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Correio Braziliense

Exposição celebra faceta menos conhecida do arquiteto Oscar Niemeyer

A mostra ocorre no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça. Niemeyer completaria 110 anos em 2018


postado em 18/04/2018 07:00 / atualizado em 17/04/2018 18:33

Exposição mostra o lado menos conhecido de Oscar Niemeyer(foto: Evandro Teixeira/Divulgação)
Exposição mostra o lado menos conhecido de Oscar Niemeyer (foto: Evandro Teixeira/Divulgação)

A exposição Oscar Niemeyer — Territórios da criação busca revelar uma face pouco conhecida pelo grande público a respeito da obra do arquiteto que, com Lúcio Costa, projetou Brasília. A mostra, que já passou pelo Rio de Janeiro e está em cartaz, a partir de hoje, no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça, reúne trabalhos fora da arquitetura e também traz à tona um lado cidadão de Niemeyer. “Ela funciona como uma introdução à pessoa de Oscar Niemeyer. Ele foi muito importante para o Brasil porque não se limitou aos conhecimentos arquitetônicos”, analisa Marcus de Lontra, curador da exposição, que também celebra os 110 anos do arquiteto.

Em três seções, o público poderá ver trabalhos desenvolvidos pelo arquiteto, retratos dele feitos por grandes fotógrafos brasileiros e, ainda, obras de artistas que colaboraram com os projetos de Niemeyer. Para o curador, a mostra é uma boa apresentação de Oscar Niemeyer, pois apresenta uma produção que ultrapassa a atuação profissional e mostra ao público o arquiteto também como cidadão brasileiro e artista. “O trabalho arquitetônico já é conhecido, basta andar por Brasília para ver. Mas as obras expostas aqui são desconhecidas pela maior parte do público”, destaca.
 
Ver galeria . 38 Fotos Imagens da exposição
Imagens da exposição "Oscar Niemeyer - Territórios da Criação". (foto: Divulgação )

Em 1964, Oscar Niemeyer destruiu, pelo menos simbolicamente, uma de suas criações mais grandiosas, e esse trabalho é o maior destaque da mostra. “Muito chateado (com a situação do país), pintou duas telas que ficaram conhecidas como Brasília destruída”, conta Marcus de Lontra, e completa que Niemeyer nunca batizou as imagens.

Em ambas as representações, os pilares semelhantes aos dos palácios da Alvorada e do Planalto estão destruídos, poucas pessoas aparecem por perto e o monumento Os Candangos, de Bruno Giorgi, permanece de pé, mas desconfigurado.

A inspiração para o ato foram as constantes conversas com o escritor francês André Malraux, que tinha grande apreço pela arquitetura de Brasília e imaginava as belas ruínas que a cidade se tornaria caso fosse destruída. Preocupado com o destino do Brasil com a tomada do poder pelos militares, pintou e ilustrou, como desabafo, a ideia de Malraux.

Acervo

Exemplares da Revista Módulo, da qual Oscar Niemeyer foi fundador, também estão expostos. A revista começou a circular durante a construção de Brasília e funcionou em duas fases: de 1955 a 1964 e, depois, de 1975 a 1989. O curador da mostra, que foi editor da revista, revela que Niemeyer também participava da criação, discutia, desenhava e fazia a revista. Em 1975, o fundador da Módulo usou seu prestígio para conseguir, ainda durante a ditadura, voltar com a circulação.

A iniciativa de incluir retratos de Oscar Niemeyer na exposição partiu do fotógrafo Luiz Garrido. Ele procurou colegas que tivessem trabalhado com o arquiteto e os convidou para expor as imagens. Os registros feitos por renomados artistas mostram o personagem sozinho ou com suas criações como cenário. “Luiz Garrido percebeu como é forte e marcante a figura de Oscar Niemeyer e decidiu reunir na exposição o olhar de vários fotógrafos sobre ele”, explica o curador da exposição. Nani Góis, Ricardo Fasanello e Edu Simões estão entre os expositores. A mostra reúne fotos tiradas de Niemeyer desde a década de 1970 até os últimos dias de vida.

Parcerias

A exposição termina com obras de artistas que foram parceiros de Niemeyer na construção da linguagem brasiliense. Além disso, a mostra apresenta estudos e rascunhos feitos sobre trabalhos que ornamentam pontos importantes da cidade, como o Palácio do Itamaraty, que tem um painel pintado por Afonso Volpi. Há um modelo dos anjos pendurados na Catedral feito pelo escultor Alfredo Ceschiatti, e colaborações para produções feitas em outras cidades, como pedaços de azulejos usados por Cândido Portinari para construir um painel na Igreja de São Francisco de Assis, no Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte.

Exposição Oscar Niemeyer — Territórios da criação
Espaço Cultural Marcantonio Vilaça (SCES, tc 3, lt 3). Até 9 de junho, de terça a sábado, das 9h às 19h.
Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
 *Estagiário sob supervisão de Igor Silveira

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