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Correio Braziliense

Em quinta edição, a Bienal do B reúne artistas de diferentes regiões

No evento eles compartilham a produção cultural, literária e poética


postado em 04/04/2018 07:30 / atualizado em 04/04/2018 08:56

As gravuras coloridas de Rafael Braga fazem parte das exposições de artes plásticas(foto: Rafael Braga/Divulgação)
As gravuras coloridas de Rafael Braga fazem parte das exposições de artes plásticas (foto: Rafael Braga/Divulgação)


A diversidade artística de Brasília fica em evidência na movimentada rua em frente ao Açougue Cultural T-Bone, no fim da Asa Norte. Importante território de difusão cultural e literária na cidade, o espaço abriga a quinta edição do projeto Bienal do B — Poesia e literatura na rua, idealizado por Luiz Amorim e Vera Holz. Mais de 30 poetas e escritores, apresentações musicais, exposição de artes plásticas, teatro de bonecos e bancas literárias se reúnem no evento de artes integradas. A edição chega em formato de sarau poético e o público fica próximo aos artistas, permitindo um contato intimista entre público e criadores. A ideia é ocupar com poesia as ruas da cidade.

Apesar de receber o nome de Bienal, o projeto acontece todos os anos. A ideia surgiu quando a II BIP — Bienal Internacional de Poesia foi cancelada, em 2010. Os membros do Movimento Viva Arte bolaram um “plano B” para que o evento poético não deixasse de acontecer e a nova solução logo ganhou espaço cativo no calendário cultural da cidade. Entre os convidados que assumem a trilha sonora da Bienal estão artistas como Amelinha; o cantor, músico e compositor Eduardo Dussek e o instrumentista cearense Manassés. A ideia é promover uma integração musical e poética, misturando público e artistas de diferentes expressões.

Outro ponto de destaque é a Bienalzinha, com oficinas e contação de histórias que envolvem pais e filhos. A ideia é estimular o contato literário e poético desde a infância, mostrando que versos e histórias podem ser muito prazerosos. A criação poética faz parte da tradição brasiliense e entre os poetas confirmados para o evento estão nomes como Noélia Ribeiro, Nicolas Behr, Flora Benitez, Amneres Santiago, Cristiane Sobral e Vicente Sá, o patrono dessa edição.

Noélia Ribeiro participa do encontro cultural desde a primeira edição e considera este um evento importantíssimo para a cidade. “É uma integração muito boa entre música e poesia. Públicos diferentes se misturam e o evento conta com importantes músicos de fora, valorizando ainda mais a poesia brasiliense”, destaca a poeta.

Ela lembra que o projeto traz grande visibilidade para a criação poética da capital, reunindo 30 nomes da poesia local em três dias de evento. Além disso, a Bienal leva a poesia para as ruas, em contato direto com o povo. Noélia participa da Bienal como poeta convidada e integra também uma mesa sobre poesia brasiliense no primeiro dia de evento.

O curador poético do evento, Jorge Amâncio, conta que a escolha dos autores se deu pela diversidade de estilos, trajetórias, lutas e representatividade por meio da poesia. Diferentes gerações se encontram e Amâncio destaca que o objetivo é promover a busca pela identidade cultural da poesia brasiliense. “O objetivo é reunir essa grande leva de poetas que a capital produz ao longo dos anos e trazer cada vez mais os autores de diferentes regiões administrativas. Queremos apresentar poetas de resistência, entender essas gerações que produzem em Brasília”, destaca o curador.





Música e artes plásticas


Entre os representantes das artes plásticas na Bienal está o artista Rafael Braga, que vai expor algumas de suas gravuras cheias de cores e traços que lembram Brasília. O artista destaca que essa é uma ação cultural muito democrática, em que criadores de diferentes áreas podem compartilhar entre si seus processos e experiências criativas. “Estou envaidecido de estar ao lado das grandes feras que enaltecem e trabalham com a cultura na nossa Brasília. Há muito que a capital vem produzindo safras de bons artistas plásticos, poetas, fotógrafos, músicos e sem contar as inúmeras galerias alternativas e eventos que pipocam pela cidade. É a cultura pulsando forte”, destaca.

Quem encerra a quinta edição da Bienal do B é a cantora cearense Amelinha, que traz seu ritmo para embalar a noite poética de Brasília. Para ela, é muito importante um projeto como este, que leve ao público a integração artística entre vertentes diversas. “Estamos interligados como seres humanos e a arte também nos transforma, nos fortalece e nos conduz a um espaço de nível de reflexão, alegria, emoções e movimento constante, restaurador de esperanças e entendimento”, destaca a artista.

Para ela, a arte tem a capacidade de reunir e esclarecer sobre o presente, mostrando caminhos mais saudáveis para o futuro. “Estou muito feliz e gratificada por participar desse projeto, dessa Bienal. E isso me traz muitas esperanças de um país mais acordado, menos Matrix. Fazemos nossa parte”. Para a apresentação, Amelinha vem acompanhada de outros dois músicos, Julio Brau e Cesar Rebeche. Quanto à união entre música e poesia, ponto forte da Bienal, a cantora destaca: “Eu canto porque o instante existe e minha vida está completa, não sou alegre nem sou triste, sou Poeta. (Cecília Meireles)”.


“Queremos trazer essa arte para mais perto do povo, mostrar essas
gerações diferentes que movimentam as diversas regiões do Distrito Federal”

Jorge Amâncio,
curador da Bienal do B — Poesia e literatura na rua


Bienal do B — A poesia na rua, no Açougue Cultural T-Bone

(CLN 312 Bl B lj. 27), de 4 a 6 de abril, a partir das 15h (oficinas e teatro de bonecos) e a partir das 18h (exposições, lançamentos, shows e bate-papos). A entrada é franca e a classificação indicativa é livre.

 

 

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