Publicidade

Correio Braziliense

Site criado por mulheres critica letras machistas da música brasileira

A plataforma Música Machista Popular Brasileira tem o objetivo de questionar o conteúdo de letras criadas por artistas de diversos estilos musicais


postado em 17/04/2018 10:00 / atualizado em 16/04/2018 18:30

Quatro amigas criaram o site colaborativo e convidam o público para enviar músicas(foto: Reprodução/internet)
Quatro amigas criaram o site colaborativo e convidam o público para enviar músicas (foto: Reprodução/internet)

Um grupo de quatro jovens mulheres, composto por Carolina Tod, Lilian Oliveira, Nathália Ehl e Rossiane Antúnez, se reuniu e desenvolveu uma plataforma colaborativa, na qual é possível comentar sobre as letras das canções brasileiras. No site Música Machista Popular Brasileira (MMPB), as criadoras convidam o público a pensar sobre como essas composições refletem o machismo da nossa sociedade. 

 

As quatro criaram a iniciativa logo após a polêmica com a música Surubinha de leve, de MC Diguinho, na qual a letra fazia apologia ao estupro e foi tirada do ar por vários serviços, como YouTube e Spotify. "Sempre houve uma inquietação da nossa parte de ter ideias criativas relacionadas a causas que acreditamos, especialmente o feminismo", explica uma das idealizadoras, Rossiane Antúnez.

 

No MMPB, não fica de fora nenhum estilo musical, do funk às marchinhas de carnaval, de Erasmo Carlos a MC Biel. Além disso, não são criticados apenas homens, mulheres também, como Claudia Leitte e Kelly Key. Segundo Rossiane, a "ideia não é fazer as pessoas boicotarem artistas. Até porque alguns dos que listamos, hoje em dia se posicionam de uma forma completamente diferente, como, por exemplo, Mano Brown. Mas sim refletirem sobre o tipo de música que consomem. Aos poucos o mundo vai evoluindo e os artistas também e se nós tivermos a capacidade de compreender o que é problemático e questionar, melhor ainda". 

 

Desde o início as idealizadoras estavam cientes de que poderiam receber diversas críticas, porém não foi isso o que aconteceu. "Sempre soubemos que o MMPB ia incomodar muita gente. Mas a real é que a quantidade de elogios é bem maior que a de críticas. Então estamos sim muitíssimo felizes", afirma Rossiane Antúnez.

Como funciona o MMPB

O internauta clica na opção "Dá um shuffle" e pode ir navegando pelas músicas cadastradas na plataforma. Cada uma delas recebe comentários e explicações sobre o porquê de terem um caráter machista, às vezes pode ser apenas uma estrofe ou verso, mas algumas delas têm o conteúdo inteiro reprovado. 

 

 

A música de Kelly Key 'Por causa de você' possui letra machista, pois o eu lírico está em um relacionamento abusivo(foto: Reprodução/Internet)
A música de Kelly Key 'Por causa de você' possui letra machista, pois o eu lírico está em um relacionamento abusivo (foto: Reprodução/Internet)

 

É uma plataforma colaborativa, pois as criadoras fizeram um espaço destinado a receber novas sugestões. Para isso, deve-se enviar um e-mail destinado ao endereço denuncia@mmpb.com.br. 

Se curtiu MMPB, você também pode curtir esses

Com a mesma pegada, existe a página do Facebook Arrumando Letras. Este projeto, criado por Camila Queiroz questiona as composições brasileiras. Nas publicações, ela mostra qual a parte contém conteúdo machista e mostra uma sugestão de uma possível mudança. Também são exaltadas boas canções de artistas. 

 

'Lacradora' de Claudia Leitte com Maiara e Maraisa passa a ideia de que mulheres são rivais(foto: Reprodução/Facebook )
'Lacradora' de Claudia Leitte com Maiara e Maraisa passa a ideia de que mulheres são rivais (foto: Reprodução/Facebook )

 

O site Rotten Apples classifica filmes e séries em duas categorias: Fresh Apples (maçã fresca) ou Rotten Apples (maçã podre). A avaliação acontece se há alguém na produção que tiver sido acusado de abuso sexual. Na própria plataforma, os criadores afirmam que não têm o objetivo de condenar essas produções, mas, sim, conscientizar sobre esse tipo de prática disseminado no meio.  

 

*Estagiária sob supervisão de Vinicius Nader 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade