Publicidade

Correio Braziliense

Elvira Lobato lança Antenas da floresta - A saga das TV da Amazônia

Em 2011, ela se aposentou e foi atrás desse universo da radiodifusão, ainda pouco conhecido no Brasil


postado em 04/04/2018 07:30 / atualizado em 03/04/2018 19:16

Elvira Lobato: estudo sobre a quantidade de canais e o conteúdo produzido na região(foto: Chico Cerchiaro/Divulgação)
Elvira Lobato: estudo sobre a quantidade de canais e o conteúdo produzido na região (foto: Chico Cerchiaro/Divulgação)


A jornalista Elvira Lobato cobriu o setor de comunicação e radiodifusão durante 17 anos e sabia que havia um mundo na área da televisão a ser descoberto na Amazônia Legal. No entanto, a correria do jornalismo diário a impedia de realizar uma pesquisa mais aprofundada. Em 2011, ela se aposentou e foi atrás desse universo da radiodifusão, ainda pouco conhecido no Brasil. Descobriu mais de 400 emissoras que produzem conteúdo local nos nove estados que compõem a Amazônia Legal. É uma área imensa, que corresponde a 59% do território nacional e que abriga um total de 1737 canais. A pesquisa, que envolveu apontar os proprietários das emissoras e descobrir como se dava a produção de conteúdo, teve apoio da Fundação Ford, gerou um mapeamento inédito de canais de tevê e rendeu o livro Antenas da floresta – A saga das TVs da Amazônia, que a autora lança hoje no Carpe Diem (104 Sul).

O livro é um passeio pelo Brasil profundo, marcado por três incursões e centenas de entrevistas que ajudam a conhecer um pouco mais sobre a importância da comunicação em áreas afastadas dos grandes centros urbanos. Elvira tinha consciência que muitas das tevês do interior do país eram de propriedade de políticos e costumavam ser usadas como plataformas em campanhas eleitorais, situação comum em todo o país e que se reproduz na Amazônia. O que surpreendeu a jornalista foi descobrir como e quais conteúdos são produzidos. “Eu sabia que a Amazônia Legal tinha um tratamento diferenciado na legislação e que as emissoras podiam gerar até três horas de conteúdo local”, conta.

A jornalista encontrou desde novelas locais produzidas com atores amadores em Codó (MA) até uma emissora mantida por um pai e seu filho adolescente. “É muito curioso saber como surgem esses jornalistas. Muitos foram garimpeiros, trabalhadores rurais. E eles são formados na prática”, conta. “É um Brasil que a gente não tem ideia que existe. Tem muita violência, mas também muita ingenuidade. E é um Brasil que também está em transformação constante. E claro, também tem o uso político.”

Informações

Ao estudar o conteúdo da programação, Elvira constatou que há muito jornalismo produzido nessas regiões e que, em muitas cidades, as emissoras locais são as únicas fontes de notícias. Ela lembra que as rádios comunitárias também têm um papel importante, mas já bem conhecido. No entanto, pouco se sabia sobre as televisões. Além de muitas pertencerem a políticos, há também uma boa parcela de propriedade das igrejas. E mesmo que o conteúdo seja direcionado, Elvira acredita que as emissoras têm um papel de preservação da cultura e da comunidade. “Ruim com elas, pior sem elas”, diz. “Tem cidades em que são as únicas fontes de comunicação. E a população participa ativamente. O tipo de jornalismo que se faz é muito diferente, todo mundo na cidade opina”, conta.

O Maranhão é o estado que mais tem retransmissoras em mãos de políticos e cidades como Bacabal chegam a ter sete emissoras. Nesses locais, há até um certo equilíbrio. “A TV, em algumas situações, não garante uma eleição, sobretudo em cidades onde todos os políticos têm uma emissora. O que mais me surpreendeu foi saber que existem essas TVs, que são mais de 400 e que produzem um conteúdo local”, garante Elvira.

 

Antenas da floresta — A saga das TVs da Amazônia
De Elvira Lobato. Objetiva, 360 páginas. R$ 59,90. Lançamento hoje, às 19h, no Carpe Diem (SCLS 104)

 

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade