Publicidade

Correio Braziliense

Isao Takahata, mestre da animação japonesa, morre aos 82 anos

Isao Takahata deixa nove longas em nome próprio, as mais importantes das quais as cinco que dirigiu para o Ghibli


postado em 06/04/2018 13:13

O diretor de animação japonês Isao Takahata recebe a Ordem das Artes e das Letras francesa, na embaixada da França em Tóquio, em 7 de abril de 2015(foto: JIJI PRESS/AFP/Arquivos / JIJI PRESS)
O diretor de animação japonês Isao Takahata recebe a Ordem das Artes e das Letras francesa, na embaixada da França em Tóquio, em 7 de abril de 2015 (foto: JIJI PRESS/AFP/Arquivos / JIJI PRESS)
 
O cineasta, animador, roteirista e produtor japonês Isao Takahata, co-fundador do estúdio Ghibli e conhecido por seu filme Túmulo dos Vagalumes, faleceu aos 82 anos. O estúdio Ghibli anunciou em um comunicado que Takahata faleceu na quinta-feira em um hospital de Tóquio em decorrência de um câncer de pulmão.

Nascido em 1935 na atual Ise, prefeitura de Mie, a cerca de 450 quilômetros de Tóquio, Isao Takahata começou sua carreira nos estúdios de animação Toei em 1959. Foi lá que conheceu Hayao Miyazaki, com quem colaborou durante anos, especialmente em séries para a televisão como Heidi (1974) ou Marco (1976).

Diretor comprometido e apaixonado pela literatura francesa, língua que estudou na universidade, Isao Takahata criou em 1985 o estúdio de animação Ghibli com Miyazaki, mais jovem do que ele, discípulo, cúmplice e às vezes rival.

Ganhou fama com "Túmulo dos Vagalumes" (1988), uma animação que conta a história de duas órfãs durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos consideram este o melhor filme do cineasta, que conquistou inúmeros prêmios no país e no exterior.

Filho da guerra 


Esta obra angustiante foi inspirada em sua própria experiência, quando era criança, do bombardeio americano da região de Okayama, onde vivia em 1945.

Apavorado, ele fugiu descalço e de pijama com uma de suas irmãs, segundo relatou em uma entrevista publicada em 2015 pelo jornal Japan Times. Ao voltar para casa, ele recordou ter visto muitos cadáveres empilhados nas ruas. "Tivemos a sorte de sair vivos", disse ele.

A história começa com a morte do pequeno Seita e sua irmã Setsuko. "É traumático para os espectadores ver como as vidas de dois seres felizes são destruídas e vê-los morrer. Tento aliviar o sofrimento do público, revelando tudo desde o começo", explicou.

A experiência da guerra também o levou a defender qualquer tentativa de emenda ao Artigo 9 da Constituição pacifista do Japão, que estipula que "o povo japonês renuncia para sempre à guerra".

Tahakata também dirigiu Only yesterday (1991), Pompoko - a grande batalha dos guaxinins (1994) e Meus vizinhos, os Yamada (1999), e produziu vários filmes de Miyazaki como Nausicaä do vale do vento ou O castelo no céu.

Mais recentemente, adaptou em imagens O conto da Princesa Kaguya, uma redescoberta do clássico japonês que lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor filme de animação em 2015. Ele havia anunciado que seria seu último trabalho.

Lançado no Japão em novembro de 2013, este filme é a adaptação de uma história popular do século X, considerado um dos textos fundadores da literatura japonesa. Impregnado de poesia infinita, a obra tece seu enredo e desenvolve as emoções de seus personagens, desenhados a carvão, em cores pasteis que lembram uma aquarela.

O jornal Asahi Shimbun indicou nesta sexta-feira que o cineasta, que foi condecorado com o título francês de Oficial da Ordem das Artes e das Letras em 2015, será enterrado nos próximos dias antes de uma cerimônia pública em 15 de maio.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade