Publicidade

Correio Braziliense

Exposições de arte reúnem mais de 20 artistas de Brasília em São Paulo

A produção artística da capital aparece na programação oficial da SP Arte e também em performances e eventos paralelos na cidade


postado em 15/04/2018 07:30

Instalação de Gê Orthof recupera cartões-postais antigos(foto: Arquivo Pessoal)
Instalação de Gê Orthof recupera cartões-postais antigos (foto: Arquivo Pessoal)

 
A arte brasiliense se transportou em massa para São Paulo durante a semana. Aproveitando a SP Arte, que se encerra hoje, artistas da cidade participam de exposições tanto como parte da feira quanto fora dela. Só na programação oficial do evento, que reúne 140 galerias de 10 países, participam mais de 15 artistas da cidade. Além desses, uma exposição no Centro Cultural São Paulo (CCSP) reúne oito nomes da arte brasiliense, e uma ação do grupo EmpreZa vai discutir arte na Praça da República.

Dialetos 2, em cartaz no CCSP, é um recorte da produção do Centro-Oeste realizado pelo curador Paulo Henrique Silva, também responsável pelo Salão Anapolino de Arte. Ele mesclou artistas que participaram da primeira edição dessa mostra em 2012, e novos nomes mapeados por salões e prêmios realizados na região. De Brasília, entraram Pedro Gandra, Alice Lara, Virgílio Neto, Camila Soato, César Becker, David Almeida, Júlia Milward e Julio Lapagese. “Não tem uma temática curatorial”, avisa Silva.
 

Ao colocar artistas já assentados no mercado e que começaram a despontar graças a prêmios e salões ao lado de nomes recentemente mapeados por esses instrumentos, o curador reconhece que as instituições são importantes na consolidação da carreira. “A exposição reforça um trabalho de mecanismo institucional que está sendo feito. É uma forma de dar continuidade a esses artistas chancelados por esses mecanismos”, garante o curador.

Pedro Gandra está entre os nomes mapeados nos últimos anos por salões e prêmios de arte. Ele ficou em terceiro lugar no Prêmio Vera Brant, em 2016, e ganhou o Garimpo, da Revista das Artes (RJ), em 2017. “Ter ganhado esses prêmios viabiliza minha produção chegar a outros lugares”, reconhece Gandra, que participa de Dialetos 2 com duas pinturas, sendo uma inédita. “Esse trabalho lida com a dubiedade narrativa que se estende por toda a minha carreira”, explica, ao descrever a tela Algum tempo… não muito, o suficiente.

Espaço solo
 
Detalhe da obra de Gê Orthof(foto: Arquivo pessoal)
Detalhe da obra de Gê Orthof (foto: Arquivo pessoal)
 

Representada pela galeria carioca Portas Vilaseca, a brasiliense Raquel Nava ganhou espaço solo na SP Arte. É uma modalidade privilegiada, na qual o artista é convidado a realizar uma mostra individual. Raquel apresenta trabalhos realizados nos últimos três anos, mas que resumem a pesquisa que vem desenvolvendo. São 25 obras entre fotografias, pinturas, objetos e desenhos. Entre elas está o material produzido graças ao apoio do Museu de Anatomia Veterinária da Universidade de Brasília (UnB). “São trabalhos que representam minha trajetória, porque mostram diferentes linguagens e dão uma ideia boa do que faço”, diz a artista, que já esteve na SP Arte outras duas vezes, mas nunca em um espaço solo.

Entre as galerias da feira, há duas de Brasília. A Referência Galeria de Arte levou um time de 10 artistas da cidade, e a Karla Osório Galeria mostra obras de Galeno e Bené Fonteles, entre outros 18 representados do Brasil e do mundo.

Na Referência, há trabalhos de Gê Orthof, Virgílio Neto, André Santangelo, Ralph Gehre e Adriana Vignoli. Orthof está ainda em outras duas galerias, a Luciana Caramello (RJ) e a Murilo Castro (BH). Para a feira, Orthof criou um trabalho cuja poesia consiste em pensar sobre o valor dos objetos e sua ressignificação ao longo do tempo.

Distribuída pelas três galerias, a série Máquinas mínimas começou a ser gestada há dois anos, quando Orthof recebeu de uma amiga italiana um lote de cartões-postais dos anos 1960 e 1970 que haviam sido descartados. O artista queria manter a ideia do valor afetivo carregado pelos cartões, já que eram imagens escolhidas especialmente por uma pessoa e destinadas a outra.
 
 


Hoje, ele lembra, imagens de viagens são postadas às dezenas na internet e fica cada dia mais difícil ter controle sobre quem as viu ou não. Ele também queria refletir sobre o sentido do princípio lógico da navalha de Ocam —  segundo o qual se parte do menor número possível de premissas para a explicação de qualquer fenômeno —  nos dias de hoje. “E, para mim, isso sempre foi um pedaço de papel e uma caneta”, explica o artista, que desenhou com caneta Bic um conjunto de cartografias imaginárias nas paredes das galerias. Os postais foram reunidos em grupos nos quais Orthof procurou diálogos possíveis entre as imagens representadas. “Selecionei um conjunto de imagens culturais distintas”, avisa. É um trabalho cheio de detalhes e muito delicado, que contrasta com as dimensões da SP Arte, uma mostra gigantesca que ocupa os quatro andares do Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Debate

O grupo EmpreZa aproveitou que boa parte dos integrantes estariam em São Paulo para a SP Arte e instalou um ateliê em um apartamento alugado na Praça da República. Um dos mais importantes grupos de performance do país, o EmpreZa tem dois membros de Brasília, realizou duas performances e abriu o ateliê/apartamento para outros artistas. “É também um espaço para debater questões relativas a ser artista e trabalhar com performance. É um espaço aberto para troca, então tivemos também outros artistas fazendo performances. É uma proposta marginal”, avisa João Angelini, ao reforçar que o grupo tem um viés independente e autônomo muito forte. Formado por nove pessoas, o EmpreZa não participou da SP Arte e considera que o espaço de comercialização da feira não condiz com o trabalho desenvolvido pelo grupo.
 
 
 
 
 
 


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade