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Correio Braziliense

Conheça os selos Sêla Musical e PWR Records que apoiam projetos femininos

O objetivo dos projetos é celebrar trabalhos feitos por mulheres na área musical


postado em 18/04/2018 15:27

Artistas que integram os projetos da PWR Records(foto: Hannah Carvalho/Divulgação)
Artistas que integram os projetos da PWR Records (foto: Hannah Carvalho/Divulgação)

Selos que valorizam produções feitas por mulheres são uma nova tendência do mundo artístico. As iniciativas estão alinhadas com o momento atual do mundo, em que as mulheres buscam empoderamento e equidade de gênero.

Há uma série de projetos nesse sentido, como Rosa dos Tempos, Padê Editorial, Efusiva Gravadora, Elas e Hérnia de Discos -- que você pode conhecer mais aqui. Conheça também os trabalhos da PWR Records e Sêla Musical, duas iniciativas mais voltadas para o mundo da música feminino. 

PWR Records

O projeto surgiu de uma ideia de outubro de 2016 de Letícia Tomás, em Recife, ao lado da amiga Hannah Carvalho, mas só tomou forma quase um ano depois. "Estávamos bem insatifeitas em trabalhar com tantos homens (risos). Sentíamos que faltava representatividade nos shows que produzíamos. Hannah já tinha vontade de montar um selo e eu de criar um projeto de música mais mulheres. Uma ideia levou a outra e criamos a PWR! em agosto de 17. A Bells entrou para o selo como nosso braço paulista pra nos ajudar na expansão das nossas produções", revela Letícia.

A gravadora atual como um selo independente que lança trabalhos que tenham mulheres na formação. Atualmente, a PWR Records trabalha com nomes como Papisa, Katze, Miêta, My Magical Glowing Lens, Walkstones, Cora, The Shorts, Não Não Eu, Ema Stoned, Sixkicks, Musa Híbrida e Luísa e Os Alquimistas!

Duas perguntas // Letícia Tomás

Como você enxergam esse novo cenário em que as mulheres estão colocando a mão na massa para se ajudarem e garantirem espaço no mercado artístico?
É incrível! Antes de nós já existia a Hérnia de Discos e a Efusiva, de São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, e foram grandes influências para gente, além do Girls Rock Camp. Nós começamos a PWR num momento onde todo mundo estava começando a olhar para essa questão. É muito foda ver mais e mais minas se movimentando pela causa!

Que balanço faz do projeto desde a criação?
Não sei como responder propriamente isso. (risos). Somos muito felizes com tudo que conquistamos nesse um ano e meio, mas entendemos que ainda nos falta ocupar muitos espaços. A Sonora SP fez um texto sobre a presença feminina em festivais e, por mais que falemos e trabalhemos muito em prol da igualdade, isso ainda está bem longe, por exemplo. Desde nossa criação ajudamos no lançamento e na circulação de mais de 15 projetos. Queremos fazer mais, com mais minas, por mais cidades estados etc!

SÊLA Musical
Encontro promovido pelo SÊLA Musical(foto: SÊLA Musical/Divulgação)
Encontro promovido pelo SÊLA Musical (foto: SÊLA Musical/Divulgação)

Um dos selos mais conhecidos atualmente, o SÊLA Musical teve início quando Camila Garófalo, idealizadora do projeto, gravou o clipe chamado Camarim, em que convidou outras artistas independentes para participar. "Já fazia um tempo que me via trabalhando com outras mulheres e meses depois surgiu a ideia do nome SÊLA. Semanas depois estávamos realizando nosso primeiro Festival no CCSP", lembra.



A iniciativa, que é voltada para a área musical, abrange diversos âmbitos do mercado. Além de produzir eventos, a Sêla explora o território digital por meio do site (mulhernamusica.com.br) e tem espaço para curadoria e para apoiar toda a cadeia produtivo do mercado da música independente. "Já pensei que fôssemos um selo ou ainda que precisaríamos ser. Porém aos poucos percebemos que podemos abranger toda a cadeia produtiva do mercado da música independente. Por isso, além das artistas contamos com produtora, assessoras, técnicas de som, iluminadoras, roadies, etc", revela Camila.

Duas perguntas // Camila Garófalo

Como você enxerga esse novo cenário em que as mulheres estão colocando a mão na massa para se ajudarem e garantirem espaço no mercado artístico?
Acho mais que necessário, urgente. Há ainda uma discrepância imensa entre mulheres e homens em todas as áreas profissionais. A música é apenas uma delas. Então nada melhor do que continuar coexistindo com essas outras alternativas que reforçam a causa. Esse é o caso do WME, Sonora, Distúrbio Feminino, Hérnia de Discos, PWR Records, As Mina Tudo, Daz Mina, e por aí vai. A ideia é somar!

Especificamente no âmbito musical, quais ainda são os desafios hoje para as mulheres?
Todos. Ter que se provar capaz todos os dias. Ter que realizar com excelência. 
Sair do lugar de diva, de cantora super sexy e ser vista como a dona da porra toda.

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