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Correio Braziliense

Fernanda Souza: 'A minha vida tomou outro rumo'

Fernanda Souza se despede da turnê da peça Meu passado não me condena, ao mesmo tempo em que celebra o retorno de Vai Fernandinha à tevê. Ao Correio, ela fala do atual momento da carreira


postado em 15/04/2018 07:00

Fernanda Souza não pensa em voltar às novelas tão cedo(foto: Multishow/Divulgação)
Fernanda Souza não pensa em voltar às novelas tão cedo (foto: Multishow/Divulgação)

 
A atriz e apresentadora Fernanda Souza se tornou conhecida ao dar vida à adolescente Mili, na novela infantojuvenil Chiquititas, do SBT, febre no país em 1997. A experiência na novelinha fez com que Fernandinha deixasse São Paulo, a cidade natal, para viver em Buenos Aires. Depois do sucesso da atração, ela emendou uma série de novelas na Globo, como Malhação, Alma gêmea, O profeta, Ti-ti-ti e a mais recente, A regra do jogo. “Foram 18 anos fazendo novela, foi bastante tempo, deu para curtir”, analisa Fernanda Souza, em entrevista ao Correio.

Hoje, a paulista se dedica a outros projetos, como a nova temporada do programa Vai Fernandinha, que apresenta desde 2016 no Multishow, além do canal próprio no YouTube e a reta final da turnê do espetáculo Meu passado não me condena, que passa por Brasília hoje em duas sessões, às 18h e às 20h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Na peça, Fernanda divide a experiência profissional e também pessoal com relatos de bastidores: “O que eu conto é o que nunca foi falado em entrevistas. A gente dá aquilo que as pessoas não sabem. É o que faz gerar essa curiosidade em todo mundo”.

Em Meu passado não me condena, Fernanda Souza quebra a quarta parede, como ela gosta de fazer também nas redes sociais e até nas entrevistas. Fernanda é o tipo de artista que não desvia de nenhuma pergunta e gosta de expor opiniões. Para ela, essa é uma forma de compartilhar o que vivenciou e, quem sabe, ajudar outras pessoas. Foi isso que Fernandinha fez ao bater um papo com o Correio, em que falou sobre o espetáculo, os projetos na tevê, religiosidade e empoderamento feminino.



Você está há quatro anos em cartaz com Meu passado não me condena. O que te motivou a, lá atrás, criar esse espetáculo?
O que me motivou, junto com Léo Fuchs, a criar um espetáculo como esse foi justamente essa ideia de quebrar a quarta parede, de aproximar o público da pessoa pública,  é uma maneira de humanizar minha profissão. E, na verdade, humanizar como um todo a maneira com que as pessoas têm de achar que por causa da fama,  as coisas podem ser diferentes, quando, na verdade, não são necessariamente. 


Por ser um espetáculo que está há tanto tempo em cartaz, você costuma atualizá-lo?
A gente vai colocando coisas que vão acontecendo. Infelizmente não dá para contar tudo, senão o espetáculo teria duas horas. Mas a gente escolhe os melhores momentos e, com certeza, 80% das coisas que eu vivi estão lá, o que não está é muito pouquinho. Tem um texto que foi sendo mudado ao longo dos anos. Se você assistiu à primeira sessão, em 2013, é bem diferente da de hoje. A história é a mesma, mas é contada de jeito diferente. Coisas novas entraram, algumas outras saíram. Fui tentando aperfeiçoar o espetáculo com o feedback do público.


Você relembra algumas personagens em Meu passado não me condena...
Sim, eu relembro e falo sobre as personagens. É uma peça que fala sobre tudo que um artista pode passar nos bastidores. São histórias que aconteceram comigo e poderiam ter acontecido com inúmeras pessoas que trabalham na mesma profissão e no mesmo meio que eu. Serve para todo mundo porque todo mundo acaba passando pelas mesmas coisas. É muito gostoso poder contar essas histórias e relembrar as personagens. O que eu conto é o que nunca foi falado em entrevistas. É o que normalmente não dá tempo de contar num programa de televisão, numa entrevista de jornal ou de revista. Então, a gente dá aquilo que as pessoas não sabem. É o que faz gerar essa curiosidade em todo mundo.


Por conta da turnê de Meu passado... fixa em São Paulo, você voltou a morar na cidade. Como foi esse retorno à capital paulista?
Na verdade, não foi por causa do Meu passado..., mas, com certeza, ele ajudou a passar um tempo em São Paulo por causa da peça e retomar todo o amor que eu tenho pela cidade. Eu sou de São Paulo e não morava lá há 18 anos. E querer morar e ficar está sendo uma delícia. Estou completamente apaixonada pela minha cidade e redescobrindo. Saí muito nova, com 13 anos, então, muita coisa eu não vivi, eu não conhecia. Descobri que eu não sei andar em São Paulo. (risos). Porque com 13 anos você não dirige, então você não tem ideia direito de como faz para ir aos lugares. Eu andava muito de ônibus. 


Você voltou com Vai Fernandinha. O que pode contar da temporada?
A temporada está incrível, não vejo a hora de assistir com as pessoas, porque eu já vi o programa inúmeras vezes, pois eu aprovo a edição final. Tem momentos épicos, divertidos, emocionantes, convidados incríveis, surpresas. Tenho certeza de que a galera vai gostar. Está bem Vai Fernandinha. Você chora e ri em 14 segundos e no final, com certeza, sai com uma mensagem positiva.


Você está há algum tempo longe das novelas. Pretende voltar?
Não, não tenho previsão de voltar. Acho que é uma coisa bem difícil de acontecer. A minha vida tomou um outro rumo, moro numa outra cidade. Eu não tenho mais disponibilidade, por causa dos outros projetos. Foram 18 anos fazendo novela, foi bastante tempo, deu para curtir. Vou ser atriz para o resto da minha vida. Óbvio que se um dia se aparecer um projeto que exija muito menos de mim e que me faça apaixonar e querer viver aquilo, obviamente eu vou pensar. Mas, neste momento, preciso focar no programa. Tenho muito que aprender e acho necessário fazer uma coisa de cada vez para pode fazer direitinho. Eu sou uma só, apesar de ser geminiana. (risos).


Você lançou um canal no YouTube que tem feito muito sucesso. O que leva em consideração na hora de fazer os vídeos do canal? 
O que as pessoas querem saber, o que eu tenho vontade de falar, o que funciona... É um mix de tudo. Tenho vontade de trazer convidados, aí eu trago. Faço colaborações com youtubers que eu admiro. Falo de todos os tipos de coisas que eu penso, compartilho dicas que eu gosto de coisas que acho que posso ajudar. Comecei a consumir muito YouTube depois que comecei a fazer e, de alguma maneira, sempre costumo dizer que a internet me influencia muito mais do que uso ela para influenciar, sabe. Sou só uma atriz e uma apresentadora que compartilha as coisas que gosta, mas quando você atinge muita gente parece que só existe aquele lado: o atingir. Mas sou muito mais atingida. 


Muito tem se falado nesses últimos anos sobre o empoderamento feminino. Qual é a importância de se falar cada vez mais sobre esse assunto e derrubar barreiras, por exemplo, de padrões de beleza?
Acabei de fazer um post no Instagram sobre isso. (risos). Eu sigo a Daiana Garbin. Ela justamente fala sobre isso, sobre a mulher, a aceitação, esses desvios que muitas vezes acontecem de compulsão alimentar e bulimia, anorexia... Ela escreveu um livro sobre isso contando a história dela. Então, acho que, quando você fala daquilo que você já viveu, você tem outra dimensão e perspectiva para poder falar. E justamente foi um post que eu fiz agora há pouco falando sobre essa falta de sororidade que existe entre as pessoas, entre as mulheres de julgar o outro, de acusar, de dizer palavras ofensivas e que não são boas de ler, nem de ouvir. E usar isso como “ah, é a minha opinião. A partir do momento em que você se expõe, tem que aceitar”. Faço questão de falar sobre isso e justamente dando um exemplo de “não, não pratiquem isso, não façam com o outro o que você não gostaria que fizessem com você, se ponha no lugar do outro antes de fazer uma crítica em que nada vai adiantar, porque não é uma crítica construtiva, é apenas bullying e bullying não é legal”. É importante falar sobre isso para que a gente entenda, de uma vez por todas, que não é só a minha opinião. É insulto, é uma ofensa disfarçada de opinião.


Como isso pode ajudar na luta feminista?
Isso é só uma pontinha do iceberg. Tem muitos aspectos, muitas coisas na luta das feministas por direitos iguais, que eu acho completamente fundamentais. A gente não quer nenhuma diferenciação, muito pelo o contrário a gente só quer ser tratada igualmente. É por isso que a gente luta e acho importante a gente usar a nossa posição para isso.


Você é uma pessoa que fala bastante de religiosidade. Para você, qual é a importância como artista de falar sobre esse assunto?
Sou uma pessoa bem aberta em relação a isso. Não tenho problema, nem vergonha, nem nenhum tipo de pudor em falar da minha fé, do que eu acredito, das religiões que eu aprecio, de como eu penso sobre isso, das minhas convicções, do respeito que eu tenho pela religião do outro e que eu gosto que tenham pela minha ou pelas religiões que eu acredito. Acho fundamental que o artista que se sente à vontade, obviamente de fazer isso, que o faça, que seja sincero, que seja verdadeiro, porque de alguma maneira você está incentivando as pessoas a algo que é muito positivo, que é ter fé, independentemente de qualquer religião e do que você acredita. Não levanto a bandeira especificamente de nenhuma religião somente, eu falo sobre várias até no canal. Eu acho saudável. Eu busquei isso durante muito tempo da minha vida e agora que consegui eu faço questão de falar sobre (isso), porque eu acho que de alguma maneira eu posso ajudar alguém. E ajudar o outro, compartilhar, é sempre muito especial. A gente tá aqui para isso.
 
SERVIÇO 
Meu passado não me condena
Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental). Domingo, às 18h às 20h. Escrito por Fernanda Souza e Léo Fuchs e direção de Pedro Vasconcelos. Entrada a R$ 50 (setor superior), R$ 80 (setor especial), R$ 90 (setor VIP lateral) e R$ 100 (setor VIP). Valores de meia-entrada. Assinantes do Correio têm 55% de desconto no valor da inteira. Não recomendado para menores de 14 anos.


Relembre papéis marcantes de Fernanda Souza



Chiquititas
• A primeira experiência na tevê foi como a Mili de Chiquititas. A atriz ficou de 1997 a 1998 na novela infanto juvenil do SBT. Depois emendou um projeto na Globo.



Alma gêmea
• Na novela das 18h, Fernandinha interpretou a engraçada Mirna. A personagem ficou conhecida por alguns bordões e por fazer parte do núcleo cômico da trama.


Toma lá, dá cá
• Depois de se jogar na veia do humor como Mirna, a atriz voltou ao gênero como a jovem Isadora no seriado. Fernanda Souza ficou de 2007 a 2009 no humorístico.


Escolinha do Professor Raimundo
• Na nova versão da Escolinha, Fernanda assumiu o papel eternizado pela atriz Heloisa Périssé, a adolescente Tati. Esse foi o último trabalho como atriz na tevê.



 
 
 
 
 
 
 



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