Publicidade

Correio Braziliense

Exposição com mobiliário do Palácio do Itamaraty reúne 100 peças

Desenhando para um palácio tem visitações até 27 de maio


postado em 11/04/2018 07:30

Mobiliário que compõe a mostra vai do colonial ao modernista: estilos marcam a identidade nacional(foto: Arthur Max / AIG-MRE / Divulgação)
Mobiliário que compõe a mostra vai do colonial ao modernista: estilos marcam a identidade nacional (foto: Arthur Max / AIG-MRE / Divulgação)


Fazer diplomacia não envolve apenas negociar, representar e processar informações. Há algo de artístico na prática, sobretudo quando ela também envolve o campo das artes. E é isso que a exposição Desenhando para um Palácio pretende mostrar. A mostra reúne um total de 100 peças, boa parte de mobiliário, mas com uma parcela de obras de arte, que integram o acervo do Palácio do Itamaraty e que, durante muito tempo, ficaram restritos aos gabinetes e espaços de trabalho do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Segundo o diplomata Heitor Granafei, curador da exposição, são três as funções da diplomacia e para cada uma delas há um módulo correspondente na seleção de móveis e obras de arte apresentados. “A exposição vai mostrar como o Itamaraty investiu no design de mobiliário e no design gráfico como ferramenta da diplomacia”, explica. A representação, que envolve, sobretudo, as cerimônias oficiais, está refletida em três momentos do mobiliário que hoje integra o acervo do órgão.

No final do século 19, o barão do Rio Branco realizou uma reforma no Itamaraty do Rio de Janeiro e, para suprir a decoração dos interiores do palácio, escolheu um mobiliário típico da Belle Époque. O estilo simbolizava a modernidade e o barão queria projetar a imagem de um Brasil que se desenvolvia, se industrializava e dava os primeiros passos na globalização. Na década de 1920, foi a vez de Octávio Mangabeira, ministro das Relações Exteriores do então presidente Washington Luís, realizar outra reforma na casa. Dessa vez, foi escolhido um mobiliário colonial que, na visão dos diplomatas, expressava a identidade brasileira.

Contemporâneo

O terceiro momento vem com a construção do Palácio do Itamaraty em Brasília, cujos gabinetes e salões foram preenchidos com móveis de Sérgio Rodrigues, Joaquim Tenreiro e Bernardo Figueiredo. Peças de todas essas épocas foram incluídas na exposição e há, inclusive, uma reconstituição do gabinete do ministro tal qual Sérgio Rodrigues idealizou. “O Palácio do Itamaraty é um projeto integrado de arquitetura e design, tudo foi pensado conjuntamente”, avisa Granafei. “São 40 modelos criados especialmente para o Itamaraty e esse mobiliário tem algumas características diferentes do Bauhaus que era padrão da época.”

Inteiramente construído com materiais brasileiros e desenhado com a intenção de expressar a diversidade brasileira, os móveis de Rodrigues, Tenreiro e Figueiredo são hoje uma marca do palácio. São peças, geralmente, muito grandes, já que os menores ambientes do prédio projetado por Oscar Niemeyer têm entre 36 e 144 m². Só o gabinete do ministro ocupa 144m² e tem um pé direito de 3m. Para esse ambiente, Sérgio Rodrigues precisou criar uma mesa de 6X1m.

Para representar o que Granafei identifica como a segunda função do diplomata, a de processamento de informações, ele decidiu expor os móveis projetados para abrigar o primeiro computador do órgão. Com uma CPU central gigantesca guardada em uma sala chamada de sarcófago e uma série de terminais interligados, o equipamento exigiu projetos exclusivos de mobiliário. Um deles foi desenvolvido pelo alemão Klau Heinz Bergmiller, fundador da Escola Superior de Design Industrial do Rio de Janeiro. “Esse mobiliário foi identificado agora e é resultado de uma grande pesquisa”, avisa o curador.

Para a terceira função da diplomacia, a de negociar, a exposição traz o projeto do auditório do subsolo do Palácio, desenhado pela Teperman, empresa representante da Herman Miller, na época uma das maiores produtoras de mobiliário de escritório do mundo e detentora dos direitos da cadeira Charles Eames. “Esse auditório foi pensado para que qualquer reunião internacional da ONU pudesse ter sido feita em Brasília”, conta Granafei.

Além do mobiliário, a exposição apresenta obras de arte que compõem a decoração dos gabinetes. Há pinturas de Fayga Ostrower, Cândido Portinari, Milton Dacosta, Franz Post e o conhecido Grito do Ipiranga, de Pedro Américo. O curador também incluiu uma série de tapetes criados especialmente para o local. “Com essa exposição você tem uma história de todo o mobiliário brasileiro, inclusive o de escritório”, garante o curador.


Desenhando para um palácio
Visitação até 27 de maio, de segunda a sexta, às 9h, 10h, 11h, 14h, 15h, 16h e 17h. Sábados e domingos, às 9h, 11h, 14h, 15h e 17h. Palácio do Itamaraty (Esplanada dos Ministérios). Reservas: visita@itamaraty.gov.br ou 2030-8051





Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade