somos a Cor, de Armandinho e Maria Vasco, que abre o repertório; Sou volúvel (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi Carvalho), Sonho de carnaval (Armandinho Macedo e Fausto Nilo) e Olhos d’água (Mu Carvalho, Piere Aderne e Alexia Bomtempo) são as quatro inéditas — gravadas apenas pela Cor do Som.

A Cor do Som – 40 Anos
Lançamento em plataformas digitais. Neste semestre será lançado em LP. Produção independente.

Entrevista/Dadi Carvalho

A Cor do Som pode ser visto como um filho dos Novos Baianos?
De certa forma, sim, pois foi nossa principal referência. O Moraes Moreira havia saído do grupo e me chamou para tocar com ele, na gravação do primeiro disco solo e na turnê que fez após o lançamento daquele trabalho, que teve como grande sucesso o frevo Pombo correio. Na banda que o acompanhava, tinha o Armandinho Macedo e o Gustavo Schroeter. Nós três e mais o meu irmão Mu formamos o núcleo base de A Cor do Som. O Ary Dias, que era do Trio Elétrico Dodô e Osmar, entrou depois para o grupo.

Quem escolheu o nome do grupo?
Houve um consenso na escolha, mas não fomos nós que criamos o nome. Quem deu a sugestão foi o Caetano Veloso, que tirou da letra de uma música dos Novos Baianos, composta por Moraes e Galvão. Os dois, então, nos autorizaram a usar.

Originalmente, vocês faziam música instrumental. Quando e por que passaram a incluir música cantada no repertório?
Até o show que fizemos no Festival de Montreux, em 1978, que gerou o nosso segundo disco, só fazíamos som instrumental. Fomos o primeiro grupo a participar, a convite do Claude Nobs, criador e diretor do evento. Naquele ano, foi criada a Noite Brasileira do festival e dividimos o palco com o percussionista Airton Moreira, o violonista pernambucano Ivinho e Gilberto Gil, que tocou no encerramento. Mesmo só fazendo instrumental, conseguíamos reunir muita gente em nossos shows, mas os discos vendiam pouco. Quando íamos gravar o Frutificar, terceiro LP, o André Midani, diretor da Warner, quis que incluíssemos músicas cantadas no repertório. Aí, ganhamos Abri a porta, de Gilberto Gil e Dominguinhos; Beleza pura, de Caetano Veloso; enquanto Mu e Moraes compuseram Swingue menina. Todas fizeram muito sucesso e o LP vendeu bastante, algo em torno de 100 mil cópias.

Quando sentiram que a carreira estava consolidada?
O Frutificar foi muito determinante para isso. E depois veio o Transe total, de 1980, que obteve também boa vendagem, puxada por Palco, de Gilberto Gil; e Zanzibar, de Armandinho e Fausto Nilo. Naquele ano, o Armandinho saiu, passando a se dedicar ao Trio Elétrico Dodô e Osmar, que também tinha o nome dele. Ficamos tristes, porque ele era peça importante do grupo. Aí, convidamos o Victor Biglione para substituí-lo.

Até que ponto o advento do Rock Brasil, com o surgimento de muitas bandas em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, contribuiu para A Cor do Som sair de cena?
Nos mantivemos até 1986, ano em que lançamos o Gosto do prazer, pela RCA. Mas aí, bandas como Blitz, RPM, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Barão Vermelho, Titãs, entre outras, dominavam o mercado. Ainda fazíamos alguns shows, mas, aos poucos, fomos parando. Retornamos em 1996, quando gravamos um CD ao vivo no Circo Voador, que nos valeu o Prêmio Sharp, de melhor grupo instrumental. Quase 10 anos depois, lançamos o DVD A Cor do Som Acústico, com a participação de vários convidados.

Com o lançamento do álbum comemorativo dos 40 anos de trabalho, vocês pretendem retomar a carreira?
A princípio, sim. O álbum está disponível nas plataformas digitais e vamos lançá-lo no formato físico de LP ainda neste semestre. Já temos alguns shows agendados e pretendemos fazer uma turnê para celebrar a data. Queremos muito ir a Brasília, onde estive em julho com os Novos Baianos. Na capital, A Cor do Som fez shows inesquecíveis, inclusive no Ginásio Nilson Nelson.

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