Publicidade

Correio Braziliense

Reativado, Centro de Dança de Brasília já tem projetos para 2018

Espetáculos, ensaios, residências e festivais estão programados para a primeira ocupação do Centro de Dança depois de sua reabertura


postado em 16/04/2018 07:22 / atualizado em 16/04/2018 09:01

A Have Dreams vai ensaiar no Centro de Dança para competir nos Estados Unidos(foto: Cia Have Dreams/Divulgação)
A Have Dreams vai ensaiar no Centro de Dança para competir nos Estados Unidos (foto: Cia Have Dreams/Divulgação)

 
Reinaugurado em fevereiro, depois de seis anos fechado, o Centro de Dança de Brasília possui uma agenda com os grupos que irão ocupá-lo este ano. Os selecionados no primeiro chamamento para tomar conta das salas do prédio preparam projetos que vão de ensaios e aulas à montagem de espetáculos, festivais e até apresentações no local. São 35 companhias, escolas e dançarinos selecionados na primeira demanda espontânea do local. Não há ainda uma data certa para que comecem a trabalhar, mas eles têm projetos encaminhados cuja execução vai ser facilitada pela reabertura do espaço.

Oficinas e residências no próprio Centro de Dança fazem parte da programação do festival Improvisa dança, realizado pelo Coletivo Tectônica. Marcada para julho, a segunda edição do evento vai ocupar uma das salas e dividir o tempo em três turnos. Além das aulas e residência, o local vai receber jam sessions à noite. São sessões de contato e improvisação abertas ao público.

A primeira edição do Improvisa dança foi realizada no mesmo local, em 2012. “Esses cinco anos do Centro de Dança fechado foram o impedimento de uma geração inteira, que ficou sem formação”, lamenta Carol Barreiro, uma das coordenadoras do festival. “Eu tive toda uma formação ali, dos 17 aos 25 anos. É importante para os bailarinos ter todas as ações ali disponíveis e você poder escolher. Muitos festivais que ocorriam lá pararam de ocorrer.”
 
A coreógrafa Luciana Lara acredita que o espaço deve ser dedicado à pesquisa(foto: Paula Carrubba/Divulgação)
A coreógrafa Luciana Lara acredita que o espaço deve ser dedicado à pesquisa (foto: Paula Carrubba/Divulgação)
 
 
Luciana Lara, do Anti Status Quo (ASQ), lembra que a dança de Brasília perdeu muito com o fechamento do centro e que existe grande expectativa quanto à reabertura. Ela teme que os desejos políticos se sobreponham às necessidades da comunidade e pede aos gestores que escutem os profissionais da dança quando se tratar da destinação do espaço.
 
“O Centro de Dança devia ser um espaço para a dança pensada como arte, fora do mercado, um espaço que proteja uma dança de pesquisa, que faça evoluir a própria linguagem. Assim, haveria realmente a possibilidade de ele ter algum tipo de impacto na dança do Distrito Federal”, acredita a coreógrafa e bailarina. Espaços de formação acadêmica, ela lembra, já existem em Brasília. Mas locais destinados ao fomento de experimentações estão em falta.

Trabalho

Para o ASQ, a reabertura representa uma tranquilidade no sentido de haver um local para trabalhar. Aos 28 anos, a companhia nunca deixou de criar, mas, nos últimos anos, só conseguiu garantir os ensaios durante três dias da semana. “A gente ensaia em média quatro horas por dia, cinco dias por semana. A própria Secretaria (de Cultura) disponibilizou a sala de balé do Teatro Nacional para a gente continuar pesquisando e ensaiando”, conta Luciana.

O ideal, seria a companhia poder trabalhar oito horas por dia, o que agora será possível com a reabertura do Centro de Dança. “Isso vai nos ajudar a ter uma estrutura mínima para pesquisar com mais qualidade e ir mais a fundo em alguns trabalhos com o mínimo de estrutura física”, diz Luciana.

A ASQ prepara um trabalho novo para estrear cerca de três meses após a reabertura. Microutopias, cuja fase final será gestada no Centro de Dança, é um desdobramento da pesquisa Corpo e Cidade, desenvolvida pela companhia desde 2006 e que resultou em intervenções urbanas como Sacolas na cabeça e instalações coreográficas como De carne e concreto, apresentada recentemente em Zurique (Suíça).

Pesquisa

Microutopias será realizado nas ruas de Brasília e haverá um itinerário a ser seguido pelo público para que possa se deparar com o espetáculo. “Essa pesquisa tem vários elementos de intervenção urbana, instalação, artes visuais, dança. É uma grande mistura do aprendizado que a gente tem tido sobre a relação do corpo com a cidade, com o cotidiano, com coisas pequenas que a gente experiência e às quais, muitas vezes, a gente não dá valor”, avisa a coreógrafa.

No caso da Nostalgique cabaret, o Centro de Dança vai servir como espaço de ensaios e de apresentações. A companhia foi selecionada para ocupar a Sala 3, um espaço multiuso no qual vai montar Splash, espetáculo selecionado para se beneficiar do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Com um elenco de 12 bailarinos e programado para agosto e novembro, Splash tratará de questões ligadas à água e traz um viés sociopolítico inevitável para a temática. “Seria muito difícil a gente montar em outro lugar, por causa do custo e da complexidade”, garante o coreógrafo Giovane Aguiar. “O Centro de Dança é o lugar mais adequado para a gente passar por esse processo de montagem.”

Aguiar lembra que os protagonistas da dança na cidade lutaram durante muito tempo pelo espaço e, assim como Luciana Lara, ele está apreensivo quanto à gestão do centro. “É o único espaço de Brasília destinado à dança, a importância é enorme e espero que possa refletir os desejos dos artistas”, diz. Ele acredita que o local deveria funcionar como uma escola técnica de dança, no mesmo modelo da Escola de Música de Brasília. “Mas o espaço é muito generoso, então cabe muita coisa. Deveria ser mais que um espaço de cursos”, acredita.
 
Linguagem inovadora 
 
Uma das intenções da seleção divulgada pela Secretaria de Cultura é manter o Centro de Dança como um espaço aberto à diversidade de linguagens. Estilos como break, street dance e hip-hop encontram lugar na ocupação, o que pode ajudar no desenvolvimento de profissionais da área no DF. O coreógrafo e bailarino Rafael Nino, diretor da Cia Have Dreams, vai levar para o Centro de Dança um grupo de 30 bailarinos selecionados para participar da competição World Hip Hop Dance Championship Internacional 2018.

Realizado no Arizona (EUA), o concurso vai eleger os melhores do mundo e os brasilienses foram selecionados para participar.  Eles viajam para os Estados Unidos com patrocínio de R$ 290 mil da Caixa e hoje pagam, em média, R$ 2 mil para alugar um espaço de ensaio que não atende a todas as necessidades do grupo.

“O Centro de Dança é ótimo, bem localizado, o que é importante, porque nosso grupo tem pessoas da Ceilândia, do Guará, de Sobradinho. E o espaço é grande, a gente vai poder treinar saltos e incluir isso na coreografia”, comemora. Ainda na lista de selecionados para a ocupação estão companhias  Margaridas, a Brasil Style Bgirls, a Foco Cia de Dança, Alaya Dança, a Hands up e Atmos Companhia de Dança. 
 
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade