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Correio Braziliense

Heloísa Périssé: 'O politicamente correto nos tirou da zona de conforto'

Em entrevista ao Correio, atriz Heloísa Périssé fala sobre humor, sexo e religião. Confira!


postado em 08/04/2018 07:20 / atualizado em 07/04/2018 23:47

Heloísa Périssé está em cartaz na cidade com monólogo escrito por ela(foto: Guga Melgar/Divulgação)
Heloísa Périssé está em cartaz na cidade com monólogo escrito por ela (foto: Guga Melgar/Divulgação)

 
Dona de uma personalidade forte e uma fé inabalável, Heloísa Périssé é um dos nomes mais conhecidos do humor da televisão brasileira. Apesar de as comédias terem marcado a carreira dela, Heloísa caminha entre o humor e o drama com facilidade. Com mais de 20 anos de carreira, ela tem trabalhos diversos, tanto no cinema quanto na tevê e no teatro. Intérprete de personagens amadas pelo público, como a inesquecível Tati, uma adolescente “irada”, ela também atuou ao lado do grande  humorista Chico Anysio (de quem foi nora) e tem uma parceria de longa data com a atriz Ingrid Guimarães, que rendeu frutos como o espetáculo Cócegas e deve trazer mais risadas no futuro. Em Brasília neste fim de semana com o monólogo E foram, quase felizes para sempre, a atriz se aventura pelo novo projeto escrito e estrelado por ela. Em entrevista ao Correio, Heloísa fala de tudo um pouco: do espetáculo, das filhas atrizes, da forma como o humor está sendo feito hoje, da relação com a internet e de seu amor por Jesus.

Além de estrelar, você também escreveu E foram, quase felizes para sempre. Qual é o principal desafio ao escrever esse espetáculo?
O fato de escrever um espetáculo em que você atua te deixa numa zona de conforto bastante interessante, porque você sabe exatamente o que quer. Então, foi muito legal ter escrito esse texto e conseguido realizar o espetáculo exatamente da forma como eu queria.

A peça fala de relacionamentos amorosos, né?
A peça, na realidade, fala de diferenças. Como você lida com a diferença do outro, do outro ser humano, não só de relacionamentos, mas sim das diferenças em si, porque o que nós temos de igual é que nós somos completamente diferentes. Quando um casal fica junto — que consegue, porque isso é uma empreitada diária —, o primeiro comentário que você ouve das pessoas é que eles são completamente diferentes. As pessoas são completamente diferentes e completamente iguais também. Na verdade, você tem que saber por onde se ligar na pessoa. A história fala disso, todos nós temos defeitos e qualidades, então é o que você opta por ver. A vida é uma opção.

Além do monólogo, você tem outros projetos?
Em julho, eu estou estreando duas peças: uma infantil, Lololand, que é um musical, e a outra é a Loloucas, com Maria Clara Gueiros.

Como você enxerga a comédia hoje? Acha que o politicamente correto modificou a forma como ohumor está sendo feito?
Eu acho que o politicamente correto tirou a gente de uma zona de comodismo. Deu para nós, humoristas e artistas, uma forma diferente de encarar o humor. Eu comparo sempre o humor com o sexo, acho que o sexo, como o humor, tem que ser bom para os dois. Não interessa o que seja, só tem que ser bom para os dois. Então, eu acho que você pode rir com alguém. Rir de alguém já não é tão simpático. E talvez esse politicamente correto tenha vindo para dar uma cerceada por um lado, mas por outro abre a mente para começar a procurar outras formas de fazer graça. De repente, formas mais edificantes.

Você e Ingrid Guimarães ficaram conhecidas por diversos trabalhos juntas, como a peça Cócegas. Vocês pretendem voltar a trabalhar juntas? Tem algum projeto nesse sentido?
Em 2021, o Cócegas faz 20 anos. Então a gente vai montar uma turnê pelo Brasil todo de novo.

Sua filha, Luisa Perissé, também tem investido na carreira de atriz. Que tipos de conselhos você deu para ela quando ela sinalizou que queria seguir a sua carreira?
Eu digo: “Minha filha, tenha verdade. Em tudo que você quiser, verdade”. Com a verdade não há argumento, verdade é verdade. Então, vai fazer comédia, faça com verdade.

Ano passado, você também estrelou a peça Alice no país da internet, com a Luísa e a sua outra filha, Antônia. Como foi contracenar com elas?
Foi lindo e emocionante. É até difícil perguntar, porque nesse momento eu não consigo dividir a atriz da mãe. Se eu não tomasse cuidado, eu ficava assistindo a elas atuarem (risos).

Alice no país da internet falava da internet. Sabemos que ela é tanto boa quanto ruim para nós, pois polariza a comunicação entre as pessoas. Você costuma estar no mundo virtual?
Eu entro bastante na internet, mas sempre lembrando que a internet polariza, é um campo que ainda está sendo descoberto, então ainda não tem muitas regras. Você encontra de tudo. Então, eu faço as minhas opções. Eu faço as minhas escolhas.

Você costuma ver muitos comentários ou coisas de haters?
Não, não vejo nada de haters. Jogo um love pra eles (risos).

Você é uma atriz bastante versátil, que consegue ir do humor ao drama. Você tem alguma preferência por um desses gêneros?
Não, não tenho uma preferência explícita. Claro que a minha entrada é a comédia, mas isso é uma questão de personalidade. Eu sou, graças a Deus, uma pessoa leve, não sou uma pessoa pesada. Como eu te falei desde o início, eu faço as minhas escolhas, então eu procuro sempre fazer as melhores. Por exemplo, se tiver que engolir sapo, eu prefiro engolir sapo, que é proteína, do que eu comer o pão que o Diabo amassou, que é carboidrato (risos).

Você é uma pessoa bastante religiosa. Qual é a importância da religiosidade na sua vida?
Tudo. É o meu início, meio e fim. É meu norte. Eu fiz uma igreja na minha casa que eu chamo de Céuzinho, onde eu faço toda terça-feira, às 20h, um encontro. Então, se você me perguntar hoje, como eu me classifico, eu me classifico como discípula de Jesus, a cada dia mais apaixonada por Ele. Meu maior desejo é falar da Graça e poder mostrar isso cada vez mais, jogar essa luz para as pessoas, pois a gente está aqui para ser feliz e que a gente possa viver aqui com bastante plenitude, num mundo onde a gente não viva mais a competição, e sim a cooperação. É o amor.

Como você vê o espaço para as mulheres hoje no mundo artístico?
A gente está se firmando aí com bastante luta. Lógico que temos que levar em consideração que, no Brasil, a mulher pôde começar a votar só em 1930, há um pouquinho de tempo. Então, acho que, como toda busca, às vezes você parte primeiro para um excesso e aí vai entrando em um equilíbrio. É nessa fase onde realmente a mulher acaba se encontrando e percebendo que não é só viver para o trabalho, não é só viver para a família, não é queimar sutiã, porque também sutiã é necessário, mas é saber usar, como usar, é o como. A gente está em uma fase de entender como realizar.

*Estagiária sob supervisão de Vinicius Nader

E foram, quase felizes para sempre
Teatro dos Bancários (314/315 Sul). Hoje, às 19h. Ingressos a R$ 60 (meia-entrada) e R$ 120 (inteira). À venda na bilheteria do teatro, na panificadora Belini da 113 Sul, nas lojas da Bilheteria Digital do Pátio Brasil, Conjunto Nacional e Brasília Shopping ou pelo site www.bilheteriadigital.com. Não recomendado para menores de 14 anos.

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