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Correio Braziliense

Com amor, Simon é um marco de representatividade no cinema

Filme estrelado por jovem em busca de afirmação sexual entusiasma público do DF


postado em 05/04/2018 06:33

Com amor, Simon retrata diversidade sexual(foto: Internet/ reprodução)
Com amor, Simon retrata diversidade sexual (foto: Internet/ reprodução)
 
 
A presença de tramas com personagens gays nas telonas não é uma novidade, pelo contrário. Desde o ganhador do Oscar de melhor filme Moonlight — sob a luz do luar, até o badalado Me chame pelo seu nome, as produções que apresentam apaixonantes enredos de amor entre o mesmo sexo já fazem escola nas telonas, mas, então, o que poderia fazer Com amor, Simon especial? Simples: a popularidade de um público-alvo que por anos foi relegada ao underground e ao cult.
 
 
 
Tanto Moonlight quanto Me chame pelo seu nome, e várias outras  produções que marcaram a história do cinema com romances gays, ficaram presos em um circuito mais restrito a festivais. A grande proposta de Com amor, Simon — que conta a história de Simon (Nick Robinson), com 17 anos, prestes a assumir a orientação sexual para a família —, é exatamente sair desse circuito para chegar ao  grande público, com uma história tipicamente romântica, e a mensagem de que a representatividade de um jovem LGBT importa.

Parece que a produção está seguindo o rumo certo: após a estreia nos cinemas norte-americanos, há duas semanas, o filme — que teve produção e distribuição dos estúdios 20th Fox e que custou cerca de US$ 17 milhões — já arrecadou US$ 33 milhões. Baseado em livro de Becky Albertalli, o filme foi dirigido por Greg Berlanti, com ampla experiência em séries infantojuvenis, que vão de Riverdale a Everwood.

Coordenador do Movimento LGBTS Pensar, Marlon Soares, ao Correio, conta que “em um primeiro momento, o mais importante é haver visibilidade. A visibilidade da parte mais humana das pessoas, e isso é fundamental porque o público acaba entendendo mais as dificuldades das pessoas LGBT e seus desafios”. O ativista ainda completa, lembrando que o respeito à pessoa LGBT não é um assunto superado. “Que deveria ser um tema ultrapassado, deveria, mas não é. Existe uma recusa muito grande em relação à aceitação às pessoas LGBTs, e a produção cinematográfica, televisiva, faz que as pessoas das mais diferentes realidades consigam refletir um pouco mais”.

Soares também faz uma importante ressalva: “Me preocupa o fato de as pessoas não refletirem bem e, em um caso de impulso, acabar se assumindo e entrar em uma situação delicada com a família. Óbvio que não deveria ser assim, mas o que eu quero dizer é que existem processos de ser assumir que são mais brandos, que envolvem mais informação e comunicação com a família. As pessoas devem tomar essas produções como uma sugestão de como trabalhar melhor sua realidade”, conclui.

* Estagiário sob supervisão de Severino Francisco



EU FUI


“Claramente é um grande estúdio investindo pesado, e conta como algo bem positivo. O elenco é carismático, a trilha sonora é boa, tem cenas divertidas recheadas de referência ao mundo pop, além de frases de efeito para estampar camiseta”.
Beatriz Oliveira, 26 anos, professora e administradora de empresas


“O filme conseguiu trazer uma atmosfera cotidiana. Normalmente, os filmes que retratam essa realidade trazem um foco diferente, como depressão, suicídio e tragédias. Agora, vemos exatamente a vida comum de um jovem do ensino médio”.
Paulo Abreu, 17, estudante de ensino médio

“Nos filmes recentes que mostram personagens gays, há pendência para o lado cult e de nicho. Por vezes, há finais trágicos, o que causa grande desilusão no público LGBT. Com Amor, Simon, felizmente, não faz isso, ele segue uma fórmula diferente.
Lukas Brayan, 21, estudante de ciências biológicas

“O público-alvo adolescente, muitas vezes, tem as mesmas dúvidas do Simon, os mesmos medos que ele tinha, e eu acho que o filme abordou isso de maneira bem direta e que acrescenta muito ao movimento”
Ana Valéria Medeiros, 20, estudante de psicologia

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